A divulgação científica para “não-cientistas”

A divulgação científica para "não-cientistas"

Thomaz-isabel e iguana

Imagem: Thomaz Girotto

A cada dia que passa, a humanidade está diante de novos problemas e soluções. São perguntas às quais respostas aparecem após anos de dedicação, trabalho e estudo; noites passadas em claro; ou às vezes em um simples acidente laboratório, como aconteceu em 1928 com Fleming e a penicilina.

A questão é que essas respostas da ciência, sejam elas obtidas independentemente do processo, têm algo em comum: todas servem (ou deveriam, mas a questão aqui não é essa) para nos ajudar.

Então, por que algumas são mais importantes que outras?

Ora, quem nunca ouviu falar a historia de um físico inglês que tomou uma  maçãzada na cabeça e definiu as leis da gravidade? Einstein, por sua vez, foi tão além ao seu tempo, que sua teoria, descoberta através dos números equações, é expressa a todo momento em nosso cotidiano; o que passa mais rápido, 1h no escritório ou 1h em uma festa? Relatividade.

E quem conhece o nome de algum pesquisador que estuda abelhas, por exemplo? Algo tão importante para o nosso futuro quanto qualquer outro assunto.

Algumas descobertas e estudos, porém, chegam às pessoas em formas mais ‘atrativas’, como smartphones que funcionam com a voz, ou filmes com efeitos especiais cada vez mais realistas.
A polinização das abelhas faz muito mais pela pessoa do que ela é capaz de enxergar nas circunstâncias atuais.

Eu não estou dizendo que deixar de investir em pesquisa tecnológica é a solução; Porém. de fato creio que o conteúdo dos trabalhos científicos poderia dar muito mais retorno caso fosse abordado de uma maneira diferente, caso a pessoa entendesse a importância, o impacto de certos fenômenos e comportamentos naturais, inclusive nela mesma. E será que existe melhor maneira de fazer alguém conhecer uma novidade, do que tendo contato com ela?!

thomaz e tartaruga

Imagem: Thomaz Girotto

As pesquisas da atualidade que tomam a mídia e a atenção dos não-cientistas geralmente são inovações que tornam a vida humana “mais fácil”. E eu também não estou dizendo que isso é errado. – Mas que estamos tão distantes da realidade que aquilo que é mais confortável nos atrai. Nós estamos confortáveis demais.

Não me surpreende que a descoberta de uma nova espécie de sapo não cause nenhum interesse na maioria da população, citando o discurso brilhante de Fernando Meirelles no Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação em 2015; Muitos nunca nem viram um sapo de verdade!

Oh, e agora, quem irá defender a nós, os cientistas?! Calma. Afinal, tudo só depende da gente.

A questão é que todo cientista é um professor. A diferença é como ele ensina. Como ele atinge os outros com o seu conhecimento. É comprovado por todo aluno de faculdade, inclusive eu, que mesmo que o assunto seja o nosso preferido, se a pessoa que estiver lá na frente não souber tratar aquilo de maneira atrativa e envolvente, a atenção vai-se embora num piscar de olhos, e o que era para ser uma deliciosa aula de zoologia metamorfoseia-se numa sessão de tortura mental, e em piores casos, há riscos de sono profundo, uso descontrolado do celular e o desenvolvimento de artes no caderno, mesa, parede, braço e afins. Pode ser no jardim de infância ou na faculdade: professor que não prende a atenção, perde pra turma do fundão. E olha que eu sempre preferi sentar na frente justamente pra não cair nas tentações, muitas vezes em vão.

Temos que nos reinventar, estudar formas de incluir marketing e publicidade como uma ferramenta na divulgação científica, de modo a tornar algo que “é chato” em algo interessante, divertido, ou que as pessoas se identifiquem.

Ah, E a missão não é fácil, amigos, porque do outro lado temos logo os maiores inimigos do país: a corrupcao é a burocracia, dois chefões que além de dificultar o trabalho de pesquisadores, seguram o nosso índice educacional lá embaixo, bem longe de onde deveria e merecia estar num pais tão rico em todos aspectos e que mantém o slogan de “Pátria educadora”. Mas não podemos deixar esses adversários nos abalarem, afinal, brasileiro não desiste nunca!!!

Coluna de responsabilidade de Thomaz Girotto, Educador Ambiental. E-mail: [email protected]

Site: youtube.com/BichoPaulistano

 

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