5 dicas para o sucesso do seu plantio de restauração

5 dicas para o sucesso do seu plantio de restauração

Neste post, iremos oferecer algumas dicas bem introdutórias através de uma linguagem bem simplificada a quem busca informação sobre ações de restauração da vegetação.

Primeiramente, é importante ressaltar que há na literatura uma série de termos que tipificam esta atividade. Os principais deles são: Recuperação, Reflorestamento, Reabilitação e Restauração. Os pesquisadores da área sugerem que estes termos não podem ser empregados como sinônimos.

A REABILITAÇÃO ou RECUPERAÇÃO representam o retorno de algumas funções e estruturas do ecossistema que foram perdidas com a degradação. O REFLORESTAMENTO significa tão somente o plantio de mudas e a RESTAURAÇÃO representa o uso de variadas metodologias que visam ao restabelecimento dos processos ecológicos numa área degradada que foram perdidos com a degradação ambiental. Neste post, falaremos um pouco sobre estas metodologias

Conhecer o ambiente em que você irá trabalhar é fundamental para o sucesso da ação restauratória, seja através do plantio direto ou não! Saber o que está presente na área, o que tem em seu entorno, o ciclo de chuvas da região, histórico de perturbação, condições do solo são precondições e integram o diagnóstico ambiental a ser feito na área antes do plantio.

Abaixo, apresentaremos cinco dicas para você que trabalha com restauração. Hoje, daremos uma ênfase maior às metodologias que envolvem o plantio direto. Vamos a elas!

medidas

Ilustração das medidas de proteção das margens dos rios.Fonte: Prefeitura de Sorocaba/SP

1) Diagnóstico de área: Conhecendo a área e seu entorno

Como dissemos anteriormente, efetuar o correto diagnóstico da área a ser restaurada é a precondição do êxito da ação. É necessário, além da área degradada, o seu entorno imediato, pois o mesmo influenciará diretamente no restabelecimento de processos ecológicos no local que desejamos restaurar. Para isto algumas perguntas devem ser respondidas:

1 – Existem fragmentos florestais próximos que possibilitem a chegada de propágulos pelo processo natural de regeneração?

2 – O potencial de regeneração da área é significativo? Qual a densidade dos indivíduos arbóreo-arbustivos regenerantes?

Outro fato a se levar em consideração ao se planejar um projeto de restauração é o histórico do local. Qual o tipo de perturbação e em qual grau ela ocorreu? É recente? Qual a capacidade de resiliência do local?

Em suma, você deve responder a si mesmo a seguinte questão: Essa área tem potencial de se regenerar naturalmente?

2) Escolha das espécies

plantulas

Mudas para o plantio. Imagem: MF RURAL

O processo de escolha das espécies indicadas para a região é uma das etapas mais cruciais do processo. Uma dica valiosa é você buscar levantamentos florísticos e/ou fitossociológicos efetuados nas proximidades (até 100 km da área a ser restaurada) que contenham uma listagem de espécies para nortear o processo de escolha. Dependendo do histórico e das condições atuais da área, pode-se apenas induzir a regeneração natural, fazendo o controle de gramíneas exóticas invasoras para assegurar o crescimento.

Uma outra fonte sugerida para a consulta das espécies de ocorrência constatada para uma dada região, localidade ou município é a pesquisa na plataforma do SpeciesLink. Saiba mais aqui!

Sobre este assunto, publicamos um outro post muito interessante em nosso blog e que recomendamos a leitura. Veja a importância de se escolher corretamente as espécies em plantios compensatórios e os riscos que escolhas inadequadas podem acarretar na área através deste link.

Vale dizer que não é apenas se utilizando de MUDAS DE ESPÉCIES ARBÓREAS que podemos realizar um plantio direto. Dependendo das condições locais, podemos utilizar de: a) rebrota de tronco ou raízes, b) plântulas e c) semeadura direta.

3) Análise do solo

SoloSolo. Imagem: Sementes agrosalles

Os solos de regiões tropicais são naturalmente ácidos. Por isso, em muitas situações, correções devem ser feitas. Além disso, se o solo sofreu uma degradação muito intensa, é muito esperado que os horizontes superficiais, justamente aqueles que possuem a maior carga de nutrientes, foram perdidos através da lixiviação ou laterização. Assim, uma dica relevante é efetuar uma análise do solo, principalmente da sua constituição físico-química.

 

4) Métodos de plantios

plantas aadultinhas

Área sendo reflorestada. Imagem: SIGAMCETESB

 Abaixo, indicamos uma das maneiras mais utilizadas na organização das mudas no campo, visando a eficiência do plantio e a maior facilidade na manutenção depois de incluídas no campo.

 a- Plantio direto: Este método de plantio é feito em linhas, em que se alternam em linhas de diversidade e linhas de preenchimento. Na de preenchimento, planta-se espécies pioneiras e secundárias inicias, que possuem crescimento rápido. Com isso, o solo é rapidamente coberto, protegendo-o e propiciando sombreamento à linha de diversidade (Figura 1). Na linha de diversidade, plantam-se espécies secundárias tardias e umbrófilas, contribuindo ao aumenta da diversidade do plantio e buscando a atração da fauna associada e mais específica, tendo em vista que estas espécies “não-pioneiras” tendem a produzir frutos maiores.

platio em linhas

Figura 1 – Esquema ilustrativo do método de plantio direto através de linhas de preenchimento e de diversidade.

b- Adensamento induzido da regeneração: Indicado para situações em que há regeneração arbustivo-arbórea principalmente de espécies pioneiras de forma esparsa na área. Neste caso,  é indicado plantar espécies de crescimento lento (secundárias tardias) nos espaços vazios a fim de que possam se desenvolver juntamente com as pioneiras já instaladas na área.

c- Poleiros Artificiais: Recomendado para áreas abertas e com pouca vegetação, estes poleiros estimulam a dispersão alóctone através da atração da avifauna presente no entorno.

D- Transposição de solo e galharia: Recomendado para áreas com solo compactado. Esta técnica estimula a regeneração alóctone por trazer no substrato sementes e propágulos de espécies da região, além de fauna associada. Esta fauna pode auxiliar na descompactação do solo.

E- Semeadura direta: Usando sementes ao invés de mudas

5) Monitoramento: Controle de invasoras

invasoras

Controle de invasoras. Imagem: ICMBIO

 Espécies invasoras tendem a vencer a competição com nativas, interferindo na regeneração natural e no projeto de restauração. Em nosso blog, publicamos um texto falando exatamente sobre este assunto que é vital a todos que trabalham com conservação da biodiversidade. Saiba aqui os riscos de se utilizar espécies exóticas em plantios compensatórios e na conservação da biodiversidade.

Os órgãos ambientais principalmente no âmbito Estadual costumam divulgar legislações próprias que normatizam as ações de restauração, sugerindo metodologias, listas de espécies e procedimentos padrões. O Estado de São Paulo, por exemplo, está inovando ao publicar parâmetros de monitoramento oficiais para a avaliação de plantios compensatórios que podem ser mensuráveis diretamente no campo. Saiba mais nos Anexos da Res. SMA 32/2014 aqui!

Esta iniciativa do Estado de São Paulo representa os esforços da comunidade científica em oferecer aos profissionais da área ambiental maneiras apropriadas de se avaliar os projetos de plantio já realizados sob a ótica de se determinar sua situação atual e prever a sua auto-sustentação do ponto de vista florístico e estrutural no futuro. Este tipo de reflexão todos nós que trabalhamos na área devemos realizar para o nosso crescimento profissional e amadurecimento técnico na área. Você já parou para pensar nisso?

O portal eFlora, em sua área PREMIUM, oferece o Curso Intensivo e TOTALMENTE ON-LINE “Introdução à Restauração Ambiental”. O curso está dividido em 10 tópicos, possui carga horária de 6 horas-aula e oferece Certificado de participação ao final. Caso você tenha interesse em obter este conteúdo exclusivo, clique aqui!

Referências:

ICMBIO – www.icmbio.gov.br

Dorigan, G. Manual para recuperação da vegetação do Cerrado. Assis- SP: ICMBIO, 2011. 3 ed.26p

 

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