Vitória régia: as maiores plantas aquáticas do mundo

Plantas aquáticas vitoria regia

Uma planta muito admirada pelos botânicos, índios e amantes da natureza é a Vitória régia (Victoria amazonica), da família das Nymphaeaceae, típica da região amazônica, considerada uma das maiores plantas aquáticas do mundo.

Características da Vitória régia

Possui em suas características folhas em formas circulares, com bordas bem visíveis, que boiam na superfície da água, podendo chegar a até 2,5 metros de diâmetro e aguentar até 40 quilos sem afundar.

Esta planta produz a maior flor das Américas, e pode ser encontrada no Brasil, Guianas e na Bolívia, na bacia do rio Amazonas, Pantanal e na bacia do Paraguai.

O amadurecimento do fruto da planta ocorre em média em seis semanas e suas sementes flutuam na água. Já no período de vazante, elas se fixam no solo e germinam uma nova planta.

Nas laterais, suas folhas possuem canais com duas fendas para escoar a água da chuva.

Os pecíolos espinhentos e flexíveis da Vitória-régia ligam as folhas ao grande rizoma da planta que continua submerso e enterrado no fundo da água.

Muitos, especialmente os índios, consideram a folha dessa planta medicinal (cicatrização e depuração), e também a utilizam bastante nos cabelos, com o objetivo de pintar e fortalecer os fios.

Além disso, é possível comer sua semente, que é rica em amido e ferro.

A Vitória régia floresce na época de verão na Amazônia (entre o mês de maio e julho), e tem a duração de apenas quarenta e oito horas.

Em seu primeiro dia de floração, ela produz lindas flores que geralmente são brancas mas também podem ser lilás, rosas, roxas e amarelas, e libera um perfume adocicado do abricó à noite.

O besouro (Cyclocefalo casteneaea) responsável pela polinização da Vitória régia entra na flor no primeiro dia, após o desabrochar, que acontece ao final de tarde, e termina prisioneiro até o próximo dia, já que a flor se fecha pela noite e faz com que ele não consiga sair até o dia seguinte.

Após ocorrer a polinização, a flor volta para dentro do lago para a geração do fruto, do tipo baga, que amadurece em 6 semanas.

O nome Vitória régia foi dado pelos ingleses em homenagem à rainha, quando o explorador alemão a serviço da coroa britânica Robert Hermann Schomburgk levou as sementes desta linda planta aquática para as águas dos jardins do palácio na Inglaterra.

Lenda sobre a Vitória régia

Há vários anos, nas margens do Rio Amazonas, se encontravam para cantar e sonhar com histórias de amor as jovens índias de uma tribo.

As índias gostavam de ficar horas e horas admirando a beleza da lua branca, e tentavam desvendar o mistério das estrelas pensando que um dia poderiam ser um daqueles lindos pontos brilhantes no céu.

Ao mesmo tempo em que o perfume da noite tropical tornava aqueles sonhos mais prazerosos, a lua refletia uma luminosidade intensa nas águas do rio, fazendo Naia, a índia mais jovem e mais sonhadora de todas, subir numa grande árvore para tentar tocar a lua.

Naia não conseguiu fazer o que gostaria. No dia seguinte, ela e suas amigas quiseram tentar outra vez.

Subiram as montanhas distantes para ver se conseguiam sentir com suas próprias mãos a maciez aveludada que imaginavam ter a lua, mas novamente falharam.

Quando finalmente conseguiram chegar lá, perceberam que a lua era tão alta que não conseguiriam alcançá-la.

Voltaram para a aldeia muito decepcionadas. As índias acreditavam que se pudessem tocar a lua, ou até mesmo as estrelas, elas se transformariam em uma delas.

Mas uma das índias não se contentou. Na noite seguinte, Naia deixou a aldeia sozinha com o objetivo de realizar seu sonho.

Foi pelo caminho do rio para conseguir encontrar a lua nas negras águas do rio Amazonas.

Lá, imensa, resplandescente, a lua descansava calmamente refletindo sua imagem na superfície da água.

Naia, em sua inocência, acreditou que o reflexo da lua na água, na verdade, era a lua querendo ser tocada.

Com isso, a jovem índia mergulhou nas profundezas das águas do rio, nunca mais sendo encontrada.

Diz a lenda amazônica que a lua, sentindo pena daquela jovem vida agora perdida, transformou Naia em uma flor gigante – a Vitória régia – com um inebriante perfume e pétalas que se abrem nas águas para receber em toda sua superfície, a luz da lua.

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Esta é a coluna oficial do eFlora Web, onde traremos periodicamente informações, dicas e conteúdos relacionados à área de Botânica, Biodiversidade e Meio Ambiente. O objetivo aqui é ser mais um canal direto com você, internauta. Sinta-se à vontade, este espaço é seu!

  • Rodrigo Polisel

    Obrigado pelo retorno Vitória! Abs!

  • Vitória Vasconcelos do Nascime

    Linda postagem. O destaque à lenda da planta me encantou.

  • eFlora Web

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  • eFlora Web

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