O PAISAGISMO E A DIVERSIDADE BIOLÓGICA

O PAISAGISMO E A DIVERSIDADE BIOLÓGICA

 

Estudos recentes, segundo publicação da Fapesp de março/2017, indicam que o Brasil possui a maior riqueza vegetal do mundo. Das 40.989 espécies brasileiras, 43% são endêmicas, ou seja, só ocorrem no Brasil. E, por incrível que pareça, ainda há inúmeras espécies a serem descritas. São espécies que ainda não conhecemos, não sabemos que existem, mas estão aqui, pertinho de nós.

Esta notícia não é uma novidade, pois nosso país conta, ao longo de seu extenso território de 8.515.767,049 km², com diferentes Domínios de Vegetação, cada um deles com seus Biomas característicos e muito variados. Toda esta diversidade ambiental fatalmente favorece a diversidade vegetal. Biodiversidade gera biodiversidade. Portanto, o Brasil também se destaca pelo incrível número de espécies de diversos outros grupos de organismos que, da mesma forma e juntamente com ela, evoluíram e adaptaram-se ao meio ambiente local. É uma rede de relacionamentos onde todos são interdependentes. Cada nicho ecológico caprichosamente ocupado por determinada espécie.

No entanto, infelizmente, a nossa cultura não prioriza a conservação ambiental. Não nos damos conta dos imensos benefícios que esta riqueza ambiental nos proporciona nas mais variadas formas. Além de alimentos e medicamentos, são fonte de matéria prima para materiais dos quais fazemos uso no nosso dia a dia. Isto sem mencionar os serviços ambientais prestados. São as plantas que purificam e umidificam o ar, regulam os regimes de chuvas e possibilitam a permeabilidade do solo para que as águas das chuvas atinjam os lençóis freáticos, fixam carbono, abrigam e alimentam a fauna… A lista de serviços ecossistêmicos é enorme.

conservaçãoEssa diversidade toda é preciosa e contém tesouros ainda a serem descobertos. Nela está contida solução para muitos de nossos problemas atuais e futuros. Cada ser vivo possui uma constituição genética própria e este é um tesouro que não convém desperdiçar. Cada gene perdido no processo de extinção se vai para sempre, e deve ser lamentado pela ciência e por todos nós.

Nós, brasileiros, somos depositários de uma fantástica biodiversidade e temos o dever de preservá-la. Mas não é isto que temos feito. Segundo o Centro Nacional de Conservação da Flora, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, das espécies vegetais conhecidas que ocorrem no Brasil, pelo menos 2.953 estão hoje ameaçadas de extinção. Isto sem mencionar as incontáveis que já foram extintas. Muitas que sequer chegamos a conhecer.

E quais são as maiores causas de extinção de espécies? A perda de habitat, que ocorre pela ocupação humana, e a introdução de espécies exóticas. Estas, sendo trazidas de outros locais, adaptam-se às condições do solo e do clima e passam a concorrer com espécies nativas ocupando seus nichos e levando-as à extinção. E quando uma espécie desaparece de um ecossistema, causa todo um abalo na cadeia, também levando à extinção outras espécies que da primeira dependiam.

Esta competição é silenciosa, mas real.

Muitas das plantas que hoje invadem nossas florestas foram trazidas ao Brasil por sua beleza e são produzidas e comercializadas para o paisagismo. Essas plantas, além de belas, são rústicas, o faz com que sejam escolhidas por leigos ou até mesmo por paisagistas, que, desavisados, não se dão conta da dimensão do problema.

images (1)Um Projeto Paisagístico responsável deve levar em conta a possibilidade da invasão biológica e fazer do jardim um aliado do meio ambiente.

Eu trabalho com Paisagismo Sustentável e, periodicamente, irei publicar textos aqui no blog eFloraWeb com algumas de minhas práticas e experiências para tornar os Jardins Urbanos mais biodiversos e conectados com o meio natural. Caso você se interesse pelo assunto, deixe o seu comentário abaixo ou entre em contato comigo.

Bel Harris – Bióloga Paisagista. Colunista voluntária do eFloraWeb (E-mail: [email protected])

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