Sistema De Informação Geográfica (Sig): 10 Aplicações Ambientais

O Sistema De Informação Geográfica (SIG) ou Geographic Information System (GIS) é um conjunto de sistemas que possuem diversas funcionalidades. Dentre elas estão: gerar, arquivar, processar, modelar, explorar e representar informações espaciais através de procedimentos computacionais.

Sendo assim, ele auxilia na análise e gestão territorial e dos fenômenos que ocorrem na superfície terrestre.

O primeiro caso que se tem notícia da utilização do SIG foi em um trabalho realizado por Dr. John Snow em Londres, no ano de 1854. Na ocasião, ele mapeou, utilizando a cartografia local, onde se encontravam as pessoas que tinham cólera. A partir de então, conseguiu-se localizar um poço de água contaminada que era a fonte causadora do surto local (Figura 1).

primeiro uso do sistema de informaçao geográfica

Figura 1. Mapa dos Casos de cólera 1854 – John Snow

As próximas tentativas utilizando os dados geográficos que se tem registro aconteceram somente na década 50 nos Estados Unidos.

No entanto, foi apenas na década seguinte que foi criado oficialmente o primeiro Sistema De Informação Geográfica no Canadá. Ele fazia parte de um programa governamental para ser utilizado na produção de um inventário dos recursos naturais do país.

Já nos anos 80, a tecnologia na informática se desenvolveu muito tornando possível a criação de modelos matemáticos de cartografia. Sua finalidade era representar a superfície em meio computadorizado, e assim, o SIG se aprimorou.

Nos anos seguintes, houve um maior acesso ao SIG. Isso se deu graças ao o surgimento dos computadores pessoais e os menores custos das estações gráficas.

Nos dias de hoje, há uma grande difusão e popularização dos softwares e aplicativos que se utilizam do Sistema De Informação Geográfica para o seu funcionamento. Alguns exemplos são: Google Earth, Waze, Uber, iFood, Whatsapp (localização) e entre outros.

Com a facilidade e praticidade da execução aliada aos ótimos resultados gerados com os serviços georreferenciados, a utilização das técnicas de SIG tem se difundido cada vez mais na área ambiental. Assim, ele tem se tornando um diferencial a quem possui a capacidade de gerar e analisar mapas.

10 Aplicações Ambientais do Sistema De Informação Geográfica

1- Mapeamento do Uso e Ocupação do Solo

A partir de imagens de sensores remotos é possível visualizar dados na superfície terrestre e identificar semelhanças entre eles. Assim, a partir da sua interpretação, é realizado uma classificação para que a imagem seja representada visualmente em formato de mapas (Figura 2).

Esse trabalho é muito utilizado pelas mais diversas empresas de consultoria, órgãos governamentais, trabalhos acadêmicos, entre outros. Para a elaboração de um Laudo de Vegetação, por exemplo, é necessário gerar um Mapa sobre a cobertura vegetal da área de estudo

Exemplo de análise espectral da vegetação.

Figura 2: Exemplo de análise espectral da vegetação.

2- Desmatamento

Como tem sido muito vinculado em relação ao desmatamento da Amazônia, essa questão está em pauta. Assim, o Sistema De Informação Geográfica é uma tecnologia que veio para auxiliar muito a tomada de decisões.

Ele é altamente efetivo no monitoramento, detecção, quantificação e pode até mesmo descobrir a fonte do desmatamento dependendo do caso. Além disso, há satélites que mandam informações periódicas que permitem esse acompanhamento do desmatamento (Foto 1).

Trecho da Amazônia em chamas no Sul do Pará

Foto 1: Trecho da Amazônia em chamas no Sul do Pará (Fonte: Bruno Kelly/Reuters)

3- PRAD

É muito utilizada no acompanhamento do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas. Seu uso se dá através de dados históricos que mostram como a área se encontrava.

Além disso, é possível entender como ela se encontra nos dias atuais, indicando com precisão quanto está se regenerando em cada série temporal (Foto 2).

Mata ciliar em processo de restauração na Bacia do Descoberto (MG)

Foto 2: Mata ciliar em processo de restauração na Bacia do Descoberto (MG). Fonte: FBB.org.br

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4- Estudo de Impacto Ambiental

O EIA/RIMA é um importante instrumento no Licenciamento Ambiental do Brasil. Trata-se do documento exigido para obras que possui relevante impacto sobre o Meio Ambiente (Foto 3).

É importante na sua elaboração, apresentar características específicas sobre a magnitude do dano ambiental. Desta forma, o Sistema De Informação Geográfica contribui auxiliando na apresentação do diagnóstico dos meios biótico, abiótico e antrópico.

Além disso, permite a interpolação de informações através de camadas favorecendo a integração dos resultados e, assim, permitindo uma análise conjugada dos impactos ambientais.

Complexo industrial

Foto 3: Complexo industrial. Fonte: observatorio.com.br

5- Perícia Ambiental

Trata-se de uma das áreas que mais cresce e necessita de profissionais. Muitos projetos estão engavetados ou não andam por causa da falta de profissionais capacitados para executá-los.

É importante em uma perícia (Foto 4) apresentar ao juiz dados de fácil observação, facilitando a interpretação. O SIG auxilia muito este processo. Isso acontece porque ele apresenta diversos mapas temáticos que contém, por exemplo:

  • Data e localização da supressão da vegetação nativa;
  • Área total;
  • Área em APP;
  • Modificação de cursos d’água.
Perícia ambiental em áreas degradadas

Foto 4: Perícia ambiental em áreas degradadas. Fonte: infoescola.com

6- Mudanças Climáticas

Através de dados históricos de imagens de satélite é possível prever cenários de mudanças de temperatura no planeta para os próximos anos.

Segundo pesquisadores, ocorrerá um aumento da temperatura média do Planeta entre 2,5 e 5ºC até 2100. Assim, isso afetará diretamente as geleiras, florestas tropicais e cultivos agrícolas, fazendo com que a população sofra consequências drásticas.

Dessa forma, o sensoriamento remoto permite o acompanhamento da situação das geleiras em tempo real (Foto 5).

Exemplo da consequência do aquecimento global aos ecossistemas do Polo norte

Foto 5: Exemplo da consequência do aquecimento global aos ecossistemas do Polo norte.

7- Desastres Naturais

Esses eventos incluem maremoto, terremoto, nevascas, ondas de calor ou frio extremo, furacão, erupções vulcânicas e entre outros.

Seus efeitos podem ser evitados ou minimizados com o auxílio do Sistema De Informação Geográfica. Dessa forma, os desastres são detectados horas antes de acontecerem através das imagens de satélite e assim a população é preparada para os acontecimentos que estão por vir (Figura 3).

Furacão Dorian em atividade no ano de 2019

Figura 3. Furacão Dorian em atividade no ano de 2019. Fonte: nasa.gov.br

8- Conservação da Biodiversidade

Alterações antrópicas, como desmatamento, poluição do ar e da água representam grandes ameaças à biodiversidade (Foto 6).

Então, a fragmentação da paisagem é um processo que pode desencadear fenômenos de extinção local. Neste contexto, as tecnologias de Sistema De Informação Geográfica constituem ferramentas extremamente eficientes para auxiliar na visualização, análise e gerenciamento da biodiversidade.

Assim, essas ferramentas servem de suporte a identificação de áreas prioritárias para conservação, utilizando a base de dados pré-existentes das populações regionais e uso de hábitats.

Biodiversidade brasileira

Foto 6: Biodiversidade brasileira. Fonte: museudoamanha.org.br

9- Cadastro Ambiental Rural (CAR) e Georreferenciamento de Imóveis Rurais

São dois instrumentos legais do direito ambiental brasileiro que estão em vigor e está sendo necessária muita mão-de-obra qualificada para execução.

A grande maioria dos imóveis rurais do Brasil é menor do que 25 hectares e o prazo para georreferenciar estes imóveis vai até 2025, ou seja, até lá há MUITO trabalho a ser realizado.

10- Agricultura de Precisão

É usada para diminuir os impactos sobre o meio ambiente e otimizar o manejo das culturas se utiliza muito a agricultura de precisão.

Assim, através de dados de drones (Foto 7) ou imagens de satélite de alta resolução, são retiradas informações localizadas de determinada área.

Dessa forma, a partir de análises geoestatísticas feitas em software SIG, são realizadas intervenções nas culturas. Ela possibilita diminuir a contaminação do solo, aperfeiçoar o uso de insumos agrícolas, reduzir os custos da produção e aumentar a lucratividade.

O agronegócio brasileiro se utiliza bastante de técnicas de geoprocessamento para manter ou expandir a taxa de produtividade no campo.

Drone em atividade no campo

Foto 7: Drone em atividade no campo. Fonte: blog.grupotaura.com.br

Conclusão

O profissional de meio ambiente que domina a utilização do SIG tem a sua frente um vasto campo de atuação. Poderá interagir com inúmeros profissionais e aumentar assim a sua gama de clientes e parceiros. Trata-se, portanto, de uma excelente forma de inserção e até mesmo de consolidação no Mercado de Trabalho!

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Até a próxima!

Gabriel Neto ([email protected])

Eng. Florestal e especialista em Geoprocessamento