Dia Mundial do Habitat

habitat

A manutenção do habitat para populações naturais é uma árdua tarefa em meio à humanidade e está sempre em intensa transformação econômica e social. Pensando nisto, a ONU celebra, desde 1986, sempre na primeira segunda-feira do mês de outubro, o Dia Mundial do Habitat. Você conhecia esta data comemorativa?

Com esta iniciativa, a ONU visa buscar a conscientização das pessoas sobre esta questão crucial a respeito da conservação da biodiversidade. A perda de habitat é a principal causa da extinção de espécies no mais variados ecossistemas da Terra.

A perda ou destruição de habitat ocorre quando este é removido e substituído por outro. No processo da mudança, as plantas e animais que utilizavam o local, são dali deslocadas ou extintas regionalmente (Foto 1).

perda de habitat

Foto 1 – Presença de um urso em território urbano, evidenciando o processo de perda de habitat.

A destruição do habitat é responsável por 36% das extinções de espécies, segundo dados da Conservation International (Foto 2).

destruição de habitat

Foto 2 – Ursos Polares – Modificação e destruição de Habitat

A destruição ou modificação de habitats é a consequência direta do crescimento das cidades e o desenvolvimento econômico, o que age em pressionar cada vez mais às populações naturais a conviver em espaços confinados e fragmentados.

Mas qual o conceito de Habitat? E de nicho ecológico? O que os livros trazem sobre estes conceitos?

Não se pode confundir Nicho Ecológico com Habitat.

Enquanto o habitat é a localização adequada para a vida de um ser vivo, o nicho ecológico é um segmento do habitat, que nos indica as condições ambientais em que um animal vive, ou a sua a forma de vida (Primack & Rodrigues 2001).

Habitat significa o espaço onde seres vivos vivem, e se desenvolvem. É um ambiente natural onde nasce e cresce qualquer ser organizado.

Um exemplo de Habitat é o Fitotelmo. São tanques biológicos vivos, vegetais, de tamanhos diversos, podendo ser desde muito pequenos até bem grandes, capazes de armazenar formas de vida variadas, formando ecossistemas de diversas escalas. Exemplos de fitotelmo são as bromélias e as bananeiras-de-jardim (Foto 3).

dia mundial do Habitat

Foto 3 – Fitotelmo em Bromélia

Existem confusões ao emprego dos conceitos de Nicho Ecológico e Habitat. Para deixar claro, o habitat representa o “endereço” da espécie e o nicho ecológico equivale à “profissão” ou “pacote ambiental onde a espécie ocorre”. Esse “pacote ambiental” abrange um conjunto enorme de parâmetros a ser considerado e fundamentais para a ocorrência da espécie, influenciando diretamente o seu padrão de distribuição no ambiente.

Em 1957 foi apresentada por George Evelyn Hutchinson, um ecólogo anglo-americano considerado o “pai da ecologia moderna”,  uma concepção moderna de nicho: Pode ser caracterizado pelo conjunto das  exigências de uma espécie em seu habitat. Exemplificando, o habitat de um peixe poderia ser um lago inteiro; O habitat de um micro-organismo intestinal seria o canal alimentar de um animal. Cada habitat proporciona muitos nichos diferentes: Muitos outros organismos com estilos de vida diferentes também podem viver no intestino do animal ou em um lago. É o modo de vida de um organismo em determinada localidade. Assim, Nicho trata-se de um conceito e não de um local!

Os nichos se apresentam em dois tipos: Nicho fundamental, representados por aqueles com os limites máximos possíveis, no qual um organismo pode ocupar na ausência de outras espécies; e Nicho realizado ou efetivo: é o nicho verdadeiro do organismo, na situação real em que se encontra. Ficou mais claro agora a diferença entre HABITAT e NICHO ECOLÓGICO? Deixe o seu comentário abaixo do post e deixe sua dúvida ou sugestão!

Metade da população mundial, atualmente vive em cidades e projeções apontam para dois terços para a próxima geração. A medida que este número cresce, aumenta também a necessidade de reforçar e melhorar a dimensão urbana de nossos esforços para reduzir a pobreza mundial e promover o desenvolvimento sustentável às próximas gerações. Assim, as próximas gerações poderão sofrer menos com esta perda de habitat e com a extinção em massa da biota.

Um dos serviços ambientais mais importantes oferecidos pelo Meio Ambiente é a Biodiversidade, responsável por regular processos ecológicos, interações bióticas e oferecer a manutenção de cadeias alimentares.

Serviços ecossistêmicos são os benefícios diretos e indiretos obtidos pelo homem a partir dos ecossistemas. Dentre eles pode-se citar a provisão de alimentos, a regulação climática, a formação do solo e etc. Eles contribuem para produzir o bem estar do ser humano.

A vida no planeta Terra está intimamente ligada à contínua capacidade de provisão e resiliência dos serviços ecossistêmicos. A demanda humana pelos mesmos vem crescendo rapidamente, ultrapassando em muitos casos a capacidade dos ecossistemas regenerá-los. Uma das formas de se avaliar esse balanço entre o que é utilizado pelo homem e o que é produzido pela natureza está na PEGADA ECOLÓGICA de uma pessoa, sociedade ou país. Mas deixaremos este tema para um outro post!

A degradação dos ecossistemas naturais e dos fluxos de serviços por ele gerados têm impactos importantes no bem-estar das populações, demonstrando a profunda e direta dependência do homem em relação aos serviços ecossistêmicos. As funções ecossistêmicas podem ser agrupadas em quatro categorias: de regulação; de habitat; de produção; de informação. Algumas informações sobre cada um destes, segue abaixo:

– Funções de Regulação: Relacionados à capacidade dos ecossistemas regularem processos ecológicos essenciais à vida. Além de manterem a saúde dos ecossistemas, as funções de regulação têm impactos diretos e indiretos sobre as populações humanas. Entre as funções de regulação, está o equilíbrio entre o oxigênio e dióxido de carbono, manutenção da camada de ozônio, etc.

– Funções de Habitat: Essenciais para a conservação biológica e genética e para a preservação de processos, fornecendo espaço e abrigo para espécies animais e vegetais, contribuindo para a manutenção da diversidade genética e biológica.

– Funções de Produção: Ligados à capacidade dos ecossistemas fornecerem alimentos para o consumo humano, a partir da produção de uma variedade de hidrocarbonatos, obtidos através de processos como a fotossíntese, sequestro de nutrientes e através de ecossistemas como as terras cultivadas.

– Funções de Informação: relacionam-se à capacidade dos ecossistemas naturais contribuírem para a manutenção da saúde humana, fornecendo oportunidades de reflexão, enriquecimento espiritual, desenvolvimento cognitivo, recreação e experiência estética.

Apesar do consenso de que o sistema econômico vem afetando de maneira irreparável os ecossistemas e sua capacidade de provisão de serviços, pouco se tem feito no sentido de conciliar o sistema econômico e os sistemas naturais que o suportam.

Esforços científicos têm sido gerados para combater esse problema. Com base no atual grau de degradação dos recursos naturais, a ciência da Restauração Ambiental começou a utilizar o conceito de Corredores Ecológicos, visando integrar remanescentes de vegetação, praticamente isolados em meio a uma matriz impermeável e antropizada. Há, hoje, uma disciplina específica chamada Ecologia da Paisagem, que busca compreender a influência da paisagem na regeneração e manutenção da viabilidade dos remanescentes de vegetação (Sugere-se a consulta aos textos produzidos pelo Prof. Dr. Jean Paul Wetzer, do Instituto de Biociências da USP-SP).

Um dos grandes resultados e aplicações desta disciplina é a formulação de práticas de manejo de áreas e planejamento do uso da terra a fim de se permitir a interação entre produção e conservação.

Sobre o assunto, vale citar os importantes Corredores Ecológicos, que são áreas que unem os fragmentos florestais ou unidades de conservação separados por interferência humana, como por exemplo, estradas, agricultura, atividade madeireira.

O objetivo do corredor ecológico é permitir o livre deslocamento de animais, a dispersão de sementes e fluxo gênico entre diferentes remanescentes de vegetação, contribuindo ao aumento da cobertura vegetal. Ele reduz os efeitos da fragmentação dos ecossistemas ao promover a ligação entre diferentes áreas e permitir o fluxo entre as espécies da fauna e flora. Os corredores são criados com base em estudos sobre o deslocamento de espécies, sua área de vida e a distribuição de suas populações.

Os resultados foram tão animadores, que, com a utilização destes corredores ecológicos, notou-se que os benefícios dessa estratégia para a diversidade podem se estender além dos limites desses trechos de terra interligados. Restabelece-se, portanto, processos ecológicos ora rompidos por conta da perda de habitat.

Os pesquisadores Lars Brudvig, pós-doutorando da Washington University, em St. Louis e Nick Haddad, professor-associado de biologia da North Carolina State University, descobriram que ao se adicionar corredores de habitats, dobra-se a chance de populações naturais se manterem viáveis na área (Ref) (Foto 4).

Corredor ecológico

Foto 4 – Exemplo de um corredor ecológico integrando remanescentes.

Iniciativas para abrigo de fauna em áreas antropizadas, principalmente na construção de rodovias são exemplos de respeito ao Meio Ambiente (Fotos 5 e 6).

Corredor ecológico Rodovia

Foto 5 – Corredor Ecológico sobre Rodovia

Travessia de Fauna

Foto 6 – Exemplo de Travessia de Fauna.

O termo Biologia da Conservação foi introduzido pela primeira vez em 1978, como o título de uma conferência realizada na Universidade da Califórnia, em San Diego, Estados Unidos, organizado por biólogos Bruce Wilcox e Michael E. Soulé.

O motivo do encontro foi a preocupação com o desmatamento tropical, a extinção da biota e a destruição da diversidade genética (erosão gênica). O conceito de diversidade biológica (biodiversidade), foi criado, principalmente, sob a luz da preocupação em:

a) entender os efeitos da atividade humana sobre as espécies, comunidades e ecossistemas;

b) desenvolver abordagens práticas para prevenir a extinção de espécies e, se possível, reintegrar as espécies ameaçadas ao seu ecossistema funcional.

Considerando que apenas 10% dos remanescentes de vegetação estão protegidos em Unidades de Conservação (UCs), medidas de incentivo à proteção e restauração dos recursos naturais em áreas particulares são urgentes. Portanto, defender o Habitat Natural, seja por meio dos corredores ecológicos ou o incentivo à criação de UCs significa defender a continuidade das próximas gerações, pois estas dependem, diretamente, de um ecossistema saudável, sustentável, resiliente e protegido.

 

Referências Bibliográficas:

Ministério do Meio Ambiente

PRIMACK, R. B.; Rodrigues, E. Biologia da conservação. Londrina: Vida, 2001.

Scientific American Brasil

Unic – Rio de Janeiro;

Wikipédia

 

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