O Desafio da Jardinagem com Uso de Águas Salinas: o caso do IFPB Campus PICUÍ

Planta água salina

A água hoje já é um bem escasso, tratando-se de climas de semiárido essa condição se agrava.

Tendo esse bem como o principal insumo para mantimento da vida e também para a agricultura, bem como jardinagem deve-se repensar a respeito de sua relevância e consumo.

Com grande tendência de escassez deste recurso natural, é imprescindível adotar de novas técnicas para aproveitar melhor esse bem e utilizar novas fontes que não requerem o uso de água de boa qualidade (CEa < 0,75 dSm-1) adaptando-se às condições ambientais e econômicas, conforme Coan et al. (2008) apud. Ayers & Westcot (1999)

Em relação ao paisagismo e à jardinagem, o projeto de implantação do campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba Campus Picuí (mesorregião da Borborema), inaugurado em 18 de março de 2011 foi realizado de forma errônea, visto que foi usado grama de uma espécie não resistente às condições de clima semiárido seco da região, com temperatura mensal entre 25,1ºC a 28,4ºC e sua temperatura anual por volta dos 26,3ºC e precipitação climatológica de 357,6 mm (MEDEIROS et al., 2012).

A grama utilizada para efeito de jardinagem foi de uma espécie não adaptada as condições climáticas, ao solo e tampouco a salinidade expressiva da água disponível.

Com isto, toda a grama foi perdida com a falta de manejo adequado e uso de água salina, acarretando em prejuízos econômicos por conta do alto valor comercial do m² que custa em média R$ 10,07 (SENEAGO, 2012).

Visto as condições de alta salinidade da água de abastecimento da cidade chegando a 9,0 dS m-1 sendo considerada com salinidade muito alta, tendo como base a classificação proposta pelo Laboratório de Salinidade dos Estados Unidos, bem como subterrânea, fazem-se destas inapropriadas para o uso em plantas.

Sua condutividade elétrica reduz o potencial osmótico, refletindo na diminuição da absorção de água, comprometendo os processos fisiológicos das plantas (Kashem et al., 2000).

Com este impasse foi-se realizado perfurações de poços dentro do Campus, todavia a condutividade elétrica atingiu teores superiores a 10 dS m-1 sendo impossibilitado do seu uso.

Tendo impossibilidade de uso das águas disponíveis no lençol freático e da distribuição local, a medida tomada foi realizar compra de água potável para o uso em experimentos, nas hortas, em produção de mudas, compostagem, da mesma forma, na jardinagem do Campus IFPB Picuí.

Todavia, esta água é potável para consumo humano, mas não para as plantas, pois, estas exigem menos teores de condutividade elétrica elevada.

Em análise desta água foi detectado o grau de salinidade alto, já que a condutividade elétrica foi registrada em 0,75 dS m-1, variando com cada nova compra destas águas, não havendo um padrão definido, prejudicando na produção por não haver este controle.

A análise feita para obtenção dessa medida de condutividade elétrica foi feita no próprio Campus, a partir do uso de um Condutivimetro, visto que a fornecedora não disponibiliza esse dado.

Para uma jardinagem e paisagismo venusto, as plantas para composição devem ser cuidadosamente selecionadas, respeitando os limites climáticos, do solo e água buscando plantas adaptáveis à estas condições.

Para as nossas condições regionais de semiaridez, deve-se selecionar plantas que não fazem alto consumo de água e que não exigem elevados valores de nutrientes, a exemplo das plantas nativas já adaptadas às condições com o correr das gerações passando cargas genéticas com informações de adaptabilidade.

Figura 1. Inflorescência da Corama (Bryophyllm pinnatum) junta a Hortelã (Plectranthus amboinicus).

 plantas de água salina

Foto: CAÍQUE R. RODRIGUES, 2016.

Todas as espécies implantadas neste estudo realizado por nós no campus, tiveram sucesso na adaptabilidade, suportando a salinidade presente na água, bem como os limites impostos pelo solo e condições climáticas.

Todas completaram seu ciclo de vida e obtiveram boa propagação.

Devem ser exaltadas o Corama por ser oriunda de uma região de condições climáticas totalmente oposta a realidade do semiárido; a Crotalária por apresentar boa produção, bom desenvolvimento e fixação de nitrogênio. As plantas nativas e cactáceas tiveram êxito absoluto por já serem adaptadas ao clima e solos rasos presentes nos ambientes naturais da região.

O ideal é que deve ser feito estudos de cada espécie separadamente para avaliar o potencial verdadeiro de cada uma.

 

Para saber mais:

Caíque Rios Rodrigues ([email protected]) e Jeane Macedo de Lima ([email protected]) – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba

 

Este artigo é de responsabilidade de Caíque Rios Rodrigues ([email protected]).

 

 

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Gabriel Lima é graduado em Ciências Biológicas, e assistente de redação no eFlora Web. Considera-se um admirador das plantas e amante da Botânica.