5 GRANDES ERROS que quem PLANTA MUDAS pode cometer

Planta Mudas

Neste artigo destaco 5 grandes erros que quem planta mudas pode cometer, e dou informações para se prevenir contra eles.

Quem já me conhece sabe que eu não gosto de ficar parado e nem satisfeito quando costumo observar algo errado e o pior…. quando esse erro é replicado!

O mercado da restauração ecológica é um caso em que os erros costumam ser perigosamente replicados, mesmo sabendo que esta ciência avançou bastante nos últimos anos.

Ou seja, um perfeito contraponto entre o que é produzido nas universidades e o que se pratica no mercado de trabalho.

Ao longo do tempo, os estudos têm mostrado que plantar por plantar pode não ser a melhor iniciativa.

Pior, pode criar outro problema no local que gostaríamos de restaurar, introduzindo espécies exóticas ou até mesmo nativas não regionais indesejadas.

E mais, hoje em dia, mais importante do que plantar as mudas em linha, tirar uma foto, colocar no relatório de atendimento e dizer que atendeu o solicitado pelo órgão, o meio acadêmico e os analistas ambientais dos órgãos de licenciamento estão preocupados com o “day after”.

O que isso quer dizer?!

Com o promulgação da Resolução SMA 32/2014, o Estado de São Paulo foi o primeiro a incorporar parâmetros florísticos e estruturais da área em processo de restauração no arcabouço da análise da efetividade ou não da restauração.

Trata-se, portanto, de um grande avanço ao exigir que o projeto de restauração atenda às normas necessárias, atingindo os parâmetros de referência no monitoramento para áreas em processo de restauração ecológica (Tabela 1).

Tabela 1: Parâmetros intermediários de referência para o monitoramento de projetos de restauração (Extraído da Res. SMA 32/2014).

Tabela monitoramento projetos de restauração

Pessoalmente, eu desejo muito que os outros Estados sigam o mesmo caminho e que, principalmente, a proposição destes parâmetros seja acompanhada por uma maior rigidez na análise dos projetos.

Só assim melhoraremos a qualidade dos trabalhos realizados, tanto na etapa de projeto executivo como na etapa da “mão na massa”!

Tenho muitos seguidores que trabalham na área ambiental e me acompanham semanalmente através dos meus posts semanais aqui no eFloraWeb ou nos vídeos do YouTube.

Para todos(as) vocês eu pergunto:

Vocês não acham que está na hora de agirmos com mais responsabilidade quando o assunto é RESTAURAÇÃO AMBIENTAL?!

Hoje, inclusive, os órgãos ambientais já aceitam projetos de restauração que não demandam o plantio de nenhuma muda, caso o DIAGNÓSTICO AMBIENTAL demonstre que o local possui POTENCIAL DE REGENERAÇÃO NATURAL capaz de repovoar a área degradada. Nesses casos, o homem irá apenas acompanhar esse processo, isolando a área dos fatores de degradação e efetuando um manejo seletivo ou enriquecimento pontual.

Interessante, não é?!

Esse é o pano de fundo que me motivou em parceria com o meu sócio Bruno Aranha e outros investidores a lançar o Programa Muda Certa!

O nosso objetivo principal é aproximar os viveiristas dos consultores ambientais.

O que eu vejo com muita frequência são consultores necessitando de mudas e procurando por vários viveiros, sem a real preocupação das espécies que ele compõe o lote para a efetivação do plantio.

Em alguns casos, o Termo de Ajustamento libera uma lista de espécies.

No entanto, a própria lista contém falhas e o consultor não possui embasamento técnico para substituir uma espécie por outra.

O nosso propósito com o Programa Muda Certa é fazer essa intermediação.

O consultor entra em contato conosco e nós escolheremos as espécies, as mudas e os viveiros.

Temos uma lista de viveiros nos quais acreditam na filosofia do nosso trabalho, foram vistoriados por nós e, portanto, possuem VONTADE e ABERTURA para trabalharem de forma diferenciada.

Trata-se, portanto, de um novo negócio na área ambiental!

É a minha contribuição na tentativa de evitar que ocorra novamente os…

5 GRANDES ERROS que quem PLANTA MUDAS pode cometer!

Vamos até eles então!

ERRO 1 de quem planta mudas

A Identificação Taxonômica imprecisa e incorreta na hora da produção das mudas e/ou escolha das mesmas para compor o lote do plantio compensatório pode levar a introduzir mudas de espécies exóticas de rápido crescimento e, assim, iniciar um processo de invasão biológica.

Na Foto 1, um exemplo comum no interior do Estado de São Paulo é o caso da inclusão de Albizia procera, uma Fabaceae vegetativamente parecida com outras Fabaceae nativas e, portanto, muito utilizada em plantios compensatórios (Foto 1).

Projeto restauração

Foto 1: Albizia procera (coração-de-negro ou faveiro) plantada no interior de São Paulo em plantio compensatório em borda de fragmento em estágio inicial (Foto de Adair Ferreira).

ERRO 2 de quem planta mudas

Tudo bem! Eu confesso que Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong, a famosa orelha-de-negro ou tamboril, é adorada por viveiristas e consultores que executam projetos de restauração!

Ela cresce muito bem no viveiro e em campo também apresenta ótimas taxas de crescimento. Sabe aquela foto do plantio em 6 meses bem verdinho?!

As vezes é influenciada pelo elevado número de Tamboril que foram plantados.

Agora, ATENÇÃO!!!!

A espécie ocorre na fisionomia de Floresta Semidecídua ou Decídua da Mata Atlântica, Cerrado ou Caatinga (Figura 2).

Ela não ocorre na Floresta Ombrófila Densa (Figura 3). A probabilidade de ocorrência dela nesta fisionomia é muito baixa conforme modelo mostrado na Figura 3.

Já vi muitas vezes a espécie sendo planta na Região Metropolitana de São Paulo e até no Litoral.

É um erro!

Portanto, evite o uso de espécies nativas não regionais em seus plantios compensatórios!

Eu posso lhe ajudar nessa escola através do Muda Certa. Clique aqui e saiba como!

Foto 2

Figura 2: Distribuição de Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong no Brasil (Fonte: Reflora).

Foto 3

Figura 3: Distribuição de Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong no Estado de São Paulo e principais pontos de ocorrência.

Em vermelho, probabilidade alta de ocorrência. Em bege a azul, probabilidade baixa de ocorrência (Fonte: INCT-Biogeo).

ERRO 3 de quem planta mudas

Há muitos casos em que o empreendedor deve doar MUDAS para um viveiro municipal a fim de atender a alguma exigência ambiental ou TERMO DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL junto ao órgão público.

Até aqui, tudo bem. Certo?

Aí, suponhamos que estamos andando em nossa cidade e observamos situações como esta (Foto 2).

Foto 4

Foto 2: Arborização urbana com o emprego de Bauhinia variegata L. (pata-de-vaca) (Fonte: iFolha.com.br).

Você pode até pensar: “Poxa, apenas uma espécie foi plantada nessa rua! E pata-de-vaca! Não haveria outras opções?”

Essa foto foi extraída do Diário Folha da Região da cidade de Olímpia, no interior de São Paulo.

A prefeitura estava doando mudas dessa espécie para a arborização da cidade.

Tudo bem, a atitude é nobre, o exemplar é bonito, mas nós não poderíamos utilizar outras espécies?

O Estado de São Paulo é quase todo inserido no Domínio Mata Atlântica, um hotspot de biodiversidade.

Conhecido mundialmente por um dos lugares do mundo de maior riqueza e expressão vegetal.

Que tal escolhermos viveiros que possuam espécies nativas adequadas para o plantio em calçadas?

Eu conheço e trabalho com alguns no Muda Certa, saiba mais aqui.

ERRO 4 de quem planta mudas

Antes de qualquer ação em campo, você deve realizar um DIAGNÓSTICO AMBIENTAL sério e embasado.

Você deve classificar o domínio fitogeográfico do local, a fitofisionomia predominante, os fatores de degradação e o potencial de regeneração natural na área.

Nunca elabore um projeto de restauração ecológica sem ir a campo ou, ao menos, conhecer bem esses aspectos da área/região foco do seu estudo!

Em hipótese alguma seja aquela pessoa adepta ao “copiar/colar” na hora de elaborar o seu projeto de restauração!

Cada caso é um caso!

Certa vez, já flagrei uma situação chocante: um projeto de restauração previa para atendimento de um TAC de uma expansão de rodovia na região Norte do Estado de São Paulo o plantio de espécies de MATA ATLÂNTICA em área com ocorrência de CAMPO CERRADO, uma fisionomia campestre do domínio do CERRADO!

Isso só foi realizado porque no diagnóstico ambiental, o consultor imaginou que aquele CAMPO CERRADO era na verdade um “pasto sujo” e, por isso, deveria ser “recuperado”.

Ele não classificou como Cerrado o local!

Não incluirei fotos para preservar as fontes, mas essa descrição já basta para que você tenha todo o cuidado na hora de propor o seu projeto de restauração!  

ERRO 5 de quem planta mudas

Conforme já dito acima, o Brasil é privilegiado no assunto biodiversidade. Dentre as 37 áreas classificadas como hotspots pela Conservation International, duas estão localizadas no Brasil (Cerrado e Mata Atlântica).

No entanto, a grande maioria dos projetos de paisagismo absolutamente não leva em consideração isso, sugerindo para o plantio as mesmas espécies que são plantadas aqui no Brasil, na África do Sul, no México ou na China (Foto 3)

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Foto 3: Um exemplo de paisagismo utilizando estritamente espécies exóticas sem o resgate de nenhum elemento da vegetação brasileira (Fonte: Casa Cor).

Por que isso acontece?

Falta de vontade em escolher as espécies nativas?!

Falta de viveiros que produzem essas espécies?!

Falta de conhecimento?!

Eu conheço viveiros e profissionais que desejam mudar essa lógica.

Se nós não sairmos da nossa zona de conforto e buscar algo novo, nada disso irá mudar e estaremos apenas alimentando uma retórica vazia que “um dia” isso precisa mudar.

Clique aqui e saia da zona de conforto conhecendo o Muda Certa

Se você chegou até o final desse artigo, tenho absoluta certeza de que te fiz refletir sobre os grandes ERROS que acontecem com frequência com quem planta mudas na área da Restauração Ambiental e do Paisagismo.

O Programa Muda Certa é uma iniciativa para unir profissionais que desejam trabalhar e romper o paradigma atual do “mais do mesmo”, agregando valor aos seus projetos.

Conheça e entre em contato pelo site ou respondendo a este post!

Se você deseja obter CONTÉUDO TÉCNICO específico sobre RESTAURAÇÃO AMBIENTAL, também aproveito para sugerir o meu treinamento online, intensivo e de baixo custo Introdução à Restauração Ecológica. Clique aqui e saiba mais.

Até a próxima!

Rodrigo Trassi Polisel (E-mail: [email protected])

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