Afinal, plantas trepadeiras são parasitas ou não?

Plantas trepadeiras

Hoje, vou escrever um pouco sobre as plantas trepadeiras e esclarecer a dúvida que muitos possuem sobre se essas plantas são parasitas ou não.

Trata-se de um hábito de vida muito importante e que ocupa posição de destaque em praticamente todos os tipos de vegetação do planeta, principalmente na faixa tropical.

Primeiro: o que caracteriza uma trepadeira?

O que a Unha de gato (Foto 1), o Cipó-de-São-João (Foto 2) e a Escada-de-Macaco (Foto 3) possuem em comum?

unha de gato

Foto 1: Ficus pumila (unha-de-gato) em muro na cidade de São Paulo, SP (Fonte: Mercado Livre).

 

cipó-de-são-joão

Foto 2: Ramo de Pyrostegia venusta (cipó-de-são-joão) com a presença de gavinhas na base de folhas (Fonte: Florais Aura Luz).

 

escada-de-macaco

Foto 3: Bauhinia sp. (escada-de-macaco) no interior de floresta tropical (Fonte: YouTube).

Todas essas espécies são trepadeiras.

Elas germinam no solo e crescem sem a capacidade de se sustentarem.

Assim, elas necessitam de um forófito (“planta hospedeira”) para se apoiarem e ascenderem verticalmente.

Essa ascensão pode se dar através de gavinhas, como as que podem ser observadas na Foto 2.

Trata-se, principalmente, de folhas modificadas em “ganchos” com a função de agarrar o ramo da planta hospedeira.

Essa estrutura é encontrada em Bignoniaceae e Passifloraceae, por exemplo.

A ascensão também pode acontecer quando as trepadeiras se enrolam em suas hospedeiras.

Trata-se das plantas volúveis (Foto 4), muito comum nas Convolvulaceae.

Um último tipo de estratégia de escalada se dá quando a trepadeira usa o seu próprio peso para se apoiar sob ramos e galhos e, assim, se desenvolver e ascender.

Nesse caso, as plantas recebem os nomes de trepadeiras escandentes (Foto 5) e é muito típico das Fabaceae trepadeiras.

Fabaceae

Foto 4: Fabaceae volúvel se desenvolvendo sob hospedeiro (Fonte: Aprendendo com Ciências).

 

jacarandá-cipó

Foto 5: Ramo de Dalbergia frutescens (jacarandá-cipó) que usa o seu peso para se apoiar sobre forófitos (Fonte: Flora SBS).

O uso do termo “planta hospedeira” pode nos conduzir à ideia de que as trepadeiras são parasitas. De que elas sugam água, sais ou até mesmo a seiva elaborada das árvores em que se hospedam.

No entanto, as trepadeiras não são parasitas!

Elas efetuam fotossíntese, absorvem a água do solo e conduzem até as folhas pelo seu próprio sistema vascular.

Plantas como a Erva-de-Passarinho (Foto 6) e o Cipó-Chumbo (Foto 7) são costumeiramente confundidas como trepadeiras.

No entanto, são parasitas!

No caso da primeira, uma hemiparasita, já que ela suga apenas a seiva bruta da árvore hospedeira (água e sais).

No caso da segunda, trata-se de uma holoparasita, pois suga não só a seiva bruta, mas também a seiva elaborada (carboidratos e hormônios vegetais).

As parasitas, sim, podem levar a planta hospedeira à morte dependendo do seu grau de infestação.

Elas possuem raízes modificadas em haustórios, que são estruturas que fixam e penetram no hospedeiro, sendo capaz de absorver substâncias.

erva-de-passarinho

Foto 6: Tronco de indivíduo arbóreo com raízes de Struthanthus sp. (erva-de-passarinho) em franco desenvolvimento. Os ramos e raízes que aparecem são da própria hemiparasita (Fonte: Engeplus).

 

aroeira-pimenteira

Foto 7: Ramos arbóreos de Schinus terebinthifolius (aroeira-pimenteira) com a presença de Cuscuta racemosa (cipó-chumbo) em franco desenvolvimento.

Não confunda também as trepadeiras com as plantas epífitas.

As epífitas, como as bromélias e orquídeas, germinam, crescem e se reproduzem sem suas raízes atingirem o solo!

As trepadeiras lenhosas são conhecidas como LIANAS e, popularmente, também são denominadas “cipós”.

Já as trepadeiras herbáceas são conhecidas como VINHAS.

Essa terminologia é importante e deve ser bem compreendida, principalmente a quem atua na área ambiental.

Acontece que, em alguns casos, as trepadeiras podem se desenvolver de forma descontrolada e acabar tomando quase ou todo o espaço do dossel florestal, dificultando a regeneração de espécies arbustivo-arbóreas e o próprio desenvolvimento das árvores que lhe servem de apoio.

Isso acontece, geralmente, em ambientes desequilibrados e fragmentados sob forte efeito da borda.

Eu discuto muito as causas que levam ao desequilíbrio ecológico em ambientes fragmentados devido à ação de trepadeiras “hiperabundantes” em meu curso online “Ecologia, Distribuição e Identificação de Trepadeiras no Brasil”.

Essa é uma das grandes questões da Ecologia Florestal do momento!

As florestas estão cada vez mais fragmentadas e, portanto, desequilibradas.

A abundância e biomassa de trepadeiras têm aumentado e isso tem causado mudanças profundas na estrutura florestal como um todo.

No entanto, devido a características intrínsecas das trepadeiras, muitas espécies produzem frutos principalmente no inverno, na época em que muitas espécies arbóreas estão em repouso fisiológico.

O que pode representar uma das únicas fontes de alimento para muitas espécies de aves e mamíferos na estação desfavorável.

Portanto, o que fazer?!

Como estudar as trepadeiras?!

Como manejar?!

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Bom estudo e até breve!

Rodrigo Trassi Polisel (E-mail: [email protected])

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