Análise da flora do trecho Petrolina (PE) a Barra Grande (PI)

Análise da flora do trecho Petrolina (PE) a Barra Grande (PI)

Uma breve análise das coletas identificadas da expedição e a descrição do trecho Petrolina (PE) a Barra Grande (PI)

 

A expedição e seus objetivos

Ao longo de 13 dias do mês de junho de 2017 (10 a 22), acompanhado de minha fiel escudeira, minha esposa Marina Kizys, efetuamos uma jornada desafiadora pelas estradas brasileiras.

Saímos de São Paulo capital, onde moramos e trabalhamos, e nos deslocamos até Teresina (PI) com destino final até Parnaíba e Barra Grande, no litoral do mesmo Estado.

O percurso de ida (Figura 1A) e volta (Figura 1B) está representado no roteiro abaixo, elaborado simplificadamente através do Google Maps.

 

Figura 1 – Percurso de ida (A) e volta (B) ao longo de mais uma viagem da série “Viajando com a Fitogeografia” do portal eFlora

Figura 1 – Percurso de ida (A) e volta (B) ao longo de mais uma viagem da série “Viajando com a Fitogeografia” do portal eFlora.

 

Dentre os objetivos desta expedição, conforme colocado no primeiro post sobre a viagem aqui no blog, eu ressalto:

  1. Gravar mais dois trechos da série “Viajando com a Fitogeografia” a serem incorporados em julho no portal eFlora (São Paulo-SP a Teresina-PI via Rio-Bahia e Teresina-PI a São Paulo-SP via Brasília);
  2. Coletar ramos adultos de espécies arbóreas ao longo do domínio da Caatinga e Cerrado para atualização da Chave de Identificação das Famílias e Gêneros de Plantas Arbóreas dos Domínios de Vegetação do Brasil, disponível ao aluno do nosso curso “O Segredo da Identificação de Plantas”;
  3. Gravar vídeo-aulas para o curso “O Segredo da Identificação de Plantas”;
  4. Gravar vídeo-aulas para o meu canal Brasil Bioma do Youtube (Se você ainda não está inscrito(a), faça sua inscrição gratuita através deste link. Basta um clique!); e
  5. Produzir conteúdo ao meu blog eFloraWeb.

 

Assim, no primeiro post, efetuei um relato sobre a vegetação ao longo do trecho São Paulo (SP) a Petrolina (PE).

Se você ainda não leu, recomendo bastante a leitura.

O texto ficou bem enxuto e complementado com fotos muito interessantes de trechos do percurso. Veja aqui!

No presente post, eu descrevo os avanços na Identificação Botânica do material coletado.

Além disso, abordarei o trecho Petrolina (PE) a Barra Grande (PI), via Teresina.

Um trecho de quase 1.000 km, atravessando uma relevante porção do polígono do semi-árido brasileiro.

 

As identificações botânicas

Referente ao objetivo 2 da expedição, eu gostaria de apresentar a você, que me acompanha aqui no blog, avanços importantes!

Conclui 95% da identificação dos ramos coletados na viagem.

Ao todo, foram 175 coletas distribuídas em 145 espécies, além de outras 90 registradas diretamente no campo.

As espécies parcialmente identificadas na Tabela 1 serão apresentadas aos especialistas ao longo do mês de agosto.

Das coletas identificadas por completo até aqui, 16 foram responsáveis em atualizações na Chave.

Portanto, agora, mais do que nunca, eu posso oferecer a você uma ferramenta didática e prática!

Ela possibilitará que você reconheça a família/gênero do indivíduo arbóreo que deseja reconhecer em qualquer lugar do Brasil.

Esse tipo de material disponível em Chave de Identificação é completamente inédito e ajudará muito quando estiver buscando o reconhecimento de seu espécime de interesse.

Consulte a lista das espécies coletadas durante a expedição para o teste da Chave de Identificação na Tabela 1 abaixo.

 

Tabela 1 – Identificações das 175 coletas realizadas na Expedição “Viajando com a Fitogeografia” realizada em Junho de São Paulo (SP) a Teresina (PI). O asterisco (*) indica os novos registros para a Chave de Identificação. O jogo da velha (#), indica a análise que culminou na revisão da Chave.

FamíliaEspécieTipo de VegetaçãoLocalidade
AnacardiaceaeAstronium fraxinifoliumBeira de estrada na saída de Teresina. Muito comum no percurso em áreas secas com presença de florestas nas cercanias; Floresta Estacional DecíduaDemerval Lobão, PI; Formoso, GO
AnacardiaceaeMyracrodruon urundeuvaCaatinga arbustivaDivisa PE/PI via BR 407
AnacardiaceaeSchinopsis brasiliensis#Floresta Estacional DecíduaBarreiras, BA
Anacardiaceaesp.Floresta Estacional DecíduaBarreiras, BA
AnacardiaceaeSpondias tuberosaCaatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
AnnonaceaeAnnona cf. crassifloraCerrado típicoSão Gonçalo do Gurguéia, PI
AnnonaceaeAnnona cf. tomentosaCerrado típicoUberaba, MG
Annonaceaesp.Floresta Estacional Semidecídua nos arredores de TeresinaDemerval Lobão, Beira da BR
Annonaceaesp.Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
AnnonaceaeXylopia sericeaTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
ApocynaceaeAspidosperma cf. cuspaFloresta Estacional DecíduaFormosa, GO
ApocynaceaeAspidosperma cylindrocarponCerrado típicoUberaba, MG
ApocynaceaeAspidosperma pyrifoliumVegetação de transição com o CerradoPróximo a Picos
ApocynaceaeAspidosperma sp.Caatinga arbustivaDivisa PE/PI via BR 407
ApocynaceaeAspidosperma tomentosumCerrado típicoUberaba, MG
AsteraceaeMoquiniastrum barrosaea#Cerrado típicoUberaba, MG
AsteraceaePiptocarpha rotundifoliaCerrado típicoUberaba, MG
BignoniaceaeAnemopaegma cf. glaucumCerrado densoCorrentina, BA
BignoniaceaeHandroanthus impetiginosusTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
BignoniaceaeHandroanthus ochraceusCerrado típicoUberaba, MG
BignoniaceaeJacaranda cf. cuspidifoliaCerrado típicoUberaba, MG
Bignoniaceaesp.1Vegetação de transição com o CerradoPróximo a Picos
Bignoniaceaesp.2Caatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
Bignoniaceaesp.3Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Bignoniaceaesp.4Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
BignoniaceaeZeyheria montanaCerrado típicoUberaba, MG
BixaceaeCochlospermum regiumTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Bixaceaesp.Cerrado densoCorrentina, BA
BoraginaceaeCordia superbaFloresta Estacional Decídua, Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Barreiras, BA; Bom Jesus, PI
BurseraceaeProtium opacum#Cerrado densoCorrentina, BA
CalophyllaceaeKielmeyera coriaceaCerrado densoCorrentina, BA
CalophyllaceaeKielmeyera petiolaris#Cerrado densoCorrentina, BA
CapparaceaeCynophalla flexuosa*Caatinga arbustivaDivisa PE/PI via BR 407
CaryocaraceaeCaryocar coriaceumCerrado típicoPicos e São Gonçalo do Gurguéia, PI
CelastraceaeTontelea sp.Cerrado típicoSão Gonçalo do Gurguéia, PI
ChrysobalanaceaeExellodendron cordatum*Cerrado típico, Cerrado densoCorrentina, BA; São Gonçalo do Gurguéia, PI
ChrysobalanaceaeHirtella ciliataCerrado típicoGilbués, PI
CombretaceaeCombretum leprosum*Vegetação de transição com o CerradoPróximo a Picos, PI
CombretaceaeCombretum mellifluum*Cerrado Denso, Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Correntina, BA; Bom Jesus, PI
ConnaraceaeRourea induta*Cerrado típicoSão Gonçalo do Gurguéia, PI
Dichapetalaceaesp.Floresta Estacional Semidecídua nos arredores de TeresinaDemerval Lobão, Beira da BR
DilleniaceaeDavilla nitidaCerrado típicoSão Gonçalo do Gurguéia, PI
EbenaceaeDiospyros hispida*Cerrado típicoUberaba, MG
ErythroxylaceaeErythroxylum deciduumCerrado densoCorrentina, BA
ErythroxylaceaeErythroxylum suberosumCerrado típicoUberaba, MG
ErytroxylaceaeErythroxylum pungensCaatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
EuphorbiaceaeCroton sonderianusCaatinga arbustivaDivisa PE/PI via BR 407
EuphorbiaceaeJatropha mollissima*Caatinga arbustivaDivisa PE/PI via BR 407
Fabaceaeindet.Caatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
Fabaceae-caesalpinoideaeCenostigma macrophyllum*Floresta Estacional Semidecídua nos arredores de TeresinaDemerval Lobão, Beira da BR
Fabaceae-caesalpinoideaeCopaifera coriaceaTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-caesalpinoideaeCopaifera martiiTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-caesalpinoideaeDimorphandra gardnerianaCerrado típicoFloriano, PI
Fabaceae-caesalpinoideaeHymenaea eriogyneTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-caesalpinoideaeHymenaea martianaCaatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
Fabaceae-caesalpinoideaePoincianella pyramidalis*Floresta baixa de RestingaBarra Grande
Fabaceae-caesalpinoideaePoincianella pyramidalis*Floresta Estacional DecíduaBarreiras, BA
Fabaceae-caesalpinoideaeSenna cf. silvestrisCerrado típicoSão Gonçalo do Gurguéia, PI
Fabaceae-caesalpinoideaeSenna sp.Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-caesalpinoideaeSenna spectabilisCaatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
Fabaceae-caesalpinoideaesp.Caatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
Fabaceae-caesalpinoideaeTachigali rubiginosa*Cerrado típicoGilbués, PI
Fabaceae-cerciideaeBauhinia pulchellaTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-cerciideaeBauhinia sp.Cerrado densoCorrentina, BA
Fabaceae-faboideaeAmburana cearensis*Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-faboideaeAndira cf. cuyabensisCerrado densoCorrentina, BA
Fabaceae-faboideaeAndira laurifoliaCerrado com CarnaúbaCampo Maior, PI
Fabaceae-faboideaeAndira vermifugaCerrado típicoUberaba, MG; Gilbués, PI
Fabaceae-faboideaeBowdichia virgilioidesCerrado típicoUberaba, MG; São Gonçalo do Gurguéia, PI
Fabaceae-faboideaeDalbergia cearensis*Floresta Estacional DecíduaBarreiras, BA
Fabaceae-faboideaeLonchocarpus sp.Floresta Estacional DecíduaFormosa, GO
Fabaceae-faboideaeMachaerium acutifoliumCerrado típico, Floresta Estacional DecíduaUberaba, MG; Formosa, GO
Fabaceae-faboideaeMachaerium scleroxylonFloresta Estacional DecíduaFormosa, GO
Fabaceae-faboideaePterodon abruptus*Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-faboideaePterodon cf. poligaeflorus*Floresta Estacional DecíduaFormosa, GO
Fabaceae-faboideaesp.Floresta Estacional Semidecídua nos arredores de TeresinaDemerval Lobão, Beira da BR
Fabaceae-faboideaeSwartzia macrostachya*Floresta Estacional DecíduaBarreiras, BA
Fabaceae-faboideaeVatairea macrocarpaCerrado Denso, Cerrado típicoCorrentina, BA; Floriano, PI
Fabaceae-mimosoideaeAnadenanthera peregrinaFloresta Estacional DecíduaFormosa, GO
Fabaceae-mimosoideaeCalliandra sp.Cerrado típicoFloriano, PI
Fabaceae-mimosoideaeChloroleucon foliolosum*Floresta Estacional DecíduaFormosa, GO
Fabaceae-mimosoideaeEnterolobium gummiferumCerrado densoCorrentina, BA
Fabaceae-mimosoideaeInga sp.Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-mimosoideaeMimosa cf. acustipula#Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-mimosoideaeMimosa sp.1Caatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
Fabaceae-mimosoideaeMimosa sp.2Caatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
Fabaceae-mimosoideaeMimosa sp.3Caatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
Fabaceae-mimosoideaeMimosa sp.4Cerrado típicoFloriano, PI
Fabaceae-mimosoideaeMimosa verrucosaCerrado típicoPicos e São Gonçalo do Gurguéia, PI
Fabaceae-mimosoideaeParkia plathycephala*Cerrado típicoFloriano e São Gonçalo do Gurguéia, PI
Fabaceae-mimosoideaePityrocarpa moniliformis*Cerrado; Floresta Estacional Decídua; Transição Cerrado Caatinga (Carrasco); Floresta baixa de RestingaBarra Grande, PI; Barreiras, BA; Floriano e Bom Jesus, PI
Fabaceae-mimosoideaePlathymenia reticulata#Cerrado densoCorrentina, BA
Fabaceae-mimosoideaePoincianella bracteosa*Floresta baixa de RestingaBarra Grande
Fabaceae-mimosoideaeSenegalia glomerosa#Floresta Estacional DecíduaBarreiras, BA
Fabaceae-mimosoideaesp.1Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
Fabaceae-mimosoideaesp.2Cerrado densoCorrentina, BA
Fabaceae-mimosoideaeStryphnodendron coriaceumCerrado típicoFloriano, PI
Fabacea-faboideaeAcosmium cf. dasycarpumCerrado típicoUberaba, MG
IcacinaceaeEmmotum nitensTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
indeterminadaindeterminadaCaatinga rupícolaBeira do Rio São Francisco, Petrolina, PE
LamiaceaeAegiphila verticillataCerrado densoCorrentina, BA
LamiaceaeVitex polygamaCerrado com CarnaúbaCampo Maior, PI
Lecythidaceaesp.Floresta Estacional Semidecídua nos arredores de TeresinaDemerval Lobão, Beira da BR
Lythraceaesp.Cerrado densoCorrentina, BA
MalpighiaceaeByrsonima correifoliaCerrado típicoPicos e São Gonçalo do Gurguéia, PI
MalpighiaceaeByrsonima pachyphyllaCerrado densoCorrentina, BA
MalpighiaceaeByrsonima sericeaCerrado típicoSão Gonçalo do Gurguéia, PI
Malpighiaceaesp.Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
MalvaceaeHelicteres sacarolhaTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
MalvaceaeSida galheirensisFloresta baixa de Restinga e Caatinga rupícolaBarra Grande e Afloramento VSF
MyristicaceaeVirola sebiferaCerrado típicoUberaba, MG
MyrtaceaeCampomanesia aromaticaFloresta baixa de RestingaBarra Grande
MyrtaceaeEugenia sp.1Cerrado típicoSão Gonçalo do Gurguéia, PI
MyrtaceaeEugenia sp.2Cerrado típicoUberaba, MG
MyrtaceaePsidium sp. #Cerrado típicoUberaba, MG
Myrtaceaesp.1Cerrado densoCorrentina, BA
Myrtaceaesp.2Cerrado densoCorrentina, BA
NyctaginaceaeGuapira cf. laxaTransição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
OlacaceaeXimenia americana*Floresta baixa de RestingaBarra Grande, PI
PicramniaceaePicramnia sellowiiFloresta baixa de RestingaBarra Grande, PI
PolygonaceaeTriplaris gardnerianaFloresta Estacional DecíduaFormosa, GO
ProteaceaeRoupala montana var. brasiliensis#Cerrado típicoUberaba, MG
RhamnaceaeZiziphus joazeiro*Caatinga arbustivaDivisa PE/PI via BR 407
RubiaceaeAlibertia edulisCerrado com CarnaúbaCampo Maior, PI
RubiaceaeRandia armataFloresta Estacional DecíduaFormosa, GO
RubiaceaeTocoyena formosaCerrado densoCorrentina, BA
RutaceaeEsenbeckia pumilla*Floresta Estacional Semidecídua nos arredores de TeresinaDemerval Lobão, Beira da BR
RutaceaeMetrodorea maracasana*Floresta SemidecíduaJequié, BA
RutaceaePilocarpus cf. trachylophus#Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
RutaceaeZanthoxylum sp.Floresta Estacional DecíduaFormosa, GO
SalicaceaeCasearia sylvestrisCerrado típicoUberaba, MG
SapindaceaeDilodendron bipinnatumFloresta Estacional DecíduaFormosa, GO
Sapindaceaeindet.Vegetação de transição com o CerradoPróximo a Picos, PI
SapindaceaeMatayba elaeagnoidesCerrado típicoUberaba, MG
Sapindaceaesp.Floresta Estacional DecíduaFormosa, GO
SapindaceaeTalisia angustifoliaCerrado densoCorrentina, BA
SapotaceaeManilkara trifloraCerrado típicoSão Gonçalo do Gurguéia, PI
SapotaceaePouteria cf. subcaeruleaCerrado densoCorrentina, BA
SapotaceaePouteria ramifloraCerrado densoCorrentina, BA
SapotaceaePouteria sp.1Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
SapotaceaePouteria sp.2Transição Cerrado Caatinga (Carrasco)Bom Jesus, PI
SapotaceaePouteria sp.3Parque Nacional de Sete CidadesPiraruruca, PI
VochysiaceaeQualea sp.Cerrado típicoSão Gonçalo do Gurguéia, PI
VochysiaceaeVochysia gardneriCerrado denso, Cerrado típicoCorrentina, BA; São Gonçalo do Gurguéia, PI

 

Como se observa na Tabela acima, observamos que a maioria das espécies catalogadas já estavam presentes na Chave de Identificação, o que já confere a ela uma ótima ferramenta de utilização ampla ao longo do território nacional.

Com os novos registros incluídos e após a revisão da mesma, já que todas as coletas feitas foram colocadas à prova na Chave, o tamanho da mesma mudou.

Verifique na Tabela 2 abaixo o número de passos para cada trecho da mesma.

 

Tabela 2 – Número de passos da Chave de Identificação de Plantas disponível no Curso “O Segredo da Identificação de Plantas” após a atualização realizada ao longo da Expedição “Viajando com a Fitogeografia” do portal eFlora.

Trecho da Chave

Número de passos

Versão anteriorVersão atual (pós Expedição)
Chave Geral1819
Sub-chave 1 – Fetos Arborescentes88
Sub-chave 2 – Arecaceae99
Sub-chave 3 – Folhas Compostas6577
Sub-chave 4 – Folhas Simples e Opostas5355
Sub-chave 5 – Folhas Simples e Verticiladas1111
Sub-chave 6 – Folhas Simples e Alternas118130
Número total de passos282309

 

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Você receberá essa CHAVE DE IDENTIFICAÇÃO que testei ao longo da Expedição e que se encontra atualizada e capaz de te ajudar aonde quer que você esteja no Brasil para reconhecer o gênero, a família e as principais espécies arbóreas.

Isso através de poucos passos e mediante a análise de ramos vegetativos! Este material irá te surpreender!

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Dentre os novos registros agora inseridos na Chave para fácil reconhecimento, eu destaco aqueles característicos de pontos específicos da Diagonal Aberta da América do Sul.

Dentre os principais cito-os abaixo:

  • Schinopsis brasiliensis e Schinopsis balansae (Anacardiaceae) – Espécies características da Caatinga e do Chaco, respectivamente.
  • Combretum (Combretaceae) – Um gênero muito comum na transição Caatinga/Cerrado e cuja característica diagnóstica foi incluída na chave do Curso ON-LINE.
  • Rourea induta (Connaraceae) – Espécie característica da área core do Cerrado Brasileiro.
  • Jatropha mollissima (Euphorbiaceae) – Espécie endêmica da Caatinga.
  • Amburana cearensis (Fabaceae-faboideae) – Espécie característica da diagonal seca do Brasil, principalmente da Caatinga.
  • Chloroleucon (Fabaceae-mimosoideae) – Gênero de ampla distribuição no Brasil, porém com maior expressão em climas mais secos.
  • Pityrocarpa moniliformis (Fabaceae-mimosoideae) – Espécie endêmica da caatinga. Conhecida como “Catanduva”.

 

O que você sabe sobre a Caatinga?

No post de hoje, falaremos um pouco sobre esse importante Domínio Fitogeográfico Brasileiro.

Antes de desenvolver o tema, eu convido você a deixar um comentário ao final da página respondendo o que você entende por Caatinga!?

Responda antes de continuar a leitura desse texto, pois eu acho que você terá novas ideias para acrescentar ao seu entendimento sobre o tema após a leitura completa.

Vou apresentar a vocês uma foto de cada trecho relevante do percurso entre o centro norte baiano até o litoral do Piauí, passando por Teresina (Veja percurso na Figura 1).

De acordo com o Mapa de Classificação de Biomas do Brasil, segundo IBGE, nós estaremos ao longo de todo esse percurso (Figura 1) em meio ao “bioma” Caatinga.

Porém eu quero que você analise com atenção a sequência das fotos (Figuras 2 a 18) para começar a perceber a complexidade e heterogeneidade da vegetação ao longo desse trajeto.

Será mesmo que aquela fisionomia de Caatinga (ou Savana Estépica, conforme nomenclatura técnica do IBGE) conhecida é a que veremos ao longo de todo esse trecho do percurso?

Desde o município de Itaberaba (BA), a 130 km a oeste de Feira de Santana, as formações xéricas passaram a ser predominantes na paisagem.

A Figura 2 traz uma paisagem bem didática, do que devemos conceber como Caatinga na sua área core (senso stricto) no semi-árido brasileiro.

 

Caatinga arbustivo-arbórea próximo a Itaberaba (BA).

Figura 2 – Foto de trecho de Caatinga arbustivo-arbórea próximo a Itaberaba (BA). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

O aspecto geral dessa fisionomia se manteve ao longo de:

– Petrolina (Figura 3)

 

Foto 2 – Trecho de Caatinga arbustiva entre Petrolina e Rajada na BR 407 com predomínio de Mimosa spp. (jurema) e Cereus spp. (cacto).

Figura 3 – Foto de trecho de Caatinga arbustiva entre Petrolina e Rajada na BR 407 com predomínio de Mimosa spp. (jurema) e Cereus spp. (cacto). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

– Afrânio, um município de Pernambuco bem na divisa com o Estado do Piauí (Figura 4)

 

Figura 4 – Foto de recho de Caatinga arbustiva com influência do pastejo de bode, com presença maciça de Pilosocereus gounellei (xique-xique), além de Mimosa spp. e Cynophalla flexuosa. Altitude do trecho: 325 m

Figura 4 – Foto de recho de Caatinga arbustiva com influência do pastejo de bode, com presença maciça de Pilosocereus gounellei (xique-xique), além de Mimosa spp. e Cynophalla flexuosa. Altitude do trecho: 325 m. Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

– Em Patos do Piauí (a 50 km ao norte da divisa com PE), a Caatinga continua ocorrendo ao longo da encosta, topos de morro.

Porém aqui reaparece (inicialmente a espécie só havia ocorrido no Vale do Rio São Francisco) a Copernicia prunifera (carnaúba).

Forma, então, pela primeira vez os Carnaúbais que começarão a ser cada vez mais presentes no fundo de vale ao longo do percurso (Figura 5).

Neste trecho do percurso, começam a aparecer também espécies que não haviam sido encontradas entre BA e o Sul do PI, tais como Combretum leprosum e Caesalpinia pyramidalis.

Neste momento, começamos a perceber que as Mimosa spp. (jurema) ocorrem com menor abundância e se nota cada vez menos a presença de cactos.

 

Figura 5 – Presença do carnaubal (formação com predomínio de Copernicia prunifera) ao longo de fundos de vale com o entorno caracterizado por Caatinga arbustiva, em Patos do Piauí (PI). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 5 – Presença do carnaubal (formação com predomínio de Copernicia prunifera) ao longo de fundos de vale com o entorno caracterizado por Caatinga arbustiva, em Patos do Piauí (PI). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

– Em Picos, centro-sul do Estado do Piauí, começamos a observar uma vegetação de transição conforme apontado no item anterior.

As espécies predominantes da Caatinga começam a sofrer competição com outras de origem do Cerrado.

Os cactos persistem, porém são cada vez mais raros (Figura 6). Começa a aparecer uma das espécies típicas do Piauí, o Cajuí (Anacardium giganteum).

 

Figura 6 – Vegetação de transição Cerrado/Caatinga em Picos, PI. Em primeiro plano, Caryocar coriaceum (pequiá), uma espécie típica dos Cerrados. Ao fundo, Caesalpinia pyramidalis (catingueira), Mimosa spp. (juremas) e Jatropha mollissima (mandioca-brava), espécies típicas da Caatinga. Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 6 – Vegetação de transição Cerrado/Caatinga em Picos, PI. Em primeiro plano, Caryocar coriaceum (pequiá), uma espécie típica dos Cerrados. Ao fundo, Caesalpinia pyramidalis (catingueira), Mimosa spp. (juremas) e Jatropha mollissima (mandioca-brava), espécies típicas da Caatinga. Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

– Em Valença do Piauí, a 160 km de Teresina, o que temos é um Cerrado típico (Classificação oficial do IBGE: Savana Arborizada).

As figuras 7 e 8 abaixo mostram um indivíduo arbóreo adulto e um ramo, respectivamente, de Caryocar coriaceum (pequiá), típico desse domínio de vegetação.

Essa espécie, inclusive, é característica da província florística Norte do Cerrado.

Além dela observaram-se: Bowdichia virgilioides (sucupira-preta), Cybistax antisyphilitica (ipê-verde), Dipteryx alata (cumaru), Kielmeyera coriacea (pau-santo), Salvertia convallariaedora (pau-rei), Simarouba versicolor (pau-bravo) e Sthryphnodendron adstringens (barbatimão).

Todas essas espécies foram registradas e testadas na Chave de Identificação do Curso “O Segredo da Identificação de Plantas” e você pode obter esta chave agora mesmo neste link.

 

Figura 7 – Exemplar adulto de Caryocar coriaceum (pequiá) em trecho de Cerrado típico no município de Valença do Piauí, PI.

Figura 7 – Exemplar adulto de Caryocar coriaceum (pequiá) em trecho de Cerrado típico no município de Valença do Piauí, PI. Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Figura 8 – Ramo de Caryocar coriaceum (pequiá), apresentando folhas compostas trifolioladas, opostas e com bordo serreado. Mais informações em www.taxonomiavegetal.com.br. Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 8 – Ramo de Caryocar coriaceum (pequiá), apresentando folhas compostas trifolioladas, opostas e com bordo serreado. Mais informações em www.taxonomiavegetal.com.br. Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

– Para nossa “surpresa”, nos arredores de Teresina ocorre uma fisionomia florestal muito interessante, na qual há uma discussão sobre o seu enquadramento fitogeográfico.

Vou desenvolver melhor essa discussão no post comentado da Série Viajando com a Fitogeografia do portal eFlora.

Essa discussão irá apontar se esta fisionomia deve ser tratada como uma Floresta Estacional Semidecídua do domínio Mata Atlântica, do domínio Amazônico ou até mesmo do domínio do Cerrado.

Isto porque  Teresina se encontra bem próximo da transição de “biomas” (segundo IBGE) entre Cerrado e Caatinga.

(Nota: Toda essa heterogeneidade vegetal está ocorrendo dentro da tipologia de “bioma” Caatinga, segundo IBGE. Lembre-se disso! Interessante, não?!)

Veja algumas fotos dessa Floresta nos arredores de Teresina (Figuras 9 e 10).

 

Figura 9 – Trecho de Floresta Semidecídua com sinais de degradação devido ao efeito de borda entre Teresina e Altos, a caminho do litoral do Piauí (BR343). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 9 – Trecho de Floresta Semidecídua com sinais de degradação devido ao efeito de borda entre Teresina e Altos, a caminho do litoral do Piauí (BR343). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Figura 10 – Paisagem próxima à capital do Piauí, com a presença de Florestas Semidecíduas com a presença marcante da palmeira babaçu (Attalea speciosa). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 10 – Paisagem próxima à capital do Piauí, com a presença de Florestas Semidecíduas com a presença marcante da palmeira babaçu (Attalea speciosa). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

– De Teresina a Barra Grande (litoral), embora ainda dentro do “bioma” Caatinga segundo o IBGE, o que nós não vimos foi fisionomias de Caatinga arbustiva/arbórea no percurso, como vimos da Bahia até Picos (PI).

O Trecho de Teresina ao Litoral, por sua vez, representa uma intensa área de transição, mas cujo elemento predominante é a flora do Cerrado.

Em Campo Maior, devido à feição geomorfológica do terreno, há extensas áreas de Savana com Carnaúba que formam paisagens muito belas (Figura 11).

Voltaremos a esse trecho importante do Estado do Piauí no conteúdo PREMIUM do portal eFlora, haja vista que um número relevante de pesquisadores atestam aqui um complexo vegetacional com elementos do Cerrado, da Caatinga e até da Mata Atlântica. Você não pode perder!

 

Figura 11 – Savanas com Carnaúba (Copernicia prunifera) em Campo Maior. Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 11 – Savanas com Carnaúba (Copernicia prunifera) em Campo Maior. Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

– Após as belas paisagens com Carnaúba em Campo Maior, alcançamos o Parque Nacional de Sete Cidades.

Trata-se de uma Unidade de Conservação de proteção integral relevante na proteção de formações areníticas singulares do Estado. Estas formações possuem pinturas rupestres muito estudadas.

A região é formada por extensas áreas de Cerrado também em aspecto transicional, já que muitos cactos ocorrem com relativa frequência no entremeio das Savanas e principalmente em solos mais rasos ou afloramentos rochosos (Figuras 12 a 15).

 

Figura 12 – Vista do Cerrado senso-stricto (Savana Arbozizada, segundo IBGE) no mirante do Parque Nacional de Sete Cidades, em Piripiri (PI). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 12 – Vista do Cerrado senso-stricto (Savana Arborizada, segundo IBGE) no mirante do Parque Nacional de Sete Cidades, em Piripiri (PI). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Figura 13 – Presença de Pilosocereus gounellei (xique-xique) e outras espécies de Bromeliaceae nos afloramentos rochosos do Parque Nacional de Sete Cidades, em Piripiri (PI). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 13 – Presença de Pilosocereus gounellei (xique-xique) e outras espécies de Bromeliaceae nos afloramentos rochosos do Parque Nacional de Sete Cidades, em Piripiri (PI). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Figura 14 – Pinturas rupestres encontradas ao longo dos arenitos no Parque Nacional de Sete Cidades, em Piripiri (PI). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 14 – Pinturas rupestres encontradas ao longo dos arenitos no Parque Nacional de Sete Cidades, em Piripiri (PI). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Figura 15 – Trecho de Cerrado denso (Savana Arborizada) em transição com a Caatinga no Parque Nacional de Sete Cidades, em Piripiri (PI). Na foto, as espécies típicas de Cerrado co-ocorrem com espécies características da Caatinga, como Cereus sp. (mandacaru) e Pilosocereus gounellei (xique-xique). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 15 – Trecho de Cerrado denso (Savana Arborizada) em transição com a Caatinga no Parque Nacional de Sete Cidades, em Piripiri (PI). Na foto, as espécies típicas de Cerrado co-ocorrem com espécies características da Caatinga, como Cereus sp. (mandacaru) e Pilosocereus gounellei (xique-xique). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

– Após a passagem pelo Parque Nacional de Sete Cidades, ainda estávamos distantes 150 km do Oceano Atlântico, no município de Luís Correia.

Até a chegada no Litoral, o que pudemos constatar é a presença expressiva do Cerrado, que se alterna a fisionomias mais complexas semelhantes a de um Cerradão em zonas de baixada onde o solo é mais profundo.

Nessas baixadas, quando úmidas entretanto, os Carnaubais passam a ocorrer, como já mostrados, de forma proeminente.

Para mim, paulista, é difícil imaginar trechos de Cerrado próximos à linha da costa atlântica.

Aqui em São Paulo a área mais próxima de Cerrado dista mais de 150 km em linha reta do mar.

O fato é que ao longo desse percurso até Barra Grande, conseguimos observar claramente remanescentes de Cerrado até Buriti dos Lopes (PI), um município a 50 km do Delta do Parnaíba (em torno de 25 km em linha reta da linha da costa).

Próximo ao litoral, o que vimos foi uma transição do Cerrado para uma vegetação de porte arbóreo baixo, assemelhada a uma Floresta Alta de Restinga conforme Figura 16.

Esta fisionomia se torna menos complexa quanto mais próxima da Costa estivermos e a influência da Caatinga mesmo assim se faz presente mesmo numa fisionomia não assemelhada ao que vimos no interior.

No litoral ainda ocorrem espécies típicas da Caatinga, tais como: Caesalpinia pyramidalis (catingueira), Cereus spp. (mandacaru), Mimosa spp. (jurema), Opuntia spp. (palma) e Pityrocarpa moniliformis (catanduva) (Figura 17).

Além destas, a vegetação sobre dunas (Figura 18), arbustarias (Figura 19) e lindos carnaubais (Figura 20) completam uma paisagem belíssima no complexo litoral do Piauí, de Parnaíba até Barra Grande, muito próximo à divisa com o Ceará.

 

Figura 16 – Trecho de Floresta próximo à costa atlântica em Luís Correia (PI). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 16 – Trecho de Floresta próximo à costa atlântica em Luís Correia (PI). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Figura 17 – Formação arbustivo-arbórea com predomínio de Cereus spp. (mandacaru) no litoral piauiense, em Luís Correia (PI). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 17 – Formação arbustivo-arbórea com predomínio de Cereus spp. (mandacaru) no litoral piauiense, em Luís Correia (PI). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Figura 18 – Vegetação sobre Dunas no município de Luís Correia (PI). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 18 – Vegetação sobre Dunas no município de Luís Correia (PI). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Figura 19 – Formação com predomínio de arbustos (“arbustaria”) em Luís Correia (PI) com amplo predomínio de Conocarpus erectus (Combretaceae) e Ximenia americana (Olacaceae). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 19 – Formação com predomínio de arbustos (“arbustaria”) em Luís Correia (PI) com amplo predomínio de Conocarpus erectus (Combretaceae) e Ximenia americana (Olacaceae). Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Figura 20 – Carnaubais típicos no litoral do Piauí em Barra Grande, PI. Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 20 – Carnaubais típicos no litoral do Piauí em Barra Grande, PI. Fonte: Rodrigo Polisel (arquivo pessoal).

 

Considerações finais

Agora que você acompanhou toda a variação de vegetação no trecho Petrolina (PE) a Barra Grande (PI), revisemos alguns pontos importantes sobre a Caatinga:

 

A) A Caatinga é um domínio de vegetação caracterizado por espécies endêmicas, mas cuja vegetação é intensamente heterogênea, resultado da evolução do ambiente físico, da geomorfologia, dos aspectos climáticos e solo.

Constatamos os seguintes tipos de vegetação no Domínio da Caatinga apenas no percurso analisado até agora (Jequié – BA a Barra Grande – PI):

  • Caatinga arbustiva,
  • Caatinga arbórea,
  • Caatinga Rupícola,
  • Floresta Estacional Semidecídua Montana (“Brejos de altitude” em Jequié-BA),
  • Campos com predomínio de Carnaúbas (Copernicia prunifera),
  • Cerrado típico com a presença típica de espécies da Caatinga,
  • Carrascos e
  • Formações florestais sobre restingas litorâneas com a presença típica de espécies típicas da Caatinga.

Na literatura, entendemos que cada uma dessas formações se constitui um bioma, pois carregam consigo uma fauna e flora associada.

 

B) A Caatinga (stricto senso), ou seja, aquela vegetação xerófila dominada por espécies micrófilas, espinhentas, de casca lisa e/ou com suculência e reserva de água nos tecidos corpóreos (Cactaceae), ocorre em meio a um clima semi-árido com seca superior a 6 meses, onde a disponibilidade de água para a comunidade vegetal é reduzida e imprevisível, e se distribui na Depressão Sertaneja.

Essa depressão é de natureza interplanáltica composta por vastas áreas planas e/ou colinas rasas, com a presença recorrente de campos de inselbergs e de alguns grandes maciços residuais.

Geomorfologicamente, esta depressão corresponde a terrenos cristalinos da porção nordeste do Brasil (Informações obtidas na Tese de Marcelo Moro, UNICAMP 2013).

 

Para resumir o exposto, verifique a Delimitação do Domínio Fitogeográfico da Caatinga na Figura 21 abaixo e suas áreas de transição correlatas.

 

Figura 21 - Retirado de: Tese de Doutorado, Prof. Dr. Marcelo Moro, UNICAMP 2013.

Figura 21 – Retirado de: Tese de Doutorado, Prof. Dr. Marcelo Moro, UNICAMP 2013.

 

E, então, o que achou?

A Caatinga é a vegetação que ocorre em Clima Semi-Árido de maior biodiversidade no mundo.

Não obstante, ao longo de nossa expedição, pudemos constatar uma belíssima região com incrível diversidade, mesmo com as restrições ambientais impostas.

Veja mais fotos desta incrível expedição botânica e fitogeográfica no meu Facebook!

No próximo post, abordarei a transição Cerrado/Caatinga já no nosso retorno a São Paulo, via Bom Jesus (PI) e Brasília (DF).

Deixe o seu comentário sobre o seu entendimento agora em relação à Caatinga e, se gostou, compartilhe este post a seus amigos!

Até a próxima!

 

Rodrigo Polisel

Doutor em Biologia Vegetal pela UNICAMP

E-mail: [email protected]

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  • Rodrigo Polisel

    Oi Jacob! Muito legal, é uma excelente forma de trazer à tona e divulgar os problemas que rondam a vegetação da Caatinga. Essas áreas na Paraíba e Pernambuco certamente serão visitadas pela nossa equipe num futuro próximo. Inclusive, se puder indicar possíveis localidades para visita de forma mais específica, será um prazer! Abs e Bom domingo!

  • Jacob Souto

    Parabéns pelo excelente relato dado à esta expedição realizada no percurso Petrolina (PE) – Barra Grande (PI). Muitas informações foram adicionadas aquelas já existentes. Sugiro, em uma outra oportunidade, conhecer a caatinga nos Estados onde há a presença de áreas bastante degradadas, a exemplo dos Núcleos de Desertificação.