Em seu dia, a Caatinga pede socorro

Em seu dia, a Caatinga pede socorro

Junto à Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica, os Pampas e o Pantanal, a Caatinga completa os domínios de vegetação existentes em nosso pais. O seu nome vem do Tupi- Guarani que significa Floresta Branca, graças à sua aparência durante a seca. Ela está presente em 11% do território nacional, espalhando-se pelos seguintes estados: Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e parte de Minas Gerais.

A fisionomia predominante da Caatinga é a Savana Estépica (segundo IBGE). A mesma possui, de forma geral, três tipos de estratos:

– o arbóreo, formado pelas árvores de 8 a 12 metros de altura;

– o arbustivo, que engloba a vegetação de 2 a 5 metros; e

– o herbáceo, abaixo de 2 metros.

Bromeliaceae e Cactaceae são as principais famílias de plantas da região. Uma das principais adaptações das plantas que vivem nesse ambiente é o armazenamento de água (características escleromórficas). Algumas plantas que possuem essa característica são: Mandacaru (Cereus spp.), xique-xique (Pilocereus spp.), barriguda (Ceiba spp.) e umbuzeiro (Spondias spp.).

A Caatinga é morada de cerca de 2 a 3 mil espécies vegetais, além de 148 espécies de mamíferos, 240 de peixes, 510 de aves, 167 de répteis e anfíbios, além de 187 espécies de abelhas. Também é responsável de fornecer ao sertanejo a madeira, carvão, carne, plantas medicinais e mel, além de forragem para o gado. É o domínio exclusivo do Brasil. Genuinamente brasileiro!

Uma tese de Doutorado realizada pela UNICAMP pelo Prof. da Universidade Federal do Ceará Marcelo Moro atesta a presença de uma rica flora caracterizada por elevados valores de endemismo. Se você deseja saber mais sobre esse ambiente, recomendamos fortemente a leitura dessa obra que se encontra aqui!

O dia 28 de abril foi escolhido em homenagem ao professor João Vasconcelos Sobrinho, um dos pioneiros nos estudos ambientais no Brasil.

Este dia também é comemorado o Dia da Educação. Vem a calhar, já que é impossível pensar em conservação sem pensar em educação.

Mais que uma homenagem, esta data foi criada para conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação da Caatinga para o total equilíbrio ambiental.

A falta de respeito, consciência e responsabilidade estão levando a Caatinga ao seu limite. O uso errado dos seus recursos estão fazendo com que o caos se instale. O uso insustentável de seus solos e recursos naturais ao longo dos anos, unidos aos cenários de mudanças climáticas, estão levando a Caatinga ao estágio de desertificação muito mais rápido do que qualquer pesquisador imaginava.

As razões principais para esta catástrofe são o desmatamento, o uso da lenha e carvão e o uso indiscriminado do solo pelos agropecuaristas.

Hoje, por incrível que possa parecer, existe apenas 1% de área de proteção integral íntegra conservando legalmente a Caatinga. A maior parte do que restou, portanto, se encontra fora de Unidades de Conservação.

As organizações e entidades, governamentais ou não, tentam manter esforços para que este desastre não continue, criando ações para fomentar a Caatinga. Se não é possível coibir o uso de seus recursos naturais, que estes sejam, então, utilizados de forma racional.

Há alguns anos, foi proposta a divisão da Caatinga em oito regiões, como uma alternativa à destruição. Tenta-se assim, dificultar o uso irracional e incutir nas pessoas ligadas à Caatinga que todos irão sair perdendo com a desertificação e seu trágico.

Nota-se no brasileiro uma dificuldade muito grande em se ater a preservação ambiental e uma grande reserva sobre este tema e suas práticas, mesmo vendo, mesmo sofrendo com o seu resultado. Existe sim, um sentimento destrutivo, dando a impressão de que enquanto existir, pode ser utilizado. Isto em qualquer domínio.

Importantíssimo se faz colocar em mente que podemos até não arcar com o resultado destas escolhas irresponsáveis e criminosas, mas nossos filhos, netos, etc…  Bem eles irão pagar o preço da indecência do ser humano. Sim, indecente é uma palavra que pode, junto a irresponsabilidade criminosa, caracterizar as ações e atitudes do ser humano junto à natureza.

Que os pesquisadores, as ONGs, os grupos conservacionistas consigam ter forças para o embate junto aos inimigos da natureza.

Comece fazendo a sua parte.

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Imagem:focadoemvocê.com

Esta coluna é de responsabilidade da Gabriel Lima, biólogo ([email protected]).

 

Fontes:

 

http://ideiaweb.org

http://g1.globo.com

http://www.alagoas24horas.com.br

http://cbhsaofrancisco.org.br

http://www.mma.gov.br

https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br

http://www.iguiecologia.com

http://www.iguiecologia.com

http://www.areasverdesdascidades.com.br

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