Plantas Exóticas e Nativas – Invasão Biológica

Árvores exóticas

Você já deve ter ouvido falar que determinadas espécies de plantas podem ser consideradas plantas exóticas ou nativas.

E, certamente, sabe que isso tem haver com a origem e com a distribuição geográfica natural da espécie.

Também já deve ter lido, ouvido ou mesmo discutido sobre a polêmica entre o que é melhor: usar uma planta nativa ou uma planta exótica em diversas situações, tais como: reflorestamentos, paisagismo, arborização urbana, entre outras.

Nesse post irei apresentar e discutir um pouco sobre os motivos do por quê de tanta polêmica.

Consequências da introdução de plantas exóticas

A introdução de espécies exóticas, intencional ou não, tem como uma das maiores consequências a invasão biológica, que de acordo com a Convenção para a Diversidade Biológica (CDB) é uma das maiores causadoras da perda de biodiversidade nos ecossistemas de todo o mundo.

Espécies “estranhas” a um ecossistema depois de introduzidas se desenvolvem e reproduzem-se aumentando suas populações de tal maneira que começam a tomar o espaço das espécies naturais do local.

Em outras palavras, durante uma invasão biológica as espécies de plantas exóticas tomam o lugar das espécies nativas degradando o ecossistema e levando até à extinção local de inúmeras espécies naturais do local.

Esse problema é muito sério e invasões por espécies de plantas exóticas podem ser encontradas em quase todas as áreas naturais remanescentes no Brasil, sejam elas protegidas ou não.

Estudos mostram que a invasão biológica é a 2ª principal causa da perda de biodiversidade em ecossistemas naturais.

Veja o esquema abaixo para entender melhor como funciona esse processo de invasão por espécies exóticas.

Plantas exóticas

Figura 1 – Fluxograma do processo de invasão biológica em ecossistemas naturais.

A invasão biológica pode ser intencional ou não, mas sempre tem origem em atividades antrópicas.

Algumas espécies de plantas foram introduzidas no Brasil para uso comercial e com o tempo começaram a se reproduzir e se dispersar para ecossistemas naturais, invadindo-os.

Outras espécies pegam “carona” com espécies introduzidas e acabam se tornando invasoras também.

As espécies de plantas exóticas introduzidas são utilizadas para produção de madeira, como os Pinus spp., produção agropecuária como a Urochloa decumbens (Stapf) R.D.Webster (braquiária) e a Coffea arabica L. (café), fins paisagísticos como a Tecoma stans (L.) Juss. ex Kunth (ipê-de-jardim) e até para a recuperação de áreas degradadas como a Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit (leucena).

Dessa maneira, uma das características das invasões biológicas é que elas ocorrem quando uma grande quantidade de uma determinada espécie de planta exótica é inserida maciçamente, ou seja, em um curto período de tempo, em local fora de sua região de origem.

Em termos didáticos, espécies nativas são, assim, pegas de “surpresa” com novas competidoras e acabam levando a pior.

Essa característica da invasão biológica de ocorrer com a introdução em curto prazo de uma grande quantidade de indivíduos exóticos derruba o argumento de que não existem espécies exóticas nem nativas, pois não existem fronteiras para as plantas.

Explico.

Teoricamente as espécies de plantas que crescem e se desenvolvem fora dos seus ecossistemas de origem poderiam alcançar esses ecossistemas naturalmente e causar um efeito semelhante ao da invasão biológica desencadeada por atividades humanas.

Um exemplo é o gênero Pinus, do qual algumas espécies são grandes invasoras na Mata Atlântica.

Algumas pessoas que relevam o problema das exóticas argumentam que espécies desse gênero, que possui grande diversidade nas regiões temperadas, já haviam alcançado a região do Caribe e, provavelmente, alcançariam também a Mata Atlântica.

Contudo, as plantas possuem dispersão limitada e para alcançarem novos ecossistemas levam milhares de anos e chegam com um número reduzido de indivíduos.

Isso propicia mudanças evolutivas tanto nas recém-chegadas (exóticas) como nas já presentes (nativas), o que faz com que as espécies nativas possam estar preparadas para competir com as novas concorrentes (Fotos abaixo).

Espécies de plantas exóticas

Invasão biológica plantas exóticas

Fotos 1 e 2 – Ilustram a presença do Pinus elliottii invadindo diferentes áreas naturais do domínio Mata Atlântica no Estado de São Paulo (Município de Campos do Jordão).

Consequentemente, espécies exóticas não são “aquelas que ainda não chegaram” a um determinado ecossistema, mas sim espécies que foram introduzidas artificialmente em um novo ecossistema.

Dessa forma, espécies exclusivas da Restinga podem ser exóticas no Cerrado, espécies exclusivas da Floresta Ombrófila Densa podem ser exóticas na Floresta Estacional como é o caso do Schizolobium parahyba (Vell.) Blake (guapuruvú), e assim por diante.

Mesmo espécies com ocorrência natural muito próxima, na região de um Estado, por exemplo, podem ser classificadas como exóticas e ter um alto potencial invasor numa outra região quando introduzida.

Ou seja, uma espécie nativa do território brasileiro pode se tornar invasora quando inserida em outra região onde ela não ocorre naturalmente.

Muitos profissionais classificam estas espécies quando inseridas fora de sua ocorrência regional como “nativas não regionais”.

Mas todas as espécies exóticas são invasoras?

Não, nem todas.

Muitas espécies de plantas exóticas são introduzidas em grande quantidade e não apresentam comportamento invasor, um exemplo clássico é do eucalipto (Eucalyptus spp.).

No Brasil, o eucalipto, que é originário da Austrália, cresce e se desenvolve muito bem, mas não se dispersa naturalmente e, assim, fica restrito a área em que foi introduzido (contudo, na África o eucalipto é um invasor seríssimo!).

Muitas espécies exóticas são de sobremaneira mais úteis, conhecidas e comercialmente mais aceitas do que equivalentes nativas.

Isso é bem observado no paisagismo.

Eu não estou aqui defendendo que não se utilizem espécies exóticas, longe disso!

O que eu alerto é sobre os riscos da introdução de espécies estranhas a um determinado ecossistema.

Como nem todas as espécies exóticas possuem potencial invasor, mas muitas sim, a recomendação para o uso e o manejo de espécies exóticas deve ser sempre feita com muita cautela e responsabilidade.

Primeiramente, deve-se reconhecer se determinada espécie de planta ocorre naturalmente na região e tipo de ecossistema, ou, no caso, fitofisionomia que se pretende plantá-la e posteriormente verificar se ela não apresenta comportamento invasor.

As informações sobre o comportamento invasor pode ser obtida em diversos locais, no entanto eu sugiro iniciar as buscas no Instituto Hórus.

Aqui no eFloraWeb vamos falar mais sobre o assunto para que vocês possam sempre ter informações úteis para executar o seu trabalho com responsabilidade.

O manejo para o controle e erradicação de espécies exóticas invasoras é muito caro e o seu efeito sobre a nossa já ameaçada flora nativa é muito danoso.

Portanto, quanto mais informações sobre as consequências da utilização de espécies exóticas melhor!

Comente abaixo e vamos discutir o assunto.

 

Coluna sob responsabilidade de Bruno Almozara Aranha (baaranha@gmail.com). Engenheiro Florestal, Doutor em Biologia Vegetal, consultor ambiental desde 2007. Foi analista de recursos ambientais na Fundação Florestal, atuando com manejo e gestão de Unidades de Conservação.

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