A busca pelo sucesso em plantios compensatórios

A busca pelo sucesso em plantios compensatórios

Aqui no eFloraWeb, nós já apontamos a importância da restauração para o restabelecimento e manutenção dos serviços ambientais, sobre como deve ser executado o monitoramento de projetos, dos riscos e malefícios da invasão biológica e do cuidado na escolha das espécies que devem ser plantadas em projetos de recuperação ambiental.

Neste artigo, falaremos mais um pouco sobre invasões biológicas e sua relação com a introdução de espécies inadequadas para a região em que foram plantadas.

Destacaremos, também, a grande responsabilidade que o profissional da área ambiental possui durante a escolha das espécies que vai plantar e da existência de conhecimento disponível para não cometer o erro de plantar a muda “errada” no lugar “errado”.

plantios compensatórios

Partimos do princípio que você já conhece os perigos da invasão biológica para a manutenção da biodiversidade, então não nos estenderemos sobre as questões elementares.

Relembramos, apenas, que a invasão biológica é muito nociva para a biodiversidade e é apontada como um dos principais riscos à conservação biológica.

Assim, um profissional que será responsável pela introdução de espécies para fins de restauração ou paisagismo precisa conhecer bem o comportamento de todas as espécies que pretende introduzir e a vulnerabilidade dos ecossistemas do entorno para espécies exóticas.

Ou seja, precisa saber se dentre as espécies que se irá plantar existe alguma que tem um grande potencial invasor e se o entorno é uma área natural degradada, pois áreas naturais degradadas são mais vulneráveis à invasão.

O risco de invasão é maior quando se utilizam espécies exóticas, aquelas não naturais do território ou dos ecossistemas do Brasil, com alto grau invasor.

Dessa maneira, muitas normas regulamentadoras da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (LPVN, Lei Federal nº 12.651 de 2012), sobretudo Estaduais, proíbem o plantio de espécies exóticas em projetos de recuperação ambiental quanto o objetivo é restaurar a biodiversidade.

Como quase sempre projetos de recuperação ambiental têm o objetivo de restaurar a biodiversidade, consequentemente o plantio de espécies exóticas é praticamente proibido.

No entanto, existe também o risco das chamadas espécies nativas não regionais que são aquelas naturais do território brasileiro só que de ocorrência em outras regiões, mas que possuem um comportamento invasor em determinadas áreas.

Infelizmente, para esse caso, não há nenhuma legislação que impede o uso dessas espécies.

Dessa maneira, para não cometer erros na escolha das espécies que você vai introduzir em uma área a solução é conhecer o comportamento das espécies e também a sua ocorrência natural.

E isso, literalmente, não é uma tarefa fácil.

invasão biológica restauraçãoO desconhecimento da nossa biodiversidade ainda é muito grande, então conseguir informações sobre as espécies nativas requer muita pesquisa em literaturas esparsas e experiência de campo.

A falta de conhecimento sobre as espécies nativas já provocou alguns erros que levaram a problemas de invasão biológica.

Gostamos de citar o caso dos Pinus plantados na Serra do Mar em Caraguatatuba, uma cidade no Litoral Norte do Estado de São Paulo.

Nos anos de 1960, houve um deslizamento catastrófico na encosta da Serra do Mar que soterrou muita gente em Caraguatatuba.

Após esse deslizamento, a encosta ficou completamente pelada, sem vegetação nenhuma.

E para evitar novos deslizamentos, o governo do Estado de São Paulo recorreu ao que tinham disponível na época – muitas mudas de Pinus (a grande maioria dos indivíduos plantados foi da espécie P. elliottii Engelm. – originária da América do Norte).

O Pinus plantado se estabeleceu e segurou a encosta, no entanto, agora essa região da Serra do Mar tem um sério problema com a invasão dessa espécie na vegetação nativa.

As espécies exóticas invasoras são reconhecidas pelo seu rápido crescimento em áreas degradadas.

A pergunta agora é: será que na época não havia o conhecimento e produção de nenhuma espécie nativa que tivesse características parecidas?

Aparentemente não.

No entanto, os tempos atuais são outros.

Os riscos e perigos da invasão biológica já são considerados nas normas legais e houve muito avanço no conhecimento e manejo das espécies nativas.

Espécies nativas estão até ganhando espaço no mercado paisagístico, que era um território exclusivo das espécies exóticas.

Portanto, não há mais como se livrar da responsabilidade de escolher muito bem as espécies que serão introduzidas em uma região.

O Brasil passa por um momento muito interessante para o mercado de restauração.

Embora ainda haja muita controvérsia jurídica sobre a LPNV, essa lei obriga a recuperação de aproximadamente 21 milhões de hectares de vegetação nativa, dos quais o governo federal se comprometeu internacionalmente com a meta de recuperar 12 milhões até 2030.

Isso é uma excelente oportunidade para os profissionais ambientais e também um tremendo desafio.

Para aproveitar o momento, o correto é buscar capacitação e conscientização da responsabilidade que o profissional tem ao buscar recuperar processos ecológicos e a biodiversidade local em seus plantios de restauração.

E uma dessas responsabilidades é sempre evitar plantar a muda “errada” e buscar a muda “certa” para a área que se deseja recuperar.

Nós estamos unidos para oferecer um novo serviço a Viveiristas e profissionais da área ambiental que trabalham com restauração.

Foi pensando nisso que a Brasil Bioma e a Geonoma Florestal se juntaram nessa luta e lançaram o programa de certificação Muda Certa!

Trata-se de uma assessoria especializada em Identificação de Mudas para viveiros, com o envio de informações detalhadas de cada espécie produzida pelo viveiro e em dúvida quanto à identificação.

Identificaremos as mudas e forneceremos, ainda, as seguintes informações:

– Origem (nativa ou exótica),
– Ocorrência Geográfica (domínio fitogeográfico e tipo de vegetação predominante),
– Síndrome de dispersão,
– Grupo funcional,
– Usos,
– Classificação quanto à extinção,
– Recomendações e Limitações de uso.

Além da identificação, a depender do plano escolhido, o Viveirista poderá contar com o apoio da nossa equipe na escolha das espécies a comporem os lotes de mudas a serem encaminhadas aos seus clientes.

Com o nosso apoio, o Viveirista terá plena segurança de que as espécies que ele está enviando ocorrem na área onde as mesmas serão plantadas.

Todos os Viveiristas receberão um Selo do Programa “Muda Certa” que poderá ser mantido em local visível de sua propriedade ou divulgado em suas mídias sociais e site.

Manteremos, ainda, aqui no eFloraWeb uma lista atualizada dos Viveiros participantes do programa e uma divulgação permanente de suas atividades. Você terá uma lista das instituições que aderiram ao programa e carregam consigo valores conservacionistas.

Se você é Viveirista e deseja receber o eBook “Aumente suas vendas produzindo mudas de espécies nativas” e muito mais conteúdo GRATUITO a quem está no mercado de produção de mudas, clique aqui e acesse grátis!

Agora, se você é profissional da área ambiental e atua na elaboração de projetos de restauração, acesse agora mesmo gratuitamente a aula sobre Diagnóstico Ambiental que fará toda a diferença na formulação do seu próximo projeto, clique aqui e saiba mais!

Saiba mais sobre o programa Muda Certa através de nosso website.

Até a próxima!

 

Bruno A. Aranha ([email protected]) e Rodrigo T. Polisel ([email protected])

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Esta é a coluna oficial do eFlora Web, onde traremos periodicamente informações, dicas e conteúdos relacionados à área de Botânica, Biodiversidade e Meio Ambiente. O objetivo aqui é ser mais um canal direto com você, internauta. Sinta-se à vontade, este espaço é seu!