Utilizando o CAD no mapeamento da Vegetação

Utilizando o CAD no mapeamento da Vegetação

O CAD (do inglês: Computer Aided Design, ou traduzido: Desenho Auxiliado por Computador) é o uso de tecnologia para projetar e documentar projetos, substituindo o rascunho manual por um processo automatizado. Foi criado na década de 1950 originalmente para atender às demandas de setor de engenharia.

Durante décadas ele foi – e continua sendo – aperfeiçoado por diversas empresas, principalmente pela Autodesk®, a criadora do Autocad®

No final do século XX e início do século XXI a AUTODESK resolveu inovar para o segmento de engenharia aumentando o portfólio de produtos com a criação do Autocad Civil 3D® e o Autocad Map 3D®.

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Figura 1 – Logotipos das novas versões. Fonte: Autodesk.

Estes novos softwares são plug-ins do tradicional Autocad, possuindo ferramentas de informações geográficas baseadas em banco de dados geospaciais que interagem com as ferramentas para criação de projetos de loteamentos, saneamento básico, urbanização, terraplanagem, modelagem hidráulica, estradas, etc.

O Autocad Map 3D tem o objetivo de cartografar ou atribuir informações geospaciais aos vetores e imagens, sendo a solução para geoprocessamento da Autodesk. Ele possui interface direta com o Autocad Civil 3D pela aba da workspace Planejamento e Análises (Planning and Analisys). Com este plug-in, o Civil 3D passa a integrar os elementos a um banco de dados geospacial, o que transfere segurança e pertinência com o espaço real.

O Map e o Civil 3D não têm pretensão de substituir outros softwares mais robustos de SIG (Sistema de Informações Geográficas), pelo menos atualmente. Eles possuem suas especificidades e são importantes por causa da interoperacionalidade do SIG dentro do Autocad. Esta possibilidade de integração é o que faz desses programas da Autodesk serem inovadores, sendo referência em matéria de soluções para a indústria da construção civil e infraestrutura. Eles estão associados ao BIM (Building Information Modeling ou ”Building Information Model”), que significa Modelagem da Informação da Construção ou Modelo da Informação da Construção, representando um conjunto de informações geradas e mantidas durante todo o ciclo de vida de um empreendimento.

A união das robustas operações do Autocad – desenvolvido para a vetorização de linhas, pontos e polígonos –, com as robustas operações do SIG – que gera banco de dados com relações complexas –, dá ao operador/usuário do Map e do Civil 3D inúmeras possibilidades de trabalho e de soluções.

Note na Figura 2, abaixo, um mapa para a proposta de recuperação ecológica, realizado a partir do uso do Map 3D. Observe que a ortofoto, em segundo plano, serve de suporte  para a delimitação dos polígonos translúcidos, e associando a tabela de atributos, foram definidas as áreas de Restauração, Reabilitação e Redefinição, inspirado pelos estudos de RODRIGUES & GANDOLFI (2000).

 

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Figura 2 – Mapa de potencialidades para restauração, reabilitação e redefinição florestal. Fonte: Arquivo pessoal do autor do post.

Dentre os benefícios do uso do Map 3D em detrimento ao software ArcGis®, cita-se a facilidade de desenhar e editar linhas e polígonos, importar arquivos shapes (.shp) e rasters, topologias de redes, uso de imagens do banco de dados Bing® gratuitamente, importar dados de levantamentos de campo, exportar dados para outros formatos, criar curvas de nível e gerar um MDT (Modelo Digital de Terreno), associados a bancos de dados de diversos formatos, conferindo integração total com outros programas de geoprocessamento, como o próprio ArcGis.

É impossível afirmar que o mercado de trabalho está saturado de profissionais qualificados, ou mesmo que existe uma total escassez dos mesmos. No entanto, as oportunidades estão disponíveis para quem deseja investir nesse conhecimento. Para quem trabalha na área ambiental, estes softwares são importantíssimos para o mapeamento de unidades geoecológicas e necessárias a quem trabalha com diagnóstico de vegetação, análise das paisagens, planejamento territorial, manejo e cadastramento da vegetação arbórea.

Deixe o seu comentário abaixo para saber mais sobre esses softwares de mapeamento ou entre em contato comigo.

Referências Bibliográficas:

Rodrigues, R.R. & Gandolfi, S. 2000. Conceitos, tendências e ações para recuperação de Florestas Ciliares. In: Rodrigues, R.R. & Leitão-Filho, H.F. (eds.) Matas Ciliares: conservação e recuperação. 3. Ed. São Paulo: EDUSP, p.235-247.

Esta coluna é de responsabilidade de Wellington Santos Cinelli, geógrafo e assistente técnico em desenho do INEA ([email protected]). Wellington é colaborador do eFloraWeb.

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