Cerrado da região Nordeste do Brasil

Cerrado da região Nordeste do Brasil

A expedição e seus objetivos

Ao longo de 13 dias do mês de junho de 2017 (10 a 22), minha esposa e eu atravessamos o Brasil partindo de São Paulo capital, onde moramos e trabalhamos, e nos deslocamos até Teresina (PI) com destino final até Parnaíba e Barra Grande, no litoral do mesmo Estado. Já publiquei aqui no blog outros dois textos com relatos da vegetação e fotos do percurso de São Paulo (SP) a Petrolina (PE) e de Petrolina (PE) ao litoral do Piauí.

Para visualizar, o percurso de ida (Figura 1A) e volta (Figura 1B) está representado no roteiro abaixo, elaborado simplificadamente através do Google Maps.

Figura 1Figura 1 – Percurso de ida (A) e volta (B) ao longo de mais uma viagem da série “Viajando com a Fitogeografia” do portal eFlora.

Dentre os objetivos desta expedição, conforme colocado no primeiro post sobre a viagem aqui no blog, eu ressalto:

1) Gravar mais dois trechos da série “Viajando com a Fitogeografia” a serem incorporados em setembro no portal eFlora (São Paulo-SP a Teresina-PI via Rio-Bahia e Teresina-PI a São Paulo-SP via Brasília), o qual está sendo relançado agora.

2) Coletar ramos adultos de espécies arbóreas ao longo do domínio da Caatinga e Cerrado para atualização da Chave de Identificação das Famílias e Gêneros de Plantas Arbóreas dos Domínios de Vegetação do Brasil, disponível ao aluno do nosso curso “O Segredo da Identificação de Plantas” e em breve na forma de um aplicativo (APP).

3) Gravar vídeo-aulas para o curso “O Segredo da Identificação de Plantas”.

4) Gravar vídeo-aulas para o canal Brasil Bioma do Youtube (Se você ainda não está inscrito(a), faça sua inscrição gratuita através deste link. Basta um clique!) e

5) Produzir conteúdo a este blog que você está visitando, o blog eFloraWeb.

No presente post, eu quero discutir um pouco com vocês que me acompanham aqui no blog do portal eFlora o trecho entre Teresina (PI) até Brasília (DF) realizado através da perigosa Rodovia Transpiauí (BR 343/135/235) até o Sul do Estado e divisa com a Bahia. Na Bahia, o percurso seguiu pela BR 135 até Barreiras, noroeste do Estado, e de lá pela BR-020 iniciou o percurso pelo planalto central da fronteira agrícola baiana até Luis Eduardo Magalhães, divisa com Goiás e, em seguida, Brasília.

Nesse post, eu espero ajudar vocês a entenderem um pouco mais sobre a complexidade do domínio do Cerrado Brasileiro. Trata-se de um assunto que abordo com muito mais detalhes nos meus treinamentos com certificado disponíveis no portal eFlora e no curso “O Segredo da Identificação de Plantas”. Aliás, você já baixou a nova chave de identificação atualizada com as coletas dessa expedição? Se não, obtenha agora mesmo neste link!

O confronto entre a classificação do IBGE e a checagem de campo realizada pela equipe ao longo do percurso entre o Piauí (PI) e o Distrito Federal (DF)

De acordo com o mapa de biomas e tipos de vegetação do Brasil segundo o IBGE, entre Demerval Lobão (a 50 km a Sul de Teresina) a Canto do Buriti (PI), a classificação oficial é a de que o Bioma predominante é a Caatinga, sendo que a fisionomia classificada é a ST/TN (ST: Contato Savana/Savana Estépica e TN: Contato Savana Estépica/Floresta Estacional). Este percurso foi percorrido pela BR 343. Especificamente na capital do Piauí, o IBGE classificou como o Cerrado, o bioma predominante.

Em Canto do Buriti, inclusive, há o acesso para duas importantes Unidades de Conservação (UCs) do Brasil: o Parque Nacional (PN) da Serra da Capivara e o PN Serra das Confusões. Ao invés de atravessar essas duas UCs, seguimos pela BR 135 ao longo do Vale do Rio Gurguéia rumo à Barreiras (BA) e, então, até Brasília (DF) via BR 020. A Figura 2 ilustra com maiores detalhes esse percurso, com a inclusão do diagnóstico de vegetação realizado por nós diretamente em campo. Já as informações atreladas a cada trecho foram organizadas na Tabela 1. No item a seguir, a descrição resumida de cada código atrelado à Figura 2 e à Tabela 1.

Figura 2

Figura 2 – Percurso realizado entre Teresina (PI) e Brasília (DF) ao longo da expedição Viajando com a Fitogeografia do portal eFlora. Os números (códigos) na figura estão descritos na Tabela 1 abaixo.

Tabela 1 – Descrição da vegetação ao longo do percurso.

Cód.LocalidadeMapeamento oficial – Bioma segundo IBGEVegetação segundo IBGEVegetação classificada em campoFoto
1Teresina (PI)CerradoContato Savana/Savana estépica/Floresta EstacionalFloresta Estacional Semidecídua com predomínio de palmeiras (Attalea speciosa – babaçu) e remanescentes de Cerrado1
2Trecho entre Teresina a Floriano (PI)CaatingaSavana estépica gramíneo-lenhosaSavana arborizada2 a 6
3Canto dos Buritis (PI), entroncamento da BR324/135CaatingaContato Savana estépica/Floresta EstacionalSavana estépica em transição com Floresta Estacional e preseça ocasional de espécies de Cerrado7 a 10
4Bom Jesus (PI)CerradoContato Savana/Floresta EstacionalSavana arborizada em transição com Savana estépica – “Carrasco”11 a 13
5Divisa PI/BACerradoSavana gramíneo-lenhosa e Contato Savana/Floresta EstacionalSavana arborizada14 a 17
6Riachão das Neves, próximo a Barreiras (BA)CerradoContato Savana/Savana estépica/Floresta EstacionalTrechos de Savana arborizada, Savana arborizada em transição com Savana estépica e Florestas Decíduas18 e 19
7Luiz Eduardo Magalhães a Correntina (BA)CerradoSavana e Contato Savana/Floresta EstacionalCulturas agrícolas, Savana gramíneo-lenhosa com Buritis, Florestas Aluviais com Buritis, Savana arborizada20 a 23
8Posse a Formosa (GO)CerradoSavana e Floresta Estacional DecíduaSavana Gramíneo-lenhosa, Savana arborizada e Floresta Semidecídua24 a 27
9Formosa (GO) a Brasília (DF)CerradoSavana FlorestadaFlorestas Estacional Semidecídua nas encostas e Savana Arborizada no planalto do Distrito Federal28 a 30

Breve descrição da vegetação caracterizada ao longo do percurso

– 1: Região de Teresina (PI)

No post anterior sobre a expedição, eu já abordei alguns detalhes sobre a vegetação do entorno da capital do Estado do Piauí. A região é muito complexa. Trata-se de um mosaico entre remanescentes de Cerrado (Savana arborizada) e Florestas Semidecíduas com predomínio (Foto 1) ou não de Attalea speciosa (babaçu).

Foto 1

Foto 1 – Remanescentes de vegetação com predomínio de Attalea speciosa (babaçu) nas proximidades de Teresina, PI.

Uma das características do Setor Norte do domínio do Cerrado nos Estados de Maranhão e Piauí é a presença de fisionomias com predomínio de palmeiras como a verificada na Foto 1. Esse é um dos elementos que atestam a influência da flora Amazônica sobre a região. Vale destacar que a espécie símbolo de Teresina é Cenostigma macrophyllum (caneleiro), uma árvore típica da floresta de terra firma do Pará, além de ocorrer em Carrascos do Piauí e menos comum em Cerradões do Maranhão, Piauí e Norte da Bahia.

– 2: Trecho entre Teresina (PI) a Floriano (PI)

Neste trecho, embora a classificação oficial do IBGE ateste que o bioma predominante é a Caatinga, os remanescentes ao longo da rodovia são fisionomias de Cerrado denso (Foto 2), oficialmente denominada de Savana arborizada. Uma das espécies típicas de Cerrado e exclusiva do setor nordeste do Cerrado é Parkia platycephala (faveira-de-bolota) (Foto 3 e 4). Muito abundante ao longo deste trecho, esta espécie só foi vista nesta região do percurso.

Foto 2

Foto 2 – Remanescentes de Cerrado denso na região de Floriano, PI.

 

Foto 3

Foto 3 – Indivíduo arbóreo de Parkia platycephala (faveira-de-bolota), muito abundante entre Teresina e Floriano, PI.

 

Foto 4

Foto 4 – Ramo de Parkia platycephala (faveira-de-bolota).

Outras duas características muito interessantes do Cerrado a oeste da Caatinga na região Nordeste do Brasil é a presença em riqueza e abundância do gênero Mimosa (Foto 5) e a ocorrência de Copernicia prunifera (carnaúba) principalmente em região planas de fundos de vale temporariamente secos (Foto 6).

Foto 5

Foto 5 – Trecho de Cerrado denso (Savana Arborizada) próximo a Floriano, PI.

 

Foto 6

Foto 6 – Trecho de Cerrado com a presença de Copernicia prunifera (carnaúba) próximo a Floriano, PI.

– 3: Canto dos Buritis, entroncamento da BR324 / BR135

Já na região de Canto dos Buritis (Figura 2), uma mudança significativa da vegetação ocorreu. Ao longo do percurso, desde Teresina, foi notório que em direção ao Sul o clima se tornava mais seco e a vegetação mais caducifólia e baixa, o esperado para o polígono da Seca da Caatinga. Além disso, a presença de Cactaceae se fez presente, principalmente com a ocorrência de espécies de Cereus (mandacaru) (Foto 7 a 10).

Foto 7

Foto 7 – Presença expressiva de Mimosa spp. (jurema) na região de Canto dos Buritis, no Centro Sul do Estado do Piauí.

 

Foto 8

Foto 8 – Terraços cristalinos de origem arenosa que compõem a base do substrato que sustenta a Caatinga na região centro sul do Piauí, em Canto dos Buritis, PI.

 

Foto 9

Foto 9 – Caatinga arbustiva em Trempes, PI

 

Foto 10

Foto 10 – Caatinga arbustiva próxima a Canto dos Buritis, PI

 

– 4: Região de Bom Jesus (PI)

Após Canto dos Buritis, o trajeto se seguiu a Sudoeste via TransPiauí até a divisa com a Bahia. Segundo o IBGE, a região está representada sob o bioma do Cerrado e a fitofisionomia predominante é a “Contato Savana/Floresta Estacional”.

No entanto, com base na classificação fitogeográfica proposta pelo Prof. Afrânio Fernandes e nas nossas observações de campo, esta região entre o PN Serra das Confusões e planalto da Gurguéia deve ser considerada como um tipo próprio de vegetação do semi-árido devido a aspectos climáticos, porém independente da Caatinga. Representa uma fisionomia que possui afinidade florística com o Cerrado (ex.: Plathymenia reticulata, Simarouba versicolor e Qualea grandiflora), com a Mata Seca (Pityrocarpa moniliformis) e com a Caatinga (Jatropha mollissima e Myracrodruon urundeuva).

Trata-se do Carrasco, uma fitofisionomia muito comum em terrenos sedimentares, onde há um solo arenoso e bem drenado, muito encontrada no maciço de Ibiapaba/Serra Grande, Araripe (ambos no Ceará) e em várias porções da bacia do Rio Parnaíba passando pelo centro leste do Piauí até o Sul do Estado na Serra da Capivara, Confusões e seu entorno, como o Vale do rio Gurguéia, que é onde nos encontramos no deslocamento em direção ao Sul.

No conteúdo exclusivo do portal eFlora, continuando a descrição da expedição, eu farei uma ampla revisão bibliográfica sobre esta fitofisionomia muito característica, porém pouco conhecida, das transições Cerrado/Caatinga do Nordeste Brasileiro. Alguns autores, por exemplo, acreditam que o Carrasco é uma série sucessional do Cerradão, que evolui lentamente tendo em vista suas características ambientais e edáficas. Você acredita nessa hipótese?

O carrasco na região pode ser descrito como uma fisionomia arbórea baixa com 5 m de altura em média, cobertura de dossel ao redor de 70%, ausência de Cactaceae, baixa expressividade de Mimosa (jurema) e uma mistura da flora do Cerrado e da Caatinga. Duas espécies muito características na fitofisionomia do Carrasco da região e que são pouco encontradas no Cerrado senso stricto foram: Pityrocarpa moniliformis e Cenostigma macrophyllum (Foto 11 a 13).

Vale dizer que estas duas espécies não são exclusivas do Carrasco, mas a sua presença na área as diferencia do Cerrado do setor Nordeste do Brasil, tendo em vista que são raras nestes ambientes. No Carrasco, efetuamos mais de 35 coletas de material botânico. Estas além de outros registros foram identificados e sua presença incluída e/ou confirmada em nossa chave de Identificação de Plantas presente em nosso curso “O Segredo da Identificação de Plantas”. Se você é da região ou de qualquer outra ao longo dos domínios de vegetação do Brasil e necessita de uma chave de identificação ampla e que possa ser usada em qualquer lugar do Brasil, conheça o nosso trabalho!

Foto 11

Foto 11 – Paisagem dominada por Carrasco na região de Bom Jesus, sul do Piauí.

 

Foto 12

Foto 12 – Trecho sob predomínio do Carrasco no vale do Rio Gurguéia em Bom Jesus, PI.

 

Foto 13

Foto 13 – Sub-bosque típico de uma área de Carrasco em regeneração com cerca de 6 m de altura em Bom Jesus, PI.
– 5: Divisa PI/BA

Após passar pelos municípios de Bom Jesus e Gilbués no sul do Piauí, a paisagem voltou a se assemelhar mais ao que entendemos se caracterizar como Cerrado. Enquanto que no Carrasco as copas se tocam numa cobertura homogênea e baixa, além de muitas árvores apresentarem caducifolia, no Cerrado temos uma paisagem predominantemente savânica e a maioria das árvores mantém suas folhas ao longo de todo o ano. Há ainda uma diferença no ritidoma das árvores do Cerrado e do Carrasco. A maioria dos troncos no primeiro possuem diferentes níveis de espessamento, algo que é menos verificado neste último.

E na divisa entre os Estados do Piauí e da Bahia, nós pudemos constatar remanescentes de Savana arborizada, porém com estrutura menos constituída. Segundo a classificação de Ribeiro e Walter da UnB, poderíamos chamar de “Cerrado típico”, no qual há um componente arbutivo-arbóreo, mas que a cobertura sobre o solo dificilmente ultrapassa os 50% (Foto 14 a 17). Até então, os remanescentes de Cerrado encontrados no percurso também eram classificados como Arborizados (IBGE), porém de tipologia Densa.

Foto 14

Foto 14 – Uma das espécies indicadoras de áreas úmidas do domínio do Cerrado, Mauritia flexuosa (buriti) começa a ocorrer em Gilbués, sul do Piauí.

 

Foto 15

Foto 15 – Trecho de Savana arborizada próximo à divisa entre os Estados do Piauí e Bahia ao longo da rodovia Transpiauí.

 

Foto 16

Foto 16 – Duas espécies endêmicas do Cerrado. Ao centro, Salvertia convallariodora (chapéu-de-couro) e à direita, Xylopia sericea (pindaíba).

 

Foto 17

Foto 17 – Placa com informações na divisa entre o Piauí e a Bahia.

 

– 6: Riachão das Neves, próximo a Barreiras (BA)

Já no Estado da Bahia, o predomínio do Cerrado se tornou cada vez mais evidente e as características da Caatinga ficavam para trás. A partir da Bahia até o Espigão Mestre de Goiás, o Cerrado passou a dividir o terreno com uma específica fitofisionomia florestal, a popular “Mata Seca” (Fotos 18 e 19) ou tecnicamente Floresta Estacional Decídua segundo o IBGE.

O mosaico com a distribuição destas duas fitofisionomias ao longo do percurso se deu a depender das condições edáficas. Em solos com alta toxidez, o Cerrado predomina. Já em solos de baixa toxidez ou em encostas drenadas, a Floresta Decídua toma o seu lugar.

Duas espécies características da “Mata Seca” foram visualizadas com frequência ao longo deste trecho do percurso. Trata-se de Schinopsis brasiliensis (braúna) e Triplaris gardneriana (pau-formiga). Registra-se também outra espécie com ampla distribuição no Nordeste do Brasil, encontrada desde o litoral, passando pelo Carrasco piauiense e, agora, nas Matas Secas baianas. Trata-se de Pityrocarpa moniliformis (catanduva). E, por fim, cita-se o elevado número de Fabaceae nesta tipologia de vegetação, muito maior do que pudemos observar nos trechos sob Caatinga e Cerrado.

Foto 18

Foto 18 – Trecho de Floresta Decídua (“Mata Seca”) em Riachão das Neves, próximo a Barreiras, BA.

 

Foto 19

Foto 19 – Sub-bosque de Floresta Estacional Decídua em Riachão das Neves, próximo a Barreiras, BA.

 

 

– 7: Luiz Eduardo Magalhães a Correntina (BA)

Até Barreiras (BA), áreas de produção intensiva de grãos e outros produtos agrícolas não haviam sido registradas. Após o planalto de Barreiras rumo à Luiz Eduardo Magalhães, a paisagem mudou drasticamente com a conversão de áreas naturais, levemente antropizadas e degradadas em lavouras mecanizadas sob a égide do agronegócio. Em Luiz Eduardo até a divisa com Goiás, o que se viu foram lavouras de algodão e soja e o Cerrado presente principalmente na Reserva Legal das propriedades ou junto às encostas íngremes dos arenitos da região. Nas áreas alagadas, os buritizais (Fotos 20 a 23).

Foto 20

Foto 20 – Veredas de Buritis ao longo da BR 020 rumo à Goiás em Luiz Eduardo Magalhães, BA.

 

Foto 21

Foto 21 – Plantação de algodão em Correntina, BA.

 

Foto 22

Foto 22 – Presença do Cerrado em encostas íngremes nos arenitos da região de Correntina, BA.

 

Foto 23

Foto 23 – Trecho de Savana arborizada (Cerrado denso) na Reserva legal de propriedade particular em Correntina, BA.

 

– 8: Posse a Formosa (GO)

Da divisa de Goiás, em Posse, até Formosa, um município localizado na Serra do Espigão Mestre rumo ao planalto Central do Brasil, o que vimos foi um mosaico muito interessante de Cerrado e Florestas Decíduas a depender das condições edáficas (Fotos 24 a 27).

Foto 24

Foto 24 – Divisa entre BA/GO com a presença de remanescentes de Savana Arborizada na paisagem.

 

Foto 25

Foto 25 – Trecho de Savana Gramíneo-lenhosa (Campo cerrado) em Posse, GO, a 20 km da divisa com a Bahia.

 

Foto 26

Foto 26 – Trecho de regeneração de Floresta Decídua (“Mata Seca”) com predomínio de Astronium fraxinifolium (gonçalo-alves) em Formosa, GO.

 

Foto 27

Foto 27 – Remanescentes de Florestas Decíduas nas encostas secas e bem drenadas da região de Formosa conferindo aspecto bem seco à vegetação regional.

 

– 9: Formosa (GO) a Brasília (DF)

No percurso pela BR 020 após a divisa com a Bahia já no território Goiano, a altitude média do percurso se manteve entre 500 e 800 m. A partir de Formosa, inicia-se uma elevação que conduziu a altitude dos 850 m até os 1.100 m registrados na capital federal. Esta variação altimétrica influenciou na caducifolia das árvores e na distribuição das próprias espécies arbóreas das tipologias florestais. Já em Formosa, as Matas Secas deram lugar às Florestas Semidecíduas na encosta e topo da serra. E já na região de Brasília, os remanescentes de Cerrado voltaram a ocorrer com amplo predomínio, deixando as Florestas Semidecíduas restritas a porções muito restritas onde existia uma umidade e constituição físico-química do solo apropriada. Esse mosaico Floresta/Savana será trabalhado com mais detalhes ao longo dos conteúdos do portal eFlora.

Foto 28

Foto 28 – Encostas da Serra de Formosa com a presença de Florestas Semidecíduas em Goiás rumo à Brasília.

 

Foto 29

Foto 29 – Encostas com Florestas Semidecíduas no planalto central do Brasil a 70 km de Brasília.

No próximo post, abordarei o último trecho da expedição: o deslocamento entre Brasília (DF) a São Paulo (SP). Deixe o seu comentário sobre as informações compartilhadas a respeito da vegetação na transição Cerrado/Caatinga do setor Nordeste do Brasil. E, se gostou, compartilhe este post a seus amigos!

            Até a próxima!

Rodrigo Polisel
Doutor em Biologia Vegetal pela UNICAMP
E-mail: [email protected]

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