Analisando a vegetação entre São Paulo-SP e Gov. Valadares-MG

Analisando a vegetação entre São Paulo-SP e Gov. Valadares-MG

“O trecho da Mata Atlântica entre o Vale do Paraíba e o Vale do Rio Doce é de extrema complexidade!”

O conteúdo da semana do portal eFlora acaba de ser publicado!

Em mais um post da série Viajando com a Fitogeografia, discutimos a distribuição da vegetação ao longo de dois trechos muito interessantes de duas bacias hidrográficas importantes inseridas na Mata Atlântica na região Sudeste do Brasil. São elas: o vale do Paraíba entre o leste de São Paulo, Sul/Sudoeste do Rio e Sudeste de Minas Gerais e o vale do Rio Doce na região de Governador Valadares.

Para quem ainda não sabe, essa série do portal é diferente de tudo que você já viu. Nas viagens rodoviárias que o biólogo Rodrigo Polisel realiza pelo Brasil para coletar plantas arbóreas com o objetivo de atualizar e testar a Chave de Identificação que os alunos do Curso “O Segredo da Identificação de Plantas” possuem de forma exclusiva, ele aproveita para gravar tomadas de vídeo a fim de analisar a variação da vegetação ao longo do trecho percorrido!

Trechos rodoviários no Sul e Sudeste já se encontram na série e, em breve, haverão outros incluindo a região nordeste do Brasil!

O post de hoje aqui no blog apresenta o conteúdo da semana da série. O percurso escolhido foi pela via BR-116 (“Via Dutra”). Iniciamos em São Paulo, capital paulista. Seguimos pelo Vale do Paraíba cortando os municípios de São José dos Campos, Aparecida até Volta Redonda (Estado do Rio de Janeiro). Então, pegamos a BR-393 (“Rodovia do Aço”) passando pelos municípios de Vassouras, Três Rios até Além Paraíba, onde, então, voltamos à BR-116 (agora, “Rio-Bahia”) passando por Leopoldina, Muriaé, Caratinga até Governador Valadares (todos estes quatro últimos municípios já no Estado de Minas Gerais). Visualize o percurso na Figura 1.

Percurso realizado entre São Paulo/SP a Governador Valadares/MG. Legenda: A: Aparecida, AP: Além Paraíba, C: Caratinga, GV: Governador Valadares, L: Leopoldina, M: Muriaé, SJC: São José dos Campos, TR: Três Rios e VR: Volta Redonda.

Figura 1: Percurso realizado entre São Paulo/SP a Governador Valadares/MG. Legenda: A: Aparecida, AP: Além Paraíba, C: Caratinga, GV: Governador Valadares, L: Leopoldina, M: Muriaé, SJC: São José dos Campos, TR: Três Rios e VR: Volta Redonda.

Essa é uma região complexa da Mata Atlântica, devido aos acidentes geográficos ali localizados. Para ilustrar, construí um perfil diagrama simplificado no qual demonstro a altitude ao longo do percurso com a citação dos principais municípios pelos quais atravessamos no caminho (Figura 2). É importante ressaltar que esse perfil diagrama elaborado possui valores aproximados de altitude. No entanto, o que mais nos importa aqui é evidenciar o padrão da variação de altimetria ao longo de todo o nosso deslocamento.

Figura 2 – Perfil diagrama da altimetria do percurso realizado entre São Paulo/SP a Governador Valadares/MG. Código dos municípios na Figura 1.

Figura 2 – Perfil diagrama da altimetria do percurso realizado entre São Paulo/SP a Governador Valadares/MG. Código dos municípios na Figura 1.

Com base na Figura 2, podemos observar que um dos trechos de maior altimetria é exatamente o ponto de origem (São Paulo, SP). De lá, seguimos pelo Vale do Paraíba acompanhando a jusante do Rio, por isso o decréscimo paulatino em altitude.

Os níveis mais baixos se verificam nas proximidades da divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais (175 m), em Além Paraíba (AL). Isso já nos faz refletir sobre as diferenças geomorfológicas entre o Estado de São Paulo e o Estado do Rio de Janeiro (Figura 3 e 4).

Em São Paulo, a Serra do Mar impõe-se como típica borda de planalto, frequentemente nivelada no topo em altitudes que varia de 800 a 1.200 m, denominada de Planalto Atlântico (ou Paulistano, se estivermos na Região Metropolitana de São Paulo) (Figura 3). Já na porção centro-oriental do Estado do Rio de Janeiro apresenta-se como uma montanha constituída por blocos de falhas inclinado para noroeste em direção ao Rio Paraíba do Sul, com vertentes abruptas voltadas para a Baixada Fluminense, a sul (Figura 4) (Almeida e Carneiro 1998).

A grosso modo, o que podemos tirar das ideias organizadas no parágrafo anterior então?! Concluímos que no Estado de São Paulo, maiores elevações (acima de 500 m.s.m.) se mantém por centenas de quilômetros. Já no Estado do Rio de Janeiro, o grábem da Guanabara influencia na formação de uma ampla planície pela baixada fluminense e as elevações de altitude são abruptas com a formação de vários “Pães de Açucar” (por exemplo: Serra dos Órgãos). Portanto, uma zona de baixa altitude já se verifica numa distância relativamente próxima ao Oceano na vertente continental da Serra do Mar (Grabem da Guanabara) (ver Figura 4).

Um exemplo prático: Em linha reta, há 200 km de distância do Oceano Atlântico e partindo de Santos (litoral paulista), o município que teremos será Limeira e a altitude média do município é de 588 m. Já no Estado do Rio de Janeiro, a linha reta entre a cidade do Rio de Janeiro e o município de Além Paraíba é de apenas 123 km, mas a altitude do município é muito menor, apenas 140 m.

Essa conformação gera condicionantes ambientais que influenciarão diretamente na distribuição da vegetação, como veremos adiante.

Figura 3 – Perfil geomorfológico do Estado de São Paulo. Retirado de: UNIFEB (2005).

Figura 3 – Perfil geomorfológico do Estado de São Paulo. Retirado de: UNIFEB (2005).

Figura 4 – Perfil geomorfológico do Estado do Rio de Janeiro. Retirado de: Almeida e Carneiro (1998)

Figura 4 – Perfil geomorfológico do Estado do Rio de Janeiro. Retirado de: Almeida e Carneiro (1998)

O nosso objetivo agora é analisar o que vimos. Desde já, deixarei claro que em muitos momentos do texto irei me reportar à Figura 2 pois ela demonstra claramente o perfil da variação da altitude no percurso e isso será bem importante para entendermos a distribuição da vegetação.

Ao final da leitura de todo o post, você será capaz de responder as seguintes perguntas:

– Quantos agrupamentos florísticos de Floresta Semidecídua foram observados ao longo do percurso?

– Qual a importância da Bacia do Rio Doce para a evolução da vegetação da Mata Atlântica?

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Para continuar lendo o post completo, clique aqui!

Até a próxima e bons estudos!

Rodrigo Polisel
Responsável pela Série “Viajando com a fitogeografia”
Coordenador do Portal eFlora

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