O erro mais comum no Cadastramento Arbóreo

O erro mais comum no Cadastramento Arbóreo

Hoje, abordaremos um assunto importante para quem trabalha com Cadastramento Arbóreo e demais atividades que envolvem o cálculo do volume lenhoso!

Esse post é obrigatório para todo profissional que trabalha com consultoria ambiental, principalmente em estudos de flora.

Quem nunca trabalhou cadastrando os indivíduos arbóreos de um terreno ou de um fragmento florestal, registrando-os através de plaquetas de numeração (Foto 1)?

Myrtaceae

Foto 1: Indivíduo arbóreo de uma espécie de Myrtaceae com uma plaqueta numérica de identificação.

Pensando nisso, eu convidei o meu sócio Bruno Aranha, proprietário da Geonoma Florestal, para falar sobre um erro muito usual e que muitos(as) técnicos(as) já certamente cometeram.

Espero que apreciem o novo conteúdo do Blog! Compartilhem o post da semana do eFloraWeb!

Rodrigo Polisel ([email protected])

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Qual é o erro mais comum no Cadastramento Arbóreo?

Me formei engenheiro florestal, e como tal, estudei em uma escola de agricultura, na ESALQ/USP.

E lá eu aprendi que DAP, medida tão usada na engenharia florestal, não podia ser chamada de “DAP”, ou seja, falando como se escreve; deveria ser chamada de D.A.P, falando letra por letra.

Porque DAP (lendo a palavra e não a sigla) já possuía um significado: fosfato diamônio (DAP), que é um adubo.

Quando eu fui fazer pós-graduação, realizei em um instituto de biologia (UNICAMP), uma das primeiras coisas que eu ensinei aos meus colegas biólogos é que diâmetro à altura do peito (DAP) se fala D.A.P e não DAP.

Eu adorava “encher o saco” dos meus amigos biólogos com essas besteiras!

Brincadeiras à parte DAP é uma medida dendrométrica ou variável biológica muito comum e importante para quem trabalha com cadastramento arbóreo ou inventário florestal.

Junto com o DAP temos também o CAP ou o PAP (Foto 2).

O CAP significa circunferência à altura do peito, e como praticamente nenhuma árvore é um cilindro perfeito temos o perímetro à altura do peito (PAP).

Estudos de inventário florestal

Foto 2: Profissional medindo o CAP em estudos de inventário florestal (Fonte: Biota Fapesp).

Tanto o CAP como o PAP são medidas utilizadas para calcular o DAP, pois CAP ou PAP dividido por π (pi) é igual ao DAP.

Com o DAP é possível estimar descritores de alto significado biológico como a área basal e o volume dos indivíduos arbóreos.

Essas medidas são todas calculadas com as relações geométricas da circunferência e do cilindro, respectivamente.

Para o cálculo do volume, utiliza-se geralmente um fator de correção.

Ou seja, calcula-se a partir da fórmula convencional do cilindro multiplicado por 0,7 (fator de correção). Afinal de contas, uma árvore não representa um cilindro perfeito, a sua forma está mais assemelhada a de um cone (mais larga na base e mais estreita no ápice).

No entanto, eu tenho visto repetidas vezes um erro na hora de trabalhar os dados de DAP.

Esse erro acontece sempre quando são medidos indivíduos arbóreos com mais de um fuste e temos que representar isso em uma planilha.

O jeito mais usual é representarmos os vários DAPs de um indivíduo com o símbolo de “+” como separador.

Então um indivíduo que tem 4 fustes de DAP 15, 20, 18 e 19 seria representado assim em uma tabela: 15+20+18+19.

O problema é que essa representação induz ao erro de somar os DAPs.

E essa soma está ERRADA, ela não tem nenhum significado biológico! Não se deve somar os DAPs.

O correto é somar as áreas basais!

Quando você soma os DAPs você está somando diâmetros, ou seja, você está somando retas.

Se você transformar a soma dos diâmetros em uma circunferência você estará superestimando a área basal do indivíduo e, consequentemente, o seu volume.

Isso por que a relação entre diâmetro e a área da circunferência não é linear.

Observe a figura 1 abaixo que ilustra muito bem essa questão!

Estudos de Cadastramento arbóreo

Figura 1: O problema de superestimar o DAP ao se somar dois fustes em estudos de Cadastramento arbóreo.

Ou seja, quando calculamos a área basal por meio da soma direta dos DAPs obtemos uma área que pode chegar a quatro vezes mais do que a área verdadeira.

Quando calculamos o volume de madeira esse erro é repassado e o volume de madeira pode chegar a uma diferença de 400% do real (Figura 2)!

Calcular a área basal de indivíduos arbóreos

Figura 2. Representação gráfica da forma correta e da forma errada da se calcular a área basal de indivíduos arbóreos com mais de um fuste por meio da medida do DAP.

Quando você deseja saber o volume de madeira disponível num terreno para a comercialização, se você praticar esse erro, você está informando para o seu cliente que ele tem um ativo maior do que ele possui na realidade!

Ao fazer um cadastramento para a supressão você está informando para o seu cliente que ele tem que contratar um serviço de supressão quatro vezes maior do que o necessário!

Das duas maneiras o seu serviço leva prejuízo para quem te contratou. Creio que não é o que um bom profissional deseja, não é?

É importante deixar claro que em estudos de cadastramento arbóreo, o cálculo do volume lenhoso é obrigatório.

Em estudos de inventário florestal, idem!

O órgão ambiental necessita saber dessa informação, inclusive para emitir o DOF (Documento de Origem Florestal).

Além disso, a partir dessas informações, será estimado o local de destino do volume lenhoso a ser suprimido.

Portanto, o procedimento correto é sempre calcular a área basal para cada fuste, ou seja, para cada DAP medido, e depois somarmos a área basal.

Assim, quando formos representar muitos DAP medidos em uma tabela de indivíduos cadastrados ou inventariados nós devemos apresentar somente uma coluna com a área basal de cada indivíduo.

Não existe a coluna “∑DAP”, pois esse número não tem nenhum sentido da mesma maneira que não tem nenhum sentido discutir como se fala DAP, se D.A.P. ou DAP!

Esse assunto é abordado no curso Elaboração de Laudo de Vegetação, que o Rodrigo Polisel oferece como curso avulso no Portal eFlora!

Você pode obter acesso vitalício através deste link.

O conteúdo também está presente no Portal eFlora como um dos cursos online disponíveis para quem prefere assinar a plataforma e aproveitar este e os outros tantos conteúdos já disponíveis.

Recomendo bastante!

Inclusive, há uma palestra minha na plataforma sobre o Cerrado, a vegetação que eu mais gosto!

Agradeço por sua atenção até aqui e deixo abaixo o meu e-mail para o caso de querer entrar em contato comigo.

Até mais,

Bruno Aranha ([email protected])

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