Estudos Ambientais protegem o Meio Ambiente?

Estudos Ambientais e a Preservação do Meio Ambiente

Gostaria de propor uma reflexão aqui no meu espaço semanal do Blog do Portal eFlora!

Ela surgiu após a leitura do artigo de opinião escrito por William Laurance e David Salt intitulado: Environmental impact assessments aren’t protecting the Environment.

O link para acessar o artigo se encontra ao final da página.

Nesse artigo, os autores demonstram que os estudos ambientais não são capazes de identificar tanto espécies ameaçadas como habitats singulares.

Estes estudos são mal planejados e, portanto, são insuficientes no sentido de garantir a manutenção das espécies raras, endêmicas e/ou ameaçadas de extinção que são afetadas em diferentes projetos de infraestrutura.

Há uma série de razões para isso, tais como: investimentos mal conduzidos, metodologia mal aplicada, interesses escusos e pressões políticas.

Minha missão é, no que estiver ao meu alcance, mudar essa lógica!

Trabalho com Consultoria Ambiental há mais de 12 anos.

Já capacitei mais de 1.500 pessoas pela Brasil Bioma que atuam ou desejavam atuar com Consultoria principalmente no componente FLORA, que é a minha especialidade.

Desde 2014, ministro treinamentos in company na CETESB, a fim de treinar os profissionais da companhia a fiscalizarem de forma mais eficiente e com melhor embasamento técnico os Laudos e demais Estudos Ambientais que são protocolados neste, que é o órgão licenciador do Estado de São Paulo.

A partir de toda essa bagagem, posso dizer que esse artigo de opinião é correto, atual e evidencia o paradoxo do Licenciamento Ambiental, que eu já salientei diversas vezes em meus cursos de extensão e dentro da sala de aula, em minhas aulas de graduação.

O consultor ambiental está entre a cruz e a espada. Sabe por quê?

Ele é contratado pelo empreendedor, ou seja, por quem está interessado pela obra a elaborar um estudo ambiental que deverá ser protocolado e analisado no órgão ambiental, cuja idoneidade muitas vezes é questionável.

Ou seja, ele sofre pressões de ambas as partes, desde aquele que está te contratando e não está lá muito interessado em tomar conhecimento de que em sua propriedade há aquela planta super ameaçada de extinção, até na outra ponta, no órgão ambiental, que possui uma série de demandas e um amplo espectral de profissionais com diferentes formações e ideologias, sem falar de eventuais pressões políticas.

Ter uma Floresta em estágio avançado de regeneração na propriedade, uma população de espécie ameaçada de extinção no local ou algum outro ponto relevante são questões que podem, se não inviabilizar a obra, encarecer a compensação ambiental.

Muitos me questionam o que fazer, então?

Questionam se é correto trabalhar com Consultoria Ambiental, se devemos entrar em toda essa “sujeira”, trabalhar com o “inimigo”, etc…

Eu penso que o bom profissional não aceita trabalhar com empreendedores mal intencionados.

Afinal de contas, ele tem o seu nome a zelar.

Pessoalmente, já conversei com várias pessoas que gostariam de contratar o meu serviço, mas ao longo do processo tentaram desviar o meu olhar para o que ELES gostariam de “enxergar”.

Quando notava esse movimento, declinava do trabalho na mesma hora, afinal de contas a Responsabilidade Técnica (ART) pelo trabalho seria minha e isso custaria a minha reputação, que é o meu bem mais precioso.

Pessoalmente, sou um profundo defensor de que BONS PROFISSIONAIS, BEM INTENCIONADOS e COM ADEQUADA FORMAÇÃO trabalhem com Consultoria!

Sou amigo e parceiro de muitos consultores de flora e de fauna que prezam pela qualidade de seus trabalhos e não oferecem a oportunidade de mudar o resultado de seus estudos em detrimento da pressão de empreendedores.

O mercado de trabalho precisa desses profissionais!

Um estudo ambiental se divide em três componentes:

– Diagnóstico Ambiental

– Avaliação de Impactos e

– Programas Ambientais.

Não há um componente mais importante que o outro.

Você, consultor, deve ser capaz de elaborar um diagnóstico capaz de descrever a composição e distribuição da biota alvo do seu estudo, para que assim possa avaliar adequadamente os impactos e propor as medidas mitigatórias mais adequadas.

Uma vez que o seu estudo seja bem concebido e seus dados forem bem coletados, o diagnóstico será bem feito e sua interpretação em relação à legislação será bem amparada.

Portanto, a CONCLUSÃO do seu diagnóstico será INQUESTIONÁVEL.

Quanto melhor a qualidade técnica de um estudo ambiental, menos será o risco a outras interpretações por parte de quem contrata o seu estudo (empreendedor) ou analisa o mesmo (órgão ambiental).

Esteja ciente das suas conclusões técnicas e de todos os argumentos que as sustentem.

Nos meus cursos, por exemplo, ofereço a possibilidade do aluno conhecer a ampla gama de famílias botânicas da vegetação alvo.

O técnico precisa ter uma ideia do todo para saber o grau de complexidade com o que ele está lidando.

Muitas pessoas acham que a Mata Atlântica se resume à Embaúba (Cecropia spp.), Manacá (Tibouchina spp.) e Tapiá (Alchornea spp.).

Estas são as espécies mais comuns dos remanescentes próximos à cidade de São Paulo e estão presentes em toda borda florestal.

Para quebrar esse paradigma, costumo citar um levantamento florístico realizado no Parque Estadual do Jaraguá, uma floresta urbana na zona oeste da Cidade de São Paulo, que registrou 262 espécies arbustivas e arbóreas (Souza et al. 2009), um número bem interessante!

jaraguá

Parque Estadual do Jaraguá. Fonte: WikiParques

Os profissionais que ouvem esse dado ficam perplexos.

“Mas como, no Jaraguá, naquele fragmento de floresta no meio da cidade tem tudo isso de espécies de plantas?”

Esse é o questionamento mais comum.

Nesse sentido, eu respondo: “sim, apenas considerando arbustos e árvores”.

Nessa estimativa, não estão sendo consideradas as ervas, as trepadeiras e as epífitas, por exemplo.

As pessoas precisam entender o tamanho da complexidade do que estão trabalhando, para assim buscar conteúdos, cursos e especializações que preencham as suas LACUNAS DE CONHECIMENTO na área e, portanto, consigam oferecer um SERVIÇO DE MELHOR QUALIDADE.

A qualidade do seu trabalho está diretamente ligada à sua capacidade de gerar novos parceiros e aumentar os ganhos da sua atividade.

Só assim conseguiremos mudar a mentalidade dos profissionais mal intencionados ou que se sujeitem a modificar os resultados de seus estudos em detrimento da pressão que sofram.

Pensando em tudo isso propus um novo curso de pós graduação na universidade que trabalho. A partir de 2019, serei o coordenador do 1º Curso de Pós Lato Sensu voltado à especialização de Consultores Ambientais para diagnóstico de campo e gerenciamento de projetos. Essa pós será realizada na UNISANTOS e as aulas serão aos sábados. Clique aqui e saiba mais.

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Serão 4 meses de contato direto e direcionado ao seu aprendizado, networking e Projeto de Evolução Profissional.

Ainda há algumas vagas para essa 1ª Turma, portanto preencha a sua ficha de aplicação aqui e se candidate a uma das vagas remanescentes.

O que achou desse conteúdo?

Quais são as suas reflexões sobre o tema proposto nesse post?

Deixe o seu comentário abaixo.

Até a próxima!

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Acesse o artigo de opinião clicando aqui!

 

Referências:

Souza, F.M.; Sousa, R.C.; Esteves, R.; Franco, G.A.D.C. 2009. Flora arbustivo-arbórea do Parque Estadual do Jaraguá, SP. Biota Neotropica 9(2):188-200.

 

Rodrigo Trassi Polisel (E-mail: [email protected])

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