Jardim Botânico e o seu papel na conservação da biodiversidade

Jardim Botânico e o seu papel na conservação da biodiversidade

Nada mais prazeroso do que um passeio em uma tarde por um Jardim Botânico, não é mesmo?
Vislumbrar as árvores centenárias, participar das visitas guiadas ou até mesmo admirar os “animaizinhos” que se utilizam do espaço para viver!

O que muita gente ainda não sabe é que não é só de “belezas que engrandecem os olhos” que se ocupam esses santuários ecológicos. A missão destes espaços vai muito além do lazer e da exibição de plantas. Eles desempenham um papel vital na conservação in situ e ex situ de diversos elementos da flora.

No caso da conservação in situ, a estratégia é resguardar elementos raros e/ou ameaçados de extinção que ocorram naturalmente na vegetação circundante ao Jardim Botânico no interior dele. Já a conservação ex situ está relacionada com a introdução de espécies de expressiva importância biológica em um Jardim Botânico onde a espécie não ocorra naturalmente na região.

rjJardim Botânico do Rio de Janeiro. Arquivo pessoal

Jardins Botânicos são espaços em que a pesquisa botânica e a ciência se desenvolvem! Para auxiliar nas pesquisas, eles possuem um amplo acervo de espécies catalogadas por especialistas do mundo todo. Além disso, podem possuir herbários e museus com espécies de ocorrência local, regional e de outros reinos biogeográficos. Até mesmo, o registro conservado de espécies já extintas na natureza pode ser encontrado em muitos Jardins Botânicos existentes no mundo.

Estes santuários ecológicos também voltam seus olhos para a educação ambiental e a conscientização da importância das plantas na vida das pessoas, intensificando as ações para desenvolver a percepção dos impactos das ações humanas sobre o meio ambiente.  Este apelo pela conservação contribui para a meta global da manutenção da biodiversidade para as futuras gerações.  Por esta razão, eles possuem diferentes setores dentro de um mesmo espaço: museus, salas aclimatadas para manter os acervos das exsicatas (amostra de planta prensada e seca em uma estufa) (Fotos abaixo), local para receberem espécies vegetais de diferentes regiões do mundo, viveiros para semear mudas que ainda estão em fase de estudo, estufas para manutenção de espécies mais sensíveis e muitos outros dependendo do jardim Botânico e da região em que ele se encontra. Cada Jardim Botânico possui a sua peculiaridade!

bichinhoVisita no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Arquivo pessoal

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Exsicatas. Fonte: Zona Norte Notícias                                        Educação Ambiental em Jardim Botânico.Fonte:Senac

Um estudo publicado em 2010 nos mostra que o número de Jardins Botânicos brasileiros hoje ainda é insuficiente, sendo apenas 34 (Peixoto & Guedes-Bruni 2000). Este número está abaixo do necessário  para atender a demanda de conservação das espécies ameaçadas, visto que vivemos em um período de devastação, desmatamento e expansão das fronteiras agrícolas. Não podemos deixar de lembrar dos desastres ecológicos causados pela ação humana que tem levado à extinção de diferentes espécies endêmicas, muitas ainda se quer conhecidas.

Como não se apaixonar por estes locais que além de nos enriquecerem com as paisagens maravilhosas ainda se dedicam a estas missões árduas de conservação, educação ambiental e aconselhamento no uso sustentável da diversidade vegetal?

 

Referências utilizadas:

Peixoto, A.L. & Guedes-Bruni, R.R. 2000. Jardins Botânicos. Ciência e Cultura 62(1):18-19.

 

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