10 árvores incríveis da Mata Atlântica

10 árvores incríveis da Mata Atlântica

Pleroma sp

Você seria capaz de selecionar 10 árvores incríveis da Mata Atlântica?

Não é uma tarefa fácil, visto que este é um Bioma com uma gigantesca biodiversidade de plantas.

Porém, algumas delas realmente possuem peculiaridades que chamam muito a atenção e merecem destaque.

Algumas são muito raras e possuem uma madeira de alto valor, enquanto outras carregam florações exuberantes ou morfologia muito incomum.

Portanto, escolhemos 10 espécies que consideramos fazerem jus a esse destaque, justificando a posição da Mata Atlântica como um dos Biomas mais ricos do planeta.

Canela-imbuia (Ocotea porosa)

Nossa primeira árvore incrível da Mata Atlântica é a canela-imbuia

Ela é uma Lauraceae com cerca de 10 m de altura e que possui folhas cartáceas lanceoladas ou elipticas.

Suas inflorescências geram frutos redondos e marrons, muito atrativos para aves e mamíferos, que inclusive fazem a dispersão de suas sementes.

Encontrada principalmente na região sul do Brasil, uma de suas peculiaridades é a associação que possuem com a floresta de araucárias.

Nesses ambientes, podem ser encontradas de 6 a 20 canelas-imbuias por hectare.

Portanto, trata-se de uma espécie típica e abundante da Floresta Ombrófila Densa, outro nome das florestas de araucária.

Além disso, possivelmente também é a espécie de árvore mais longeva nessas formações, podendo ultrapassar 500 anos de idade.

Entretanto, por ser uma árvore de madeira nobre, foi vítima de extensa exploração para fabricação de móveis de luxo.

Tal pressão acabou levando a canela-imbuia para a lista de espécies ameaçadas de extinção.

árvore canela-imbuia
Canela-imbuia (Foto: Ness L. Barroso).

Chuva-de-ouro (Cassia ferruginea)

A chuva-de-ouro, também conhecida como canafístula, já não é uma planta tão rara.

Na verdade, é uma árvore bastante rústica, que pode atingir de 8 a 15 m de altura e tolera inclusive o ambiente urbano.

Porém, uma boa razão para ela ser frequentemente utilizada na arborização de cidades é sua belíssima floração.

A chuva-de-ouro não tem esse nome a toa.

Entre setembro e dezembro ela revela suas grandes inflorescências pendentes, compostas por flores bissexuadas amarelas que ocupam toda a sua copa.

Um espetáculo da natureza.

Em ambiente natural, ela pode ser encontrada em formações florestais do Cerrado e da Mata Atlântica.

Principalmente em vegetações em estágios mais iniciais de regeneração.

Outra de suas vantagens para o paisagismo é que ela possui crescimento rápido e mesmo suas folhagem, de folhas compostas parapinadas também é muito bonita.

Chuva-de-ouro, árvore da Mata Atlântica
Chuva-de-ouro (Foto: Flávio Brandão).

Jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra)

Embora também seja uma Fabaceae, diferente da espécie anterior, o jacarandá-da-bahia é uma árvore muito mais rara e escassa.

Inclusive ela é atualmente considerada ameaçada de extinção na categoria “vulnerável” em território nacional.

Portanto, seu destaque em nossa lista de árvores incríveis da Mata Atlântica deve-se, infelizmente, à sua atual raridade.

Sua madeira tem um valor econômico extremamente alto, muito bem cotada para construção civil, fabricação de móveis finos e instrumentos musicais.

Porém, devido à destruição de habitats e superexploração intensa, estima-se que 30% da população da espécie já tenha sido perdida.

Originalmente, ela ocorria na região da Bahia, Espirito Santo e Minas Gerais, principalmente em florestas secundárias.

A árvore adulta pode atingir 20 m de altura, possui folhas compostas pinadas, flores pequenas e esbranquiçadas e seus frutos são membranosos e indeiscentes.

Jacarandá-da-bahia (Foto: Mauricio Mercadante)

Araucária (Araucaria angustifolia)

A araucária ou pinheiro-do-paraná é uma das poucas árvores incríveis da Mata Atlântica em nossa lista que já recebe popularmente o merecido reconhecimento.

Ela pertence ao grupo das gimnospermas, plantas que possuem sementes mas não possuem frutos.

Inclusive essa é umas das características de maior destaque da araucária.

Sua semente é o famoso pinhão, comestível e saboroso, muito comercializado e apreciado tanto pela fauna nativa quanto por nós humanos.

A araucária também é a grande estrela de uma das formações vegetais típicas da Mata Atlântica do Sul e Sudeste do Brasil: a Floresta Ombrófila Mista.

Esse tipo de floresta caracteriza-se justamente pela presença de grande quantidade de araucárias adultas, que podem chegar a seus 50m de altura.

Além do tamanho frondoso, esse destaque deve-se também à sua estrutura peculiar.

Os ramos da araucária partem aos pares do tronco principal formando uma copa de disposição radial, na qual as folhas,  coriáceas e pontiagudas, ficam voltadas para cima conferindo um aspecto inconfundível.

Infelizmente, a araucária também já foi muito explorada comercialmente pela sua madeira, de maneira predatória, principalmente entre 1920 e 1960.

Estima-se que essa exploração, aliada ao grande índice de desmatamento, tenha provocado uma redução de pelo menos 80% na população de araucárias.

Por esse motivo, hoje ela é considerada uma espécie ameaçada de extinção na categoria “em perigo”.

Araucaria angustifolia
Araucárias (Foto: Daniel Perrella).

Caixeta (Tabebuia cassinoides)

A Caixeta é uma árvore que se desenvolve em matas alagáveis e florestas paludosas, em áreas de restinga da Mata Atlântica.

Endêmica do sudeste do Brasil, hoje ela é considerada uma espécie em perigo de extinção devido às várias ameaças que sofre.

Com essas peculiaridades, ela não poderia ficar de fora da nossa lista de árvores incríveis da Mata Atlântica.

Como sua distribuição é muito restrita e seu habitat bastante específico, suas populações sofrem bastante com a destruição das florestas litorâneas.

Sua especificidade é tão grande, que em algumas localidades a espécie chega a formar os chamados caixetais, onde a densidade da espécie chega a ultrapassar 50% das árvores.

A caixeta também já foi muito explorada de maneira predatória devido ao seu uso madeireiro.

Sua madeira leve é considerada a segunda melhor do mundo para a produção de lápis, utilizada ainda na confecção de instrumentos musicais e artesanatos.

A árvore, que pode chegar a 18 m de altura, coriáceas com glândulas, enquanto suas belas flores são brancas e cistosas.

flores
Flores de caixeta (Foto: Marcelo Brotto).

Andreadoxa flava

A peculiaridade desta árvore única esta em sua intrigante raridade.

Da mesma família da laranja (Rutaceae), ela não possui nem mesmo um nome comum.

Atualmente, se conhece apenas um único exemplar adulto dessa espécie, provavelmente centenário, crescendo em uma área de cultivo de cacau no Sul da Bahia.

A árvore, que hoje possui 8 m de altura, foi descoberta há cerca de 60 anos, mas só ganhou um nome científico 30 anos após sua descoberta.

Nunca foi encontrado outro exemplar dessa espécie desde então.

Acredita-se que ela seja endêmica da região e só tenha sobrevivido até hoje porque se desenvolveu entre pedras que dificultariam muito sua remoção.

Devido à sua raridade, mudas de A. flava foram produzidas para serem distribuídas entre agricultores da região.

O objetivo dessa ação é incentivar a formação de populações naturais da espécie e assim tentar salva-la.

Além disso, pesquisadores pretendem fazer análises de DNA dessas novas plantas para verificar se suas sementes foram geradas por autofecundação ou por fecundação cruzada.

Embora esta última alternativa seja remota, se for o caso, significa que podem existir outras delas espalhadas em algum lugar.

árvore rara da Mata Atlântica
Flores da Andreadoxa flava (Foto: Monique Bruxel/Instituto Floresta Viva)

Abiu-de-leite (Pradosia lactescens)

O Abiu-de-leite entra em nossa classificação de árvores incríveis da Mata Atlântica por ser uma espécie diferenciada dentro de sua própria Família.

Membro das Sapotaceae, mesmo grupo do sapoti (Manilkara zapota), trata-se de uma espécie que apresenta caulifloria, característica incomum nessa Família.

Isso significa que suas flores, pequenas, bixessuadas e que possuem coloração rosada ou arroxeada, se originam diretamente de seu tronco.

Plantas nativas famosas de outras Famílias que também possuem essa característica são o cacaueiro e a jabuticabeira.

Após a floração, que ocorre em dezembro, surgem os frutos, oblongos e amarelos, mas cujas cascas duras abrigam um arilo carnoso comestível e apreciado por muitos animais.

O abiu-de-leite possui ampla distribuição no Brasil, podendo ser encontrada em vários tipos de formações florestais.

Ela pode atingir de 8 a 12 m de altura, possui folhas simples alterno-espiraladas e com venação eucamptódroma.

árvore abiu-de-leite
Abiú-de-leite com frutos (Fonte: www.arvores.brasil.nom.br).

Araçá-piranga (Eugenia multicostata)

Esta é outra árvore da Mata Atlântica que se destaca mais por sua incrível beleza do que por sua raridade ao longo de sua ocorrência.

Embora seja uma espécie pouco frequente e de distribuição irregular, seu caule diferenciado, de casca lisa e alaranjada ou castanho-avermelhada, dificilmente passa despercebido.

Trata-se de uma coloração forte, quase brilhante, raramente encontrada no tronco de outras espécies.

Seus frutos também são bastante interessantes.

De formato elipsoide, vermelhos e de superfície costada, possuem polpa adocicada e comestível, muito apreciado por várias espécies de pássaros.

A árvore pode atingir de 10 a 30 m de altura, possui copa pequena e arredondada, formada por folhas simples, subcoriáceas e de formato obovado ou obovado-lanceolado.

árvore araçá-piranga
Tronco do araçá-piranga (Foto: Renato Lima).

Manacá-da-serra (Pleroma mutabile)

Ao contrário de algumas das árvores que já citamos da Mata Atlântica, o manacá-da-serra não é uma espécie rara ou ameaçada.

Na verdade, é uma planta comum e muito utilizada inclusive na arborização urbana, uma vez que tolera alta luminosidade e se adapta bem a jardins e praças.

Porém, o manacá-da-serra é endêmico da Mata Atlântica, podendo ser encontrado ao longo de florestas em diferentes estágios de regeneração.

Ele se destaca na paisagem por causa de suas belas flores, solitárias e bissexuadas, que em determinadas épocas do ano ressaltam sua copa no meio da vegetação.

As flores do manacá-da-serra são famosas por apresentarem três cores diferentes ao longo de seu desenvolvimento.

Inicialmente elas possuem coloração lilás e depois adquirem cor rósea, até que haja a atração dos insetos que fazem sua polinização, processo que faz com que se tornem flores brancas.

Dessa forma, na época de floração, é possível ver árvores com flores de três cores diferentes ao longo da vegetação.

Algo de encher os olhos nas paisagens da Mata Atlântica.

Pleroma sp
Manacás-da-serra em floração na mata (Foto: Daniel Perrella).

Pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii)

Por fim, temos o pinheiro-bravo, árvore de rara beleza.

Ela pode ser encontrada principalmente em florestas secundárias, sendo mais rara em matas em estágios mais avançados de regeneração.

Sua altura quando adulta varia entre 8 e 14 m, portanto definitivamente não está entre as espécies mais altas da Mata Atlântica.

Tal característica, aliada à grande espessura de seu tronco e às pequenas folhas coriáceas, simples e de ápice agudo acuminado, conferem-lhe a curiosa aparência de um “bonsai-gigante”.

Dessa forma, o pinheiro-bravo é considerada uma árvore nativa bastante ornamental, servindo muito bem ao paisagismo em geral.

Além disso, também pode ser bem empregada em projetos de reflorestamento de áreas degradadas.

Isso porque, além de ser uma espécie pioneira, produz grande quantidade de frutos apreciados pelas aves nativas.

Pinheiro-bravo
Pinheiro-bravo (Foto: A. A. Schneider).

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