Professor Responsável pelo grupo Herpetofauna do Curso de Fauna e Flora da Brasil Bioma mostra como a modelagem preditiva pode auxiliar na conservação de anfíbios

Professor Responsável pelo grupo Herpetofauna do Curso de Fauna e Flora da Brasil Bioma mostra como a modelagem preditiva pode auxiliar na conservação de anfíbios

Por Marina Kizys

No início de abril, o professor responsável pela herpetofauna do nosso curso de “Ferramentas para diagnóstico de fauna e flora voltados para o licenciamento ambiental e manejo de áreas naturais”, o herpetólogo Ms. João Gabriel Ribeiro Ribeiro Giovanelli (Figura 1), publicou um texto na Unesp Ciência sobre os anfíbios do Estado de São Paulo.

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Figura 1. João Gabriel Ribeiro Ribeiro Giovanelli. Fonte: Arquivo pessoal.

As inscrições para o curso de levantamento de fauna e flora para diagnóstico e manejo de áreas naturais já estão abertas !Será uma ótima oportunidade para interagir com pesquisadores de diferentes áreas e conhecer um sítio de pesquisa no meio da Mata Atlântica.

É uma oportunidade única de estar ao lado do João e aprender sobre a herpetofauna! Abaixo apresentarei um pouco o trabalho incrível que ele vem desenvolvendo.

Recentemente, o João também ofereceu uma entrevista à TV UNESP sobre a importância dos anfíbios para o equilíbrio do ecossistema, modelagem matemática e planejamento ambiental. Para assistir e conhecer a sua história, clique aqui.

Atualmente, os anfíbios são considerados os mais ameaçados por conta do uso e ocupação do solo de maneira desordenada. Por conta disso, o estudo deste grupo tão importante para o equilíbrio ambiental faz-se necessário para se conhecer a sua riqueza e diversidade. Pouco ainda se sabe sobre a sua riqueza na Mata Atlântica, um dos hotspots de biodiversidade mundial.

Em sua tese de doutoramento, João busca desenvolver ferramentas de modelagem de riqueza de anfíbios, facilitando trabalhos de diagnóstico ambiental, de caracterização da fauna e no planejamento de Unidades de Conservação. Conhecendo a distribuição da sua comunidade, poder-se-á oferecer subsídios para processos de tomada de decisões. E mais, poderá ajudar na conservação de espécies prioritárias.

Estudo recente apontou que o Estado de São Paulo, alvo do estudo do João, contribui com cerca de 27% da riqueza total de espécies de anfíbios do país (Rossa-Feres et al., 2011). Mas cuidado! Isso pode refletir uma maior concentração de estudos e de centros de pesquisa e não necessariamente a realidade.

Como a modelagem de distribuição geográfica pode ajudar? Associando-se matematicamente a presença de uma dada espécie a determinadas variáveis ambientais, podemos buscar padrões de distribuição.

João e seu orientador, Prof. Dr. Célio F. B. Haddad (IB-UNESP), partiram de 250 espécies descritas de anuros (sapos, rãs e pererecas) e Gymnophiona (cecílias ou cobras-cegas) agrupando-as de acordo com características semelhantes de ocupação do hábitat e local de reprodução. Correlacionaram então estes dados com o mapeamento de uso e ocupação do solo e cobertura vegetal do Estado de São Paulo, obtendo grupos de espécies generalistas e de distribuição restrita.

Um exemplo apresentado é o do sapinho-pitanga (Brachycephalus pitanga) e sua área de ocorrência predita exclusivamente para o alto da Serra do Mar paulista (Figura 2).

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Figura 2. Mapa de ocorrência potencial do sapinho-pitanga (Brachycephalus pitanga) no alto da Serra do Mar paulista. Fonte: João G. R. Giovanelli.

Os mapas gerados através de seu estudo permitiram e permitirão predizer áreas amplas e até mesmo pequenos fragmentos de até 0,1 hectare! Isso auxiliará na replicação de metodologias propostas na academia em projetos de tomadas de decisão para conservação da biodiversidade e planejamento territorial, mesmo na escala de municípios! É um grande ganho para a preservação deste grupo!

Outro dado apresentado no texto é a modelagem do potencial de invasão de Eleutherodactylus johnstonei, espécie nativa das Antilhas (Figura 3). O estudo apontou que esta espécie de sonorização estridente, tem alto potencial de invasão no Estado podendo ser usando na elaboração de estratégias de contenção e manejo.

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Figura 3. Eleutherodactylus johnstonei. Fonte: Wikispecies.

Para saber acesse: https://anfibiosnomapa.wordpress.com/

 João G. R. Giovanelli é ecólogo formado pela Unesp Rio Claro (2005) e mestre em Ciências Biológicas – Zoologia (2009) pela mesma instituição. Foi consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD e da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit – GIZ em projetos de criação de Unidades de Conservação e atual lista brasileira dos anfíbios ameaçados de extinção. Especialista em ecologia e história natural, modelagem de nicho ecológico e biologia da conservação com ênfase em répteis e anfíbios. E-mail: <[email protected]>.

Este conteúdo é de responsabilidade de Marina Kizys, bióloga pela USP e doutora em ciências pela UNIFESP. Contato: [email protected]

Referências:

ROSSA-FERES, D.; SAWAYA, R.; FAIVOVICH, J.; GIOVANELLI, J. G. R.; BRASILEIRO, C. A.; SCHIESARI, L.; ALEXANDRINO, J. M. B.; HADDAD, C. F. B. Anfíbios do estado de São Paulo, Brasil: conhecimento atual e perspectivas. Biota Neotropica, v. 11, 2011.

 

Sites consultados:

Reportagem UNESP Ciência: <http://www.unespciencia.com.br/2017/04/eco-84/> (último acesso em 13/04/17)

Entrevista concedida à TV UNESP: <http://www.tv.unesp.br/edicao/1528> (último acesso em 13/04/17)

Inventário Florestal do Estado de São Paulo: <http://www.iflorestal.sp.gov.br/sifesp/publicacoes.html> (último acesso em 13/04/17)

Projeto Biota-FAPESP: <http://www.biota-fapesp.net/estado.html> (último acesso em 13/04/17)

Para saber acesse: https://anfibiosnomapa.wordpress.com/

 

 

 

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