Tudo o que você precisa saber sobre monitoramento de projetos de recuperação ambiental

Área ambiental

Bruno A. Aranha ([email protected]) e Rodrigo T. Polisel ([email protected])

Introdução:

O monitoramento de projetos de recuperação ambiental é fundamental para avaliar se os objetivos da atividade de restauração foram alcançados. Em suma, o objetivo “geral” é tornar a vegetação restaurada autossustentável, já os “específicos” são:

  1. a) recuperar a biodiversidade,
  2. b) restabelecer a cobertura vegetal,
  3. c) incrementar a biomassa da área,
  4. d) atrair exemplares da fauna,
  5. e) melhorar as condições hídricas de corpos d’água e
  6. f) controlar processos erosivos.

Obviamente, busca-se atingir todos estes objetivos. Assim, por meio do monitoramento são medidos indicadores específicos para as diferentes metas e analisados com base em dados mensuráveis para verificar se os objetivos foram atingidos.

Dessa forma, procedimentos de monitoramento de projetos de recuperação devem estabelecer quais são os indicadores a serem utilizados, como mensurá-los e quais são os valores de referência para saber se os objetivos propostos foram alcançados ou se estão a caminho de serem alcançados. O monitoramento tem, também, que fornecer pistas sobre quais ações de manejo ou intervenções devem ser executadas para que os objetivos sejam de fato atingidos.

Além do mais, o monitoramento deve ser fácil de ser executado em campo e analisado em escritório e, consequentemente, com baixo custo de implantação. Por fim, o monitoramento deve ser capaz de informar para aqueles que investiram na restauração, sejam eles proprietários particulares, empresas, ONGs ou governos.

Por isso que o estabelecimento de um protocolo de monitoramento eficaz e funcional é um dos maiores desafios da Restauração Ecológica (ciência que estuda a recuperação de áreas degradadas ou recuperação ambiental).

O desenvolvimento de um protocolo de monitoramento é alvo de muitos estudos. Um dos mais avançados é o desenvolvido para o Pacto de Restauração da Mata Atlântica – iniciativa que prevê a recuperação de aproximadamente 15 milhões de hectares de Mata Atlântica até 2050. O protocolo do Pacto é desenvolvido desde 2011 e em 2013 chegou à sua versão utilizada até o momento. Foram dois anos de testes e discussões com todas as muitas entidades envolvidas no Pacto e esse protocolo pode ser acessado aqui.

Há, também, um artigo (em inglês) muito interessante que faz uma análise critica dele, que pode ser acessado aqui.

No entanto, o protocolo do Pacto é somente um ponto de partida para a definição de protocolos de monitoramento que deem conta do tamanho do desafio da recuperação da vegetação nativa no território brasileiro. Estima-se que existam 21 milhões de hectares que necessitam ser recuperados no Brasil, e esse território todo está distribuído pelos Domínios Amazônico, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica.

Então, obviamente, um protocolo de monitoramento desenvolvido para a Mata Atlântica não é definitivo para atender a demanda de recuperação no Brasil todo; mas um ponto de partida para o desenvolvimento e até inspiração para o aperfeiçoamento de outros protocolos.

O Estado de São Paulo possui a sua versão de protocolo de monitoramento, que é uma versão reduzida do protocolo do Pacto e adaptada para fisionomias florestais (Floresta Ombrófila e Estacional), abertas ou campestres, como as do Domínio Cerrado, os campos de altitudes e as restingas não arbóreas; e valores de referência para essas formações vegetais. O protocolo de monitoramento de SP é bastante interessante e a sua aplicação é uma excelente oportunidade de trabalho para os profissionais da área ambiental, principalmente aqueles familiarizados com vegetação e botânica.

Aqui nós vamos analisar a execução desse protocolo, comentar a sua aplicação e fazer sugestões de como ele pode ser utilizado para coletar mais informações e enriquecer o relatório de monitoramento entregue aos responsáveis pelo projeto de recuperação.

Estudo de Caso: O protocolo de Monitoramento do Estado de São Paulo

– Parâmetros

O protocolo de São Paulo é voltado para se avaliar a existência de processos sucessionais na área restaurada, através da estimativa de dois parâmetros básicos: cobertura vegetal original e diversidade de espécies em regeneração natural. Assim, os seus indicadores são todos relacionados com a vegetação. São eles:

(1) a cobertura do solo com vegetação nativa;

(2) densidade de indivíduos nativos regenerantes; e

(3) número de espécies nativas regenerantes.

A recomendação é que o monitoramento se inicie depois de 3 anos de implantação do projeto, mas esse protocolo pode ser utilizado a qualquer momento após a implantação.

O primeiro indicador serve para medir o restabelecimento da cobertura original e os outros dois estão mais relacionados com o restabelecimento da biodiversidade. Contudo, nos casos de fisionomias não florestais (campos e restingas abertas) e manguezais o único indicador aplicado é o de cobertura do solo com vegetação nativa. Como o protocolo estabelece que os regenerantes nativos devam ser de espécies arbustivo-arbóreas, não faz sentido mensurá-los nas fisionomias campestres (sem arbustos e árvores baixas). No entanto, tem sentido medir a densidade e a riqueza (número de espécies) nos manguezais. Embora o número de espécies dessa fitofisionomia seja muito pequeno, ela é uma formação arbórea que depende da regeneração natural arbustivo-arbórea nativa para se autossustentar. Acreditamos que esse ponto do protocolo mereça uma revisão.

Todos esses indicadores são medidos em campo utilizando parcelas de área fixa. As parcelas podem ser permanentes ou não. Parcelas permanentes possibilitam uma melhor análise e acompanhamento da evolução dos indicadores e da recuperação, pois os parâmetros podem ser remedidos no mesmo local. Por outro lado, a instalação de parcelas a cada medição em locais diferentes permite capturar um maior número de situações no local em recuperação.

– Alocação das parcelas

A decisão se as parcelas serão permanentes ou não está a cargo do profissional responsável e deve ser tomada levando em consideração características como disponibilidade de material e acesso. Nós recomendamos fortemente que as parcelas de monitoramento sejam sempre permanentes.

O protocolo fornece instruções sobre o tamanho, a quantidade e como definir o local de instalação das parcelas. Elas devem ser retangulares com dimensões de 25 m x 4 metros (100 m²), e quando a recuperação for executada por meio de plantio ou semeadura em linhas, a disposição das parcelas deve ser sempre diagonal às linhas de plantio. Essa disposição evita que a parcela amostre poucas linhas de plantio e assim capture uma menor variedade de situações na área em recuperação.

O formato da parcela exigido é muito prático, porque a sua instalação em campo é fácil e rápida. Basta puxar uma linha de 25 metros (diagonal às linhas de plantio, quando for o caso) e com um gabarito de 2 metros de comprimento definir os limites de cada lado da linha central (Figuras 1 e 2). Dessa maneira, para a instalação e marcação da parcela são necessárias somente duas estacas para marcar as extremidades da linha central de 25 metros. E esse procedimento é muito, mas muito mais rápido mesmo, do que a marcação de uma estaca em cada vértice da parcela.

Figura 1 post 4
Figura 1. Linha central da parcela, com 25 metros de comprimento, utilizada para calcular a cobertura do solo por vegetação nativa.

Figura 2 post 4

Figura 2. Gabarito de 2 metros utilizado para definir os limites de largura de cada lado da linha central.

 

A área mínima de amostragem definida no protocolo é de 500 m² para projetos de recuperação de até 1 hectare, ou seja, no mínimo 5 parcelas. No caso do projeto ter área menor ou até igual a 500 m² o procedimento é fazer um censo da área, ou seja, medir a área completamente sem instalar nenhuma parcela. Nesse caso a decisão de onde será instalada a linha central, que é fundamental para a medição da cobertura (veja mais abaixo), deverá ser feita por sorteio para ser aleatória. Para áreas maiores do que 1 ha a regra é muito simples: é o número de hectares da área em recuperação mais 4 parcelas.

Assim, se a área tem 8 ha, a quantidade de parcelas que devem ser instaladas é 12 (8 + 4), e esse número é limitado a 50 parcelas por projeto. No entanto, dificilmente um projeto possui uma área exata, com números redondos. O mais comum é o projeto ter área com até duas casas decimais, p.e. 8,37 ha. Para esses casos nós sugerimos que a partir de meio hectare (0,5 ha) você arredonde para cima e conte mais uma parcela para o total. Por exemplo, um projeto com 8,51 ha terá que ser monitorado por meio de 13 parcelas (9 + 4). Lembrem-se, para amostragem quanto mais área melhor.

E esse arredondamento também facilita o cálculo do número de parcelas quando a área do projeto não for contínua, mas sim formado por diferentes áreas separadas. Nesses casos o protocolo manda somar as áreas separadas para definir o número total de parcelas, e depois distribuir a quantidade de parcelas pelas áreas proporcionalmente ao tamanho da área. Mas, esse procedimento só dá certo quando você adota o critério de arredondar as áreas para cima. Pessoal, parece complicado, no entanto o procedimento é muito simples e fácil de aplicar!

Para encerrar o tema parcelas e amostragem vamos discutir agora a definição dos locais de instalação da parcela. De acordo com o protocolo esses locais devem ser definidos aleatoriamente, por meio de um sorteio. Isso pode ser realizado facilmente por meio de um software de Sistema de Informações Geográficas (SIG). O software sorteará o número de pontos que corresponderá ao número de parcelas que você precisa instalar e, em campo, basta localizar a coordenada geográfica do ponto sorteado e instalar a parcela.

Há uma maneira, no entanto, de fazer esse sorteio sem precisar utilizar um software de SIG. Você vai precisar de uma imagem aérea da área do projeto impressa, um smartphone e duas réguas. Primeiro, com a imagem aérea e as réguas defina dois eixos cartesianos de modo que toda a área em recuperação esteja contida nesse plano, por exemplo, a recuperação está contida em um plano que o eixo X tem 5 cm e o eixo Y 10 cm. Dessa maneira, o nosso plano cartesiano vira um sistema de coordenadas, no qual X varia de 0 a 5 cm e Y de 0 a 10 cm. Em seguida utilizando o smartphone ou qualquer outro aparelho (um computador com o Excel – função ALEATÓRIO – ou uma calculadora científica) sorteie números aleatórios que variem a 0,00 a 1,00. Você vai sortear um número para cada eixo e depois multiplicar cada número pelo valor máximo do seu eixo. Por exemplo, você sorteou o número 0,85 para o eixo X e o número 0,44 para o eixo Y, logo as coordenadas do seu primeiro ponto serão 4,25 cm (5 x 0,85) e 4,40 cm (10 x 0,44).

Na sequência você encontra esse ponto na imagem e marque ele. Repita esse procedimento sorteando novos números até completar todos os pontos referentes ao número de parcelas que você precisa instalar em campo. Apenas certifique-se que todos os pontos caíram dentro dos limites da área em recuperação, caso o ponto caia fora, repita a operação até encontrar um ponto que esteja inserido na área do projeto. Por fim, usando o Google Earth você encontra facilmente as coordenadas geográficas dos pontos sorteados para, com o GPS, localizá-las em campo e instalar as suas parcelas aleatoriamente, conforme orienta o protocolo de monitoramento do Estado de São Paulo.

– Mensuração dos indicadores

Após a definição de onde serão locadas as parcelas e da sua instalação em campo, está na hora de mensurar os indicadores. A nossa sugestão é que o primeiro a ser medido seja a cobertura da vegetação nativa. A cobertura é medida pelo método denominado intersecção em linha, método bastante consagrado e utilizado em levantamentos da vegetação desde 1940, sendo a linha central de 25 metros a utilizada para verificar a intersecção. O protocolo explica muito bem como essa medição deve ser executada e calculada, mas ficam algumas dúvidas.

Para fisionomias florestais somente as copas de indivíduos arbustivo-arbóreos nativos devem ser computadas no cálculo de cobertura. Porém, não há nenhuma definição de limite de tamanho que nos informa quando podemos considerar que um indivíduo possui uma copa. No protocolo, o único limite definido é o para considerar o indivíduo como regenerante – todos os indivíduos de espécies nativas a partir de 50 cm de altura até Circunferência a Altura do Peito (CAP) menor do que 15 cm. Ou seja, uma plântula de 30 cm de altura não é um regenerante, mas uma arvoreta de mais de 3 metros de altura só que com CAP menor do que 15 cm é.

Assim, podemos interpretar que os indivíduos que possuem copas são aqueles que são maiores do que os regenerantes, ou seja, aqueles que possuem CAP maior do que 15 cm. Contudo, como nesse caso estamos trabalhando com fisionomias florestais e qualquer cobertura do solo interessa para, principalmente, vencer a competição com gramíneas exóticas, é interessante considerar que todos os indivíduos nativos a partir de 50 cm de altura que interceptaram a linha, mesmo que essa interceptação seja de somente 10 cm (copa incipiente), sejam considerados para o calculo de cobertura do solo.

Já para as fisionomias abertas ou campestres a cobertura do solo é feita por qualquer tipo de vegetação nativa, seja ela herbácea ou arbustivo-arbórea. Nesse caso a única restrição é a cobertura por espécies exóticas, que não deve ser mensurada. Porém, em muitos casos, por mais que o objetivo do projeto de recuperação seja de restabelecer uma vegetação com fisionomia florestal, ainda há alguns elementos nativos herbáceos que compõe a área e que competem com espécies exóticas e que assim contribuem com a cobertura nativa do solo (Figura 3).unnamed

Figura 3. Espécie herbácea nativa que contribui com a cobertura do solo interceptada para linha centra durante o procedimento de avaliação da cobertura do solo por vegetação nativa.

Principalmente nos primeiros anos de desenvolvimento da vegetação em recuperação. Não seria o caso de também registrar o quanto de cobertura do solo nativa herbácea existe na área em comparação com a cobertura herbácea por espécies exóticas? De acordo o protocolo, para fisionomias florestais esse registro não é obrigatório. A nossa sugestão é que essa informação seja registrada.

Abaixo, segue dica taxonômica para diferenciar gramíneas nativas e exóticas:

Nativas – Possuem sua base achatada e na maioria das espécies são cespitosas.

Exóticas – Não possuem base achatada e a forma de crescimento é, na maior parte das vezes, reptante.

Na sequencia à medição da cobertura, sugerimos fazer a medição da densidade e riqueza de regenerantes arbustivo-arbóreos nativos concomitantemente. Mais uma vez o protocolo é bastante didático na explicação de como esses indicadores devem ser medidos e calculados. O que queremos chamar atenção aqui é que mudas ou indivíduos germinados de sementes plantadas não são considerados regenerantes naturais. Embora o protocolo não seja claro nesse ponto, o objetivo do monitoramento é constatar se a vegetação recuperada é autossuficiente ou está a caminho dessa autossuficiência. E isso é constatado observando a densidade, a riqueza e a composição das espécies da regeneração natural e comparando com valores de referência.

O desafio é conseguir distinguir quem é quem – quem é proveniente da regeneração natural e quem foi introduzido por meio de plantio. Se o plantio foi feito em linha e está em seus estágios iniciais, essa distinção fica mais fácil. Entretanto, quando o plantio não estiver em linha e a área apresentar muita regeneração natural, a dificuldade aumenta.

Em casos que fica difícil distinguir quem é regenerante natural e quem é introduzido, o melhor procedimento é contar todos os indivíduos que se enquadram nos critérios de regenerantes juntos. Agora, quando for possível distinguir, você deve contar separadamente quem é introduzido (a partir de agora chamados apenas de muda para simplificar) e quem é regenerante natural. Sempre anotando o numero de morfo-espécies encontradas. A sugestão é a coleta de cada exemplar de morfo-espécie para posterior identificação (recomendável).

O protocolo não estabelece que a densidade ou riqueza de mudas sejam medidas. No entanto, essas informações são cruciais para saber mais sobre o estado do projeto e são de especial interesse para os responsáveis pela recuperação, principalmente nos anos iniciais. Essas são medições adicionais que servem para enriquecer o relatório de monitoramento.

Junto com a densidade de mudas devemos contar o número de mudas mortas e o número de falhas no plantio. É claro que quando o plantio foi feito em linha essa tarefa fica mais fácil, mas é possível fazer essa contagem em outros tipos de plantio. Além da contagem de mortas ou falhas é relevante registrar informações sobre a fitossanidade das mudas, como mudas com brotação na base (Figura 4) ou com indícios de deficiência nutricional (folhas com outras cores além do verde – com exceção das espécies da família Euphorbiaceae; Figura 5).

 

Figura 4 post 4

 

Figura 4. Indivíduo com brotação na base.

Figura 5 post 4Figura 5. Indivíduo com folhas com sintomas de deficiência nutricional.

Esses números podem ser compilados em indivíduos por hectare, reunindo a densidade de mudas mortas ou falhas, densidade de mudas com brotação na base ou com deficiência nutricional. E também em termos relativos (%). Para tanto, basta dividir o número encontrado por hectare pelo número de mudas plantadas por hectare. No tradicional plantio com espaçamento 3m x 2 m esse número é de 1.667 mudas. Assim, se encontramos 200 mudas mortas ou falhas por hectare temos uma porcentagem de mortalidade de 12% (200/1667 x 100). Com essas informações os responsáveis técnicos do projeto poderão tomar decisões sobre quais ações de manejo devem ser executadas para reduzir a mortalidade e estimular a cobertura do solo.

Identificar ou não os indivíduos regenerantes? Eis a questão!

Para o calculo da riqueza da regeneração natural e também da cobertura do solo, o protocolo não pede a identificação das espécies, mas supõe que o profissional saiba qual espécie é nativa e qual é exótica. Para saber distinguir uma espécie nativa de uma exótica é necessário conhecimento em identificação de espécies, não precisa ser um expert, mas noções básicas e experiência de campo são pré-requisitos para essa distinção. Dessa maneira, é muito difícil desenvolver um protocolo de monitoramento de projetos de recuperação baseado na avaliação da vegetação no qual não seja exigido nenhum conhecimento de botânica para a sua aplicação.

A ideia por trás de não exigir a identificação das espécies nativas é justamente facilitar a aplicação do protocolo por profissionais sem experiência em botânica. No entanto, o risco que as espécies exóticas proporcionam para a recuperação da vegetação nativa (veja mais sobre esses riscos nesses links aqui e aqui) impede que a identificação das espécies seja completamente ignorada nos monitoramentos de projetos em que a recuperação da biodiversidade é um objetivo central. Então, já que a necessidade de experiência em identificação é inevitável, a sugestão é que todas as espécies sejam identificadas: mudas, regenerantes e também os indivíduos de maior porte que contribuem para a cobertura do solo.

As informações trazidas pelas espécies identificadas são muito valiosas quando o objetivo é fazer uma vegetação tornar-se autossuficiente e recuperar a biodiversidade. Com elas é possível avaliar se a regeneração natural é composta por espécies mais tardias na sucessão ecológica ou pioneiras. Com isso podemos avaliar se a vegetação está caminhando para a autossuficiência. Também é possível avaliar quais espécies entre as mudas estão com o melhor desempenho na área em recuperação e quais não estão se desenvolvendo muito bem. E assim podemos informar quais são as espécies mais adequadas para substituir as que morreram.

Como é muito comum introduzir espécies exóticas como se fossem nativas em projetos de recuperação, considerando que essa prática deva ser totalmente evitada e para muitos casos isso é proibido, a identificação das espécies das mudas é o meio de se verificar se esse erro não está ocorrendo no projeto monitorado. A identificação das espécies no monitoramento não pode ser negligenciada, pois é esse o instrumento que vai trazer o maior número de informações sobre a biodiversidade e, certamente, o profissional que for capaz de levantar e analisar essas informações estará produzindo um produto de extraordinária qualidade técnica.

Por isso, nós sugerimos sempre a identificação das espécies levantadas nos relatórios de monitoramento.

 Considerações finais

O protocolo de monitoramento do Estado de São Paulo é muito bem construído, mas como qualquer procedimento sempre pode ser melhorado. Aqui nós analisamos e explicamos detalhadamente alguns pontos que não ficam claros quando se lê o protocolo. Sugerimos melhorias e, também, mais análises para enriquecer o relatório de monitoramento.

Esperamos que com esse artigo vocês possam ser capazes de realizar um trabalho de excelente qualidade, conquistar mais clientes e, principalmente, ajudar de fato que projetos de recuperação atinjam os seus objetivos que é o de recuperar a vegetação nativa. O portal eFlora possui uma série de artigos, vídeos e cursos que podem ajuda-lo a melhorar as suas qualidades profissionais e conseguir mais oportunidades de trabalho na área ambiental. Aproveite para conhecer alguns dos cursos disponíveis, entre eles o curso O Segredo da Identificação de Plantas, que possui uma Chave de Identificação excelente e super aplicada ao dia-a-dia de trabalho no Campo.

Infelizmente, não temos conhecimento de como são os protocolos de monitoramento em outros Estados. Se vocês conhecem outros protocolos de monitoramento ou se possuem críticas e sugestões para esse artigo não deixem de deixar um comentário abaixo!

Até a próxima!

 

 

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