Quanto custa a Restauração Ecológica no Brasil?

Restauração Ecológica - Restauração Ambiental

Hoje o assunto é Restauração Ecológica e começo com uma pergunta básica aos “restauradores” de plantão:

Quais os critérios que você utiliza na hora de escolher qual o melhor método de restauração ecológica?

Em primeiro lugar, eu gravei este vídeo abaixo falando sobre os custos da Restauração Ecológica no Brasil. O vídeo é curto, vale a pena assistir:

Aproveite para se inscrever em meu canal e receber avisos de novos vídeos: https://youtu.be/PHdpZSIz4qI

Nos cursos que ministro, essa dúvida sempre surge por parte dos consultores que oferecem esse tipo de serviço.

Após a promulgação da nova lei que regula a Restauração Ecológica do Estado de São Paulo, a Res. SMA 32/2014, a adoção de técnicas alternativas para a recuperação de áreas degradadas passaram a ser aceitas no Estado de São Paulo e isso tem aumentado a pressão para que órgãos correlatos mas de outros Estados façam o mesmo.

Essa lei foi o resultado de uma série de discussões entre especialistas na área e analistas de órgãos públicos sobre os mais eficazes métodos de restauração ecológica. Pesquisas acadêmicas no final do século passado e início deste têm mostrado que as chances de sucesso na restauração ecológica passam obrigatoriamente pelo restabelecimento dos processos ecológicos nas áreas degradadas.

Exemplos de processos ecológicos:

– Dispersão de sementes,

– Polinização,

– Recrutamento (incentivo à restauração ecológica) e entre outros.

Inclusive, nesse blog, já escrevi sobre a busca pelo sucesso nos plantios de restauração e organizei 5 dicas básicas com vistas a atingir esse objetivo.

O momento é tão oportuno que acabo de lançar um curso online intensivo sobre o assunto com bônus exclusivos e certificado.

No passado, pensava-se que plantar o maior número possível de espécies, incluindo nativas, nativas não-regionais e até mesmo exóticas, era o suficiente para criar um pool próprio de espécies que fosse capaz de sustentar a estrutura do plantio a ser gerado. Nessa época, o diagnóstico ambiental para planejamento da restauração ecológica não recebia a devida atenção.

Procedimentos como este se mostraram desastrosos quando os primeiros monitoramentos ou fiscalizações mais acuradas foram realizadas.

Um exemplo disso é o relato da pesquisadora Giselda Durigan do IF num estudo de caso realizado por ela na Floresta Estadual de Assis.

Ao invés de restaurar, o profissional pode estar na verdade efetuando uma substituição ecológica. Ou seja, contribuindo para modificar a condição original do remanescente. Ex.: Substituindo um Cerrado senso stricto por uma Floresta Semidecídua.

O grande paradigma hoje em dia da restauração está exatamente em como baratear todo esse processo sem diminuir as chances de sucesso da ação restauratória, assim como dar a devida importância ao Diagnóstico Ambiental do local a ser restaurado.

Um diagnóstico bem feito é capaz de oferecer o “remédio” mais indicado para o local degradado e está aqui o meu objetivo no post de hoje.

Escrever sobre formas de baratear a recuperação de áreas degradadas, diminuindo o número de mudas a serem plantadas ou até mesmo a adoção de práticas que não necessitam da inclusão de mudas, desde que o seu diagnóstico ambiental seja bem conduzido.

Saiba como fazer um diagnóstico para definir a técnica de restauração aqui.

Só para que você tenha uma ideia, o IPEA realizou uma pesquisa sobre o custo da recuperação de áreas degradadas no Brasil.

Os dados são de autoria dos seguintes profissionais: Ana Paula Moreira da Silva, Felipe Eduardo Brandão Lenti, Rubens Benini e Jului Tymus e foram apresentados no VI Congresso Brasileiro de Reflorestamento Ambiental em 2016.

Sistematizei essas informações na figura abaixo e não tenho dúvidas que ela pode ser uma ótima referência na hora de você planejar os custos do PRAD que estiver elaborando.

Tabela Plantio Restauração Ambiental

Figura 1: Custos para restauração ecológica de 1 hectare em cada um dos domínios fitogeográficos do Brasil através de três grupos de metodologias de restauração (plantio total, regeneração passiva e semeadura). Fonte: Silva et al. 2016 (Apresentação de Congresso).

Para chegar a esses cálculos, os autores desmembraram o custo em duas categorias: o de insumo e o da mão de obra. Já para estimar o valor para cada técnica, os autores elaboraram uma matriz com 29 atividades a serem desempenhadas na ação restauratória que vai desde o aceiramento e controle de formigas até transposição de feno e desbaste das mudas.

Compartilhei essa apresentação realizada pelos autores aos(as) alunos(as) do Curso Introdução à Restauração Ecológica a fim de ajuda-los na elaboração dos custos do Projeto de Restauração de Áreas Degradadas, o PRAD.

Na Figura 1, são apresentadas as três principais categorias de técnicas de restauração ecológica.

As mesmas são descritas a seguir:

– Plantio direto

Trata-se da técnica mais intensiva e que requer o maior número de atividades a serem desempenhadas (Foto 1) e, por isso, representa o de maior custo. Envolve o plantio de mudas em toda a área do local no caso do diagnóstico ambiental apontar baixa resiliência.

Restauração EcológicaRestauração AmbientalRegeneraçãoRestauração Ecológica Ambiental

Fotos: Plantio total realizado no município de Guarulhos pelo autor do post.

O plantio retratado acima foi realizado por mim em 2006.

Tive a curiosidade de saber como está hoje e pela minha surpresa, após 12 anos, já se pode observar uma mancha florestal nova no município de Guarulhos!

A figura 2 delimita o plantio que realizei na época com base em foto aérea datada de 05/04/2018 obtida no programa Google Earth. Na figura 3, um Street View da estrutura desse plantio.

Área Restaurada

Figura 2: Delimitação da área restaurada em Guarulhos através de plantio total.

foto restauração

Figura 3: Foto retirada do Google Earth (modalidade Street View) para ilustrar a estrutura do plantio direto realizado em Guarulhos em 2006.

A partir da análise é possível afirmar seguramente que após mais de 10 anos, o trecho reflorestado está em processo satisfatório de restauração, tendo em vista que a cobertura de copas é elevada.

Por se tratar de uma área urbana, é esperado o baixo potencial de regeneração no local, por isso a escolha pelo plantio direto. Saiba mais sobre Monitoramento de Áreas Restauradas nesse post.

Esse assunto também é abordado no meu curso intensivo sobre Restauração Ecológica de uma forma muito mais abrangente e você pode ter acesso imediato a todas as videoaulas aqui.

– Regeneração passiva

Numa condição em que o diagnóstico ambiental apontar elevada resiliência, técnicas passivas devem ser indicadas.

Nesse caso, o objetivo é conduzir/estimular a regeneração natural e apenas isolar a área dos fatores de degradação incidentes na área a ser restaurada.

Uma das técnicas que tem sido muito utilizada nessa empreitada é a Nucleação!

Exemplos de técnicas de nucleação:

Transposição de solo e galharia: Implantar a camada superficial do solo (incluindo serapilheira) de trechos de remanescentes em áreas a serem restauradas,

Instalação de poleiros artificiais: Implantação de bambus galhados e introduzir trepadeiras para estimular o pousio de espécies da avifauna dispersora e

Plantio de espécies-chave zoocóricas que atraem vários grupos faunísticos: Plantio espaçado de espécies de rápido crescimento e que produzem frutinhos pequenos muito apreciados por várias espécies de pássaros [Ex.: Pera glabrata (tobocuva) e Trema micrantha (pau-pólvora) – Amplamente distribuídas na Mata Atlântica].

– Semeadura

Trata-se de uma técnica intermediária entre o plantio direto e a regeneração passiva, no que se refere aos custos.

A maior parte dos insumos se trata ao uso de sementes de espécies florestais nativas.

Os custos com mão de obra serão elevados, já que exigirá o manejo de controle, principalmente, de formigas e braquiárias para que as plântulas em desenvolvimento consigam cumprir a fase do recrutamento.

No diagnóstico ambiental, áreas com moderado potencial de resiliência podem se servir dessas técnicas e, assim, baratear a restauração.

Considerações finais

Nesse post, procurei relacionar o custo da restauração com as principais técnicas existentes para a Recuperação de Áreas Degradadas.

Não há uma “receita de bolo”, infelizmente!

Cada caso é um caso e, por isso, você deve ter visto que a escolha da técnica depende de forma direta do diagnóstico ambiental a ser realizado antes de qualquer coisa.

Se você fizer um diagnóstico ambiental bem feito, a técnica de restauração saltará aos olhos e, assim, você terá as condições para tomar a melhor decisão e apresentar o mais adequado Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas coerente com a real situação do local.

 

Dentre vários outros materiais que ofereço aos alunos do meu Curso Intensivo sobre Restauração Ecológica, um deles é uma chave de tomada de decisão que ofereço a você, meu leitor assíduo, de forma gratuita. Baixe essa chave gratuitamente aqui!

Esse material apresenta os principais fatores de degradação a serem diagnosticados e os principais atributos para avaliar o potencial de regeneração natural (resiliência) de uma área degradada.

Esses aspectos são abordados por mim de forma muito abrangente no meu curso.

Inscreva-se agora e evolua sobre o assunto, oferecendo estudos de melhor qualidade no mercado de trabalho.

Obrigado e até a próxima!

Rodrigo Trassi Polisel (E-mail: [email protected])

Share

Esta é a coluna oficial do eFlora Web, onde traremos periodicamente informações, dicas e conteúdos relacionados à área de Botânica, Biodiversidade e Meio Ambiente.O objetivo aqui é ser mais um canal direto com você, internauta. Sinta-se à vontade, este espaço é seu!