Quanto Resta da Floresta Atlântica?

Quanto Resta da Floresta Atlântica?

Conheça a Floresta Atlântica!

A Floresta Atlântica ou “Mata Atlântica” é na verdade um enorme complexo de ecossistemas predominantemente (mas não exclusivamente) florestais distribuído desde o extremo Nordeste do Brasil, onde abrange principalmente a região mais costeira, até o Rio Grande do Sul.

Entre suas principais formações vegetais, que favorecem (e possibilitam) a enorme biodiversidade encontrada na Floresta Atlântica, podemos destacar:

  • Floresta Estacional Decidual;
  • Floresta Estacional Semidecidual;
  • Floresta Ombrófila Densa;
  • Floresta Ombrófila Mista (ou Mata de Araucária);
  • Brejos;
  • Manguezais;
  • Floresta de restinga;
  • Campos nebulares.

Originalmente, a Mata Atlântica estava presente em 17 estados brasileiros, cobrindo cerca de 150 milhões de hectares.

Entretanto, devido à atividade humana e exploração acelerada não sustentável para extração de madeira, urbanização, construção de estradas, especulação imobiliária e implementação da agricultura e pecuária, hoje resta algo entre 11 e 16% de sua vegetação, sendo que a maior parte de seus remanescentes se encontram distribuídos em fragmentos florestais isolados e com menos de 100 ha.

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Floresta Ombrófila (Imagem: Pedro Jordano/Science)

 

Biodiversidade

Mesmo perante tamanha devastação, a Mata Atlântica ainda abriga uma impressionante diversidade de espécies, que a colocou entre um dos 5 maiores hotspots de biodiversidade do mundo.

Estima-se que a Mata Atlântica abrigue cerca de 20 mil espécies de plantas, equivalente a 35% das espécies brasileiras, muitas delas endêmicas e/ou ameaçadas de extinção.

Quanto à fauna, o Bioma também é lar de cerca de 350 espécies de peixes, 270 de mamíferos, 200 de répteis, 370 de anfíbios e 850 espécies de aves.

A preservação de grandes áreas de vegetação nativa como a Floresta Ombrófila Densa (a floresta da encosta da Serra do Mar), é essencial não só para a manutenção e conservação da biodiversidade, mas também para a saúde e bem-estar da população humana visto que o meio ambiente promove uma série de benefícios diários para nós, conhecido na ecologia como serviços ecossistêmicos.

Os serviços ecossistêmicos são basicamente situações e processos oferecidos naturalmente pelo meio ambiente e dos quais nós usufruímos de maneira direta e indireta.

Entre eles, podemos destacar:

  • Preservação do patrimônio histórico e cultural;
  • Lazer;
  • Apreciação de paisagens cênicas;
  • Produção de óleos, medicamentos, fibras, madeira e alimentos;
  • Proteção e fertilidade do solo;
  • Regulação e equilíbrio climáticos;
  • Regulação e abastecimento de água.
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Gaturamo-bandeira se alimentando dos frutos de Urera caracasana, espécie nativa da Mata Atlântica (Foto: Daniel Perrella)

Quanto Resta da Floresta Atlântica?

Primeiramente, antes de falar sobre o quanto ainda resta da Floresta Atlântica brasileira, é preciso entender o quão grave é a situação de conservação desse Bioma, que já perdeu mais de 87% da sua cobertura vegetal original.

O monitoramento do desmatamento da Mata Atlântica, vem sendo monitorado desde 1985, através de uma iniciativa chamada Atlas da Mata Atlântica, desenvolvida pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Dados recentes desse monitoramento têm mostrado que alguns dos 17 estados brasileiros que abrigam este Bioma, ainda possuem índices de desmatamento bastante alarmantes.
Minas Gerais perdeu mais de 6 mil hectares de Floresta Atlântica entre 2016 e 2018, metragem equivalente a 5,5 mil campos de futebol. Entre os outros estados com taxas preocupantes, estão também o Piauí, o Paraná e a Bahia.

Um dos principais motivos levantados para as altas taxas de desmatamento em Minas Gerais, é a excessiva derrubada de mata nativa para a produção de ferro-gusa e plantio de espécies comerciais, como o eucalipto.

Tal exploração foi responsável pela devastação de 47% dos remanescentes do bioma no estado entre 2017 e 2018.

Por outro lado, na Bahia, o desmatamento teria sido causado pela grande atividade agropecuária, principalmente em uma região denominada “Matopiba”, localizada próxima aos limites da Floresta atlântica com o Cerrado.
O resultado foi uma redução de 78% da vegetação nativa na região.
Já no Paraná, a devastação parece estar associada à extração de carvão vegetal, afetando diretamente algumas espécies arbóreas em especial, como a araucária.
Saber quanto resta da Floresta Atlântica é uma informação imprescindível para entender a magnitude do problema, a fim de traçar estratégias e desenvolver ações para combater o desmatamento da maneira mais eficiente possível.
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Mapa mostrando a cobertura original da Floresta Atlântica (em cinza) e os remanescentes atuais (em preto). Fonte: Ribeiro et al. 2009.

Na contra mão do desmatamento da Mata Atlântica

Entretanto, apesar da destruição de pelo menos 11.399 hectares de florestas nativas só em 2018,  o monitoramento feito pelo Atlas da Mata Atlântica também revelou que esse desmatamento caiu 9,3% entre 2017 e 2018, quando comparado ao mesmo período entre 2016 e 2017, sendo então considerado o menor índice já registrado até o momento desde o início dessa iniciativa.
Na verdade, houveram inclusive 9 estados que chegaram a um patamar denominado como “nível do desmatamento zero”, ou seja, são estados onde a destruição de florestas não ultrapassou valores de 100 hectares no último período avaliado entre 2017 e 2018.
Entre eles, estão o Ceará (7 ha), Alagoas (8 ha), Rio Grande do Norte (13 ha), Rio de Janeiro (18 ha) e Espírito Santo (19 ha).
Embora esta seja uma boa notícia, é importante salientar que todos eles já passaram por uma devastação florestal muito expressiva no passado, sendo que hoje os poucos remanescentes de vegetação nativa persistentes, estão em sua maioria protegidos por Unidades de Conservação e representam uma porcentagem muito pequena de sua abrangência original.

Recuperação da Vegetação Nativa da Mata Atlântica

Além da proteção e preservação do que ainda existe, ações de recuperação da vegetação nativa da Floresta Atlântica são fundamentais para garantir a manutenção de serviços ecossistêmicos e evitar o perigo de extinção de espécies.

Visando justamente garantir a proteção de áreas onde ainda existem remanescentes de Floresta Atlântica, foi sancionada a Lei da Proteção da Vegetação Nativa (Lei nº 12.651/2012, Código Florestal), que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa, estabelecendo normas mais gerais para proteção da vegetação com um todo, áreas de Preservação Permanente e áreas de Reserva Legal (Lei nº 12.651/2012).

Houveram ainda instrumentos colocados em ação, como consequência dessa lei, como é o caso dos Programas de Regularização Ambiental (PRAs) estaduais.

Esses programas se encontram atualmente em fase de regulamentação e podem representar uma oportunidade de gerar negócios sustentáveis muito interessante.

Posteriormente, com a nova possibilidade de execução de estratégias para recuperação da vegetação nativa da Floresta Atlântica, ações voluntárias em parceria com iniciativas internacionais também começaram a ser iniciadas.

Uma delas é a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que propôs uma meta de restauração de até 12 milhões de hectares da Mata Atlântica até o ano de 2030.

Atualmente, a Floresta Atlântica é protegida por lei, estabelecida oficialmente desde 2006 através da chamada Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006, Decreto nº 6.660/2008).

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