6 dicas para planejar o levantamento de dados em campo na consultoria ou em seu projeto de pesquisa

Laudo de Vegetação Planejamento

Neste artigo preparei 6 dicas fundamentais a quem deseja planejar o levantamento de dados em campo, seja na consultoria ambiental ou em seu projeto de pesquisa.

Uma das etapas mais importantes de um estudo em consultoria ambiental ou de um projeto de pesquisa na área ambiental é o levantamento de dados primários.

Os dados primários são aqueles que coletamos diretamente no campo.

As dicas a seguir são muito importantes para você não se perder na hora de organizar, planejar e executar o seu levantamento.

Não se esqueça de deixar um comentário ao final do post e me dizer o que achou desse conteúdo, ok?

Planejando o levantamento de dados em campo

1°) Planeje a logística (deslocamento, acomodação, alimentação…)

Parece trivial, mas sinto que muitos acabam por não dar a devida importância em aspecto muito importante que é o planejamento logístico.

Antes de partirmos para o campo, é necessário um estudo minucioso do melhor trajeto a realizar para chegarmos ao nosso destino (área de estudo).

Se você é daqueles que acha que o Waze irá resolver a sua vida sempre, cuidado!

Fora de cidades, por exemplo, o aplicativo Waze não costuma oferecer as melhores rotas.

Muitas vezes ele sugere a você rotas que aparentam ser mais próximas, porém em ambientes rurais representam trajetos com piores condições!

Uma estrada de terra, por exemplo.

É óbvio que nesses trechos o tráfego será melhor!

Um exemplo disso foi quando saímos de Belo Horizonte para gravarmos conteúdos de nossos cursos na região de Ouro Preto.

Como não vimos o trajeto antes, o primeiro que apareceu na tela do celular foi via Nova Lima.

Demoramos 2h53m (Figura 1), enquanto que o trajeto convencional via BR 040 deu 1h43m (Figura 2).

Ou seja, se tivéssemos efetuado uma simples busca prévia claramente iríamos perceber que nossa escolha não teria sido a mais correta.

O tempo prolongado se deu pois a partir de Nova Lima tivemos 35 km de estrada de terra, junto à Serra do Itabirito.

A vista compensou (Foto 1), mas a logística não foi a acertada caso nosso tempo fosse justo.

Imagine se você tivesse apenas um dia para fazer a vistoria de campo na área e tivesse atrasado duas horas para chegar até ela?

Isso poderia atrapalhar totalmente o seu planejamento!

Laudo de Vegetação Planejamento

Foto 1: Trecho de cerrado rupestre na região da Serra do Itabirito com predomínio de Vellozia sp. (canela de ema).

Portanto, utilize o Google Earth previamente.

Verifique os principais entroncamentos.

Anote pontos de referência!

Qual o deslocamento total?

Verifique o consumo médio de seu veículo para estimar o gasto de combustível.

Verifique pontos de parada e, se necessário, planeje a hospedagem previamente.

A pior coisa é chegar numa cidade depois de um dia inteiro de deslocamento e/ou de serviço e ainda ter que procurar o hotel para dormir.

Evite essa situação.

Coleta de dados em campo

Figura 1: Trajeto de BH a Ouro Preto realizado sem o estudo prévio.

Planejamento consultoria ambiental dados

Figura 2: Trajeto de BH a Ouro Preto via Google Earth em pesquisa prévia.

 

2º) Organize os utensílios a serem utilizados no campo!

Imagine a situação: Você compra a passagem, reserva o carro na locadora, contrata um ajudante de campo, viaja, perde tempo no aeroporto, na locadora, no deslocamento, se afasta da cidade, chega à área de estudo e…….

Percebe que esqueceu o GPS!

Como você se sente?!

prg

Faça um checklist dos materiais que precisa levar a campo, além do seu EPI (Equipamento de Proteção Individual) é claro.

Isso é imprescindível!

Abaixo, envio uma sugestão de checklist no caso de levantamentos de flora.

Se o escopo do seu trabalho é a caracterização da vegetação mediante a levantamentos qualitativos (Avaliação Ecológica Rápida) incluindo o reconhecimento das espécies, atente-se aos seguintes materiais prioritários:

– GPS.

– Caderneta de campo.

– Binóculo e podão (tesoura de poda alta).

– Máquina fotográfica.

– Materiais para coleta de material botânico (tesoura de jardinagem, canetinha, fita crepe e saco plástico grande transparente). Assista aqui ao vídeo em que eu explico a técnica usada para a herborização do material botânico.

– Prensa para secagem de material botânico. Se não for possível levar a campo por questões logísticas, levar álcool 70o a fim de auxiliar na desidratação do material botânico até o fim do campo.

– Legislação competente para a classificação dos estágios de regeneração.

– Pré-mapa para classificação das tipologias de vegetação (ver adiante).

 

Agora, se o escopo do seu trabalho é o levantamento fitossociológico, além dos materiais sugeridos acima, incluir também:

– Fita métrica.

– Trena para medição da parcela ou a distância dos pontos quadrantes.

– Plaquetas numeradas no caso do plaqueamento arbóreo.

– Barbante para alocação de unidades amostrais de área fixa.

– Fita zebrada para a marcação de árvores a serem coletadas.

– Estacas para a marcação de parcelas ou dos pontos quadrantes.

 

Esses materiais são prioritários e indispensáveis!

Independente de qualquer um dos métodos, pense sempre de que forma irá se alimentar em campo.

Lembre-se que “saco vazio não para em pé!”.

Verifique se a área de estudo está próxima de algum vilarejo ou cidade em que seja possível parar para almoçar.

Caso contrário, leve um lanche de trilha para almoçar em campo.

Barras de cereais, frutas e lanches naturais são uma boa pedida!

 

3º) Equipamento de Proteção Individual, pense nisso!

Conforme observado no item anterior, o Equipamento de Proteção Individual (EPI) deve ser sempre lembrado numa atividade de campo.

Primeiramente em relação à vestimenta, sugiro sempre calças confortáveis, camiseta de manga cumprida, boné com fechamento no pescoço, óculos escuros e colete com bolsos de segurança (com zíper).

Nesse bolso de segurança, você deve manter a chave do carro, o seu documento e o celular. Já estive numa atividade de campo que o coordenador perdeu a chave do carro.

Você é capaz de imaginar a confusão que isso poder gerar?

No mais, é sempre importante levar perneira, repelente e protetor solar.

Não adianta levar e deixar no carro. Use-os!

Algo que poucos lembram, mas não menos importante, leve sempre um kit de primeiros socorros, composto por analgésico, anti-inflamatório, pomadas contra infecção e, caso você seja uma pessoa alérgica, lembre-se sempre de um anti-histamínico.

 

4º) Qual o limite da sua área de estudo?!

Imagina a situação: você precisa efetuar o cadastro de árvores isoladas em meio a uma paisagem muito extensa na zona rural.

Há muitas árvores e a propriedade foco do seu estudo possui muitas matrículas, por isso muitas cercas e, assim, o limite da área de estudo não é claro.

Você está em campo. E agora?!

Observe por exemplo uma imagem aérea da zona rural de Pindamonhangaba no Vale do Paraíba (Figura 3).

Pindamonhangaba

Figura 3: Imagem aérea de um trecho na zona rural do município de Pindamonhangaba, SP.

Perceba que no terreno há uma série de cortes que aparentam limites entre propriedades.

Há alguns anos atrás, eu realizei o levantamento das árvores isoladas de toda essa área no entorno da FUNVIC.

Foram mais de 800 ha e mais de 3.800 árvores catalogadas.

Na época, preparei um pré-mapa delimitando os prováveis fragmentos de vegetação a serem classificados e de forma muito clara plotei os limites da área de estudo deixando de forma bem clara as coordenadas de alguns pontos limítrofes da área para o caso de conferência no campo.

Pude notar que nem sempre os limites da propriedade estavam cercados.

Por isso, nunca acredite fielmente que os limites estarão bem definidos no campo.

O levantamento das árvores isoladas é um escopo de serviço muito presente em laudos de vegetação.

Por isso, incluí esse tema no meu curso online “Elaboração de Laudo de Vegetação”.

Se você não tem o acesso desse curso, clique aqui e saiba mais.

Por um valor de inscrição único de R$ 54,00, disponibilizo um modelo de laudo de vegetação para que você possa confrontar com o que costuma utilizar e, assim, efetuar possíveis ajustes necessários, além de mais de 5 horas de videoaulas sobre todos os aspectos por trás da elaboração de um laudo de vegetação atestado pelo órgão ambiental.

Sobre as árvores isoladas, neste curso disponibilizo uma tabela para organização das informações, incluindo a fórmula de cálculo mais utilizada do volume lenhoso, algo extremamente demandado pelo órgão ambiental e assunto de muita polêmica.

Você saberá o por quê no curso, que possui emissão de certificado e ao se inscrever você recebe acesso imediato.

Participe!

 

5º) O que você espera encontrar?

Você NUNCA pode ir a campo sem conhecer previamente a área do seu levantamento através de um estudo prévio da paisagem a partir de um estudo de fotos aéreas.

Utilize o Google Earth, que é um software gratuito.

Para tanto, você deve elaborar um “pré-mapa”.

Eu abordo a elaboração do “pré-mapa” no curso “Elaboração de Laudo de Vegetação”.

Em síntese, além de incluir os limites da área de estudo, você deve plotar todas as prováveis tipologias de vegetação que você imagina ter na área.

É com esse mapa que você irá planejar o seu caminhamento em campo.

Afinal de contas, você deve caminhar em TODAS as tipologias de vegetação da área de estudo.

Ainda observando a Figura 3 acima, podemos discutir outros aspectos importantes.

Quantas tipologias distintas você consegue identificar?

Eu vejo o Campo antrópico, a várzea, uma floresta de eucalipto bem degradada, remanescentes florestais e uma área “suspeita” a checar. E você?!

Veja um exemplo de “pré-mapa” elaborado pelos meus alunos num estudo hipotético que fizemos em Bertioga, litoral Norte do Estado de São Paulo.

A figura 4 representa o estudo prévio (“pré-mapa”) e a figura 5 representa a classificação das tipologias de vegetação após o campo.

Note como há um refinamento entre o mapa prévio e o de pós-campo.

Eu chamo a sua atenção para analisar com cuidado a legenda da figura 4.

Reproduzo na íntegra como foi delineada pelos alunos.

As tipologias estão corretas ou há erros?!

Nesse momento do trabalho, errar é completamente possível!

Agora, no mapa final (Figura 5), não!

Portanto, lembre-se sempre de ir a campo com amplo domínio do que você espera encontrar.

Assim, a sua produtividade em campo será bem melhor. Pode apostar!

Tipologias de vegetação

Figura 4: Pré-mapa hipotético e simplificado com a delimitação das tipologias de vegetação. Legenda:

1) preto: dunas;
2) verde: restinga baixa;
3) rosa: floresta alta;
4) azul celeste: floresta alta conservada e
5) azul: borda de floresta.

Tipologia vegetação

Figura 5: Tipologias de vegetação delimitadas após o campo no exercício de caracterização da vegetação com base na Resolução Conama 07/1996. Legenda na própria figura.

 

6º) Faça sempre um backup do seu levantamento de campo!

Bem, chegamos ao final do post.

Vamos supor que você cumpriu todas as dicas com bastante foco e disciplina.

No entanto, ao retornar para casa, você pegará seu voo e por displicência acaba por despachar a máquina fotográfica e o GPS dentro de sua mala no momento do check-in no aeroporto.

Resultado: ao chegar em casa, nem o GPS e nem a máquina fotográfica estavam na mala.

E agora???!!!

Primeiro, a companhia aérea possui culpa pelo ato e deve ser responsabilizada.

Você tomará as atitudes cabíveis.

No entanto, você não tomou o cuidado de na noite do dia anterior efetuar um backup das fotos e dos pontos de GPS na “nuvem” ou pelo menos em seu notebook que fica com você durante o voo.

Ou seja, esses dados de campo você não consegue recuperar, infelizmente.

Estou compartilhando com você esse caso, pois ele é real e aconteceu com um colega próximo a mim.

Nesse caso, ele teve de refazer o campo, pagando os custos do seu bolso.

A empresa não custeou o novo campo.

Moral da história: Ao finalizar o campo, faça um backup dos dados, qualquer que seja as informações, antes de retornar ao escritório. Fichas de campo, fotos, pontos de GPS e demais evidências de campo.

Mantenha as evidências de campo sempre em pelo menos mais de um equipamento.

As fotos, que fiquem na máquina fotográfica e em seu computador.

Tire fotos da ficha de campo ou do caderno de anotações, pois assim você terá um backup delas.

Aprenda e evolua sobre o assunto através do meu treinamento intensivo e de baixo custo sobre diagnósticos de campo.

Trata-se do curso “Elaboração de Laudo de Vegetação”.

Faça parte dessa iniciativa que tem como objetivo:

  1. a) disseminar boas práticas entre os consultores e
  2. b) compartilhar informação de qualidade e aplicada ao mercado de trabalho na área ambiental.

O meu intuito é melhorar o nível dos relatórios do nosso próprio meio de atuação e, portanto, nivelar o serviço por cima, dificultando que os profissionais que não se especializam continuem oferecendo serviços de baixo custo e distorcendo o valor real dos trabalhos.

Espero que este post tenha levantado dicas importantes no planejamento de suas atividades de campo.

Não deixe de interagir abaixo e compartilhar para seus amigos(as) e colegas de trabalho!

Abraços,

Rodrigo Polisel

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Esta é a coluna oficial do eFlora Web, onde traremos periodicamente informações, dicas e conteúdos relacionados à área de Botânica, Biodiversidade e Meio Ambiente.O objetivo aqui é ser mais um canal direto com você, internauta. Sinta-se à vontade, este espaço é seu!